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VENDER MAIS? PRA QUÊ?
Sinta o drama:
Entro numa loja, vejo uma peça na vitrine, peço
meu número, e pergunto:
- Onde eu posso experimentar?
Resposta: - Não pode!
- Como assim, não pode?
Resposta: - Ou leva assim ou não leva.
Parece ficção? Não, pura realidade.
Tem coisa que nestes tempos de vacas magras, não
dá mesmo para entender. Numa pesquisa na região
da Rua José Paulino, em São Paulo, descobri
que consumidor por lá é coisa que absolutamente
não interessa. Se já fabricam a moda que
querem, se vendem pelo preço que dá, se
tem muitos lojistas que os procuram, pra que perder
tempo com consumidores de varejo?
Essa deve ser a filosofia dos novos ricos lojistas coreanos
que tomaram a região do Bom Retiro na última
década. As lojas que só vendem no atacado
e têm uma plaquinha na vitrine com essa informação
estão trabalhando conforme seu padrão,
sem problemas. Mas existem as lojas que vendem no "atacarejo"
que são a maioria, e que estão sofrendo
da síndrome do "ataque ao varejo".
Se existe um bom mercado varejista na região
e se existe abundância de peças para esse
canal, por que maltratar seus consumidores? Imagine
você entrar numa loja, gostar de uma peça
da vitrine, pedir o seu tamanho e não poder experimentar?
Imagine querer experimentar um vestido colante de noite
e ouvir uma frase assim:
- Ponha por cima da roupa... (e você cheia de
agasalhos)
Imagine pior do que isso:
Posso experimentar? Não! E por cima da roupa?
Também não!
Uma outra loja me pareceu ainda pior: Sem placa de atacado
na porta, entrei na loja vazia onde duas balconistas
sentadas, "coçavam" sem fazer nada
e pedi para ver uma peça da vitrine. A balconista
me deu aquela olhada e perguntou: - É varejo?
Ah... varejo só de sábado!
Olhei para a dona "coreana padrão"
(cabeça baixa atrás do balcão)
e fiquei olhando a balconista que tirou a peça
da minha mão e voltou a se sentar esperando que
eu me retirasse. Eu não acreditei no que estava
acontecendo naquela loja vazia. Simplesmente, não
dá para entender! Estão todos na contramão
da história. Enquanto nos shoppings estão
nos laçando no corredor, tem gente que não
quer vender.
Atender bem para quê? Provador, nem pensar! Nem
dez por cento das lojas têm um. Se tais lojas
vendem no varejo, se fazem liquidação,
se fazem vitrines, e se pretendem vender suas peças
(sobras ou não de coleções), que
atendam direito. Resolvam se vão trabalhar no
atacado ou atendam bem no varejo. Se os antigos proprietários
da José Paulino (da colônia judaica) migraram
para os shoppings atrás da massa de consumidores,
por que os coreanos (atuais proprietários) não
aproveitam a onda de procura da população
por produtos com preços melhores, para vender
mais no varejo, já que os shoppings estão
vazios?
Esperamos que a nova geração de filhos
de coreanos (que já são brasileiros) e
que já melhoraram "muito" as vitrines
e o estilo da moda da região, aprendam também
a tratar bem os consumidores de varejo, senão
teremos que esperar pela invasão boliviana, pois
estes, latinos que são, costumam ser bem mais
interessados em vender. Se as lojas de "atacarejo"
não aprenderem a respeitar todos os tipos e classes
de consumidores nos dias de hoje, não poderão
reclamar no futuro, se só receberem consumidores
C e D em suas lojas. Se tantos povos ganham dinheiro
com a moda brasileira, de geração em geração
que tal começarmos a atender melhor este coitado
do consumidor brasileiro?
Regina Blessa - vice-presidente do Popai Brasil
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