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Depois de muito corre-corre,
marca e desmarca horário, enfim, a redação
da PRONEWS conseguiu um espaço na agenda
desse profissional tão assoberbado de responsabilidades.
Pernambucano, descendente de libaneses, por parte
dos avós paternos, o diretor-comercial do
Diario de Pernambuco, Gabriel Kater, já experimentou
todos os lados da comunicação: empresário,
cliente, funcionário de agência e finalmente
veículo. Depois de dois anos de relacionamento,
ele prepara-se para mais uma aventura: a de ser
pai na |
próxima primavera, em setembro. Formado há
14 anos em Administração de Empresas pela
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), antes de trilhar
os caminhos da comunicação este leonino
dirigiu sua própria empresa, na área de
pescados, e foi gerente da filial da Mac Donald's, na
Avenida Agamenon Magalhães, em Recife (PE).
Sua trajetória no mercado se deve aos seus “padrinhos”
e amigos Angélica Molina, José Jardelino
e Jussara Pettini, que acreditaram em seu potencial
e o convidaram para dirigir o setor de mídia
da ex-Propeg-PE. “Os três foram responsáveis
pelo meu ingresso na área de comunicação
e acabei por atender contas de clientes de varejo, em
função das minhas experiências anteriores.
Depois tive a sorte de trabalhar junto à família
Queiroz, na Ampla Comunicação, fazendo
inclusive o atendimento do veículo para o qual
trabalho hoje. Vale ressaltar que foi na Ampla, onde
passei três anos, que aprendi a dar mais valor
ao lado ético e amadureci profissionalmente”,
relembra.
Louco por carnes, em especial a vermelha, sua bebida
preferida é a caipirosca e um bom vinho. No quesito
cultura, adora teatro e recentemente teve a oportunidade
de apreciar a exposição do pintor Picasso,
no Ibirapuera (SP). Com relação ao entretenimento
sua preferência é cinema europeu e nacional,
principalmente produções recentes como
Lisbela e o Prisioneiro, Deus é Brasileiro e
Domésticas. Um filme inesquecível: Era
uma vez na América. Para ouvir, nada melhor que
uma boa MPB e rock nacional, com destaque para nomes
como Rita Lee, Kid Abelha, e Titãs. Na cabeceira,
o Livro das Virtudes, de Willian Bennett. Sua indicação
para uma boa leitura é o Pensar é Transgredir,
de Lya Luft, e Surfando nas Ondas do Mercado, de Raimar
Richers, lidos há pouco tempo.
REVISTA PRONEWS - O que
fez você migrar para um veículo de
comunicação e atuar do outro lado
do balcão?
Gabriel Kater - Em meados de 1999, o DP
passava por uma fase de reestruturação,
e eis que surgia a oportunidade de ingressar num
veículo de comunicação e obter
experiência no Departamento Comercial, na
área de planejamento e informação.
No ano passado fui promovido por Joezil Barros,
para o cargo de diretor-comercial, atributo que
considero um grande desafio, afinal é uma
empresa com o respaldo de 178 anos. E o |
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fato de ter passado de mídia a fornecedor tem vantagem:
você aprende a ter uma visão ampla do que
é a comunicação e a importância
de enxergar sob outro prisma os meios de comunicação
de uma forma geral. Na área de agência você
tem uma formação mais aprofundada no marketing.
E num veículo tem-se uma visão mais focada
nos resultados, os quais devem ser mostrados diariamente.
É preciso criar um produto bom todo dia.
REVISTA PRONEWS - Que observação
você tem a fazer a respeito dos profissionais
de mídia do mercado pernambucano?
Gabriel Kater - O que eu vejo é que
falta a eles um contato maior com os clientes. O mídia,
além de ser uma pessoa de contato direto com
fornecedores, tem por obrigação conhecer
melhor seus clientes, para puder oferecer melhores opções.
Hoje eu percebo que ainda falta um pouco mais do conhecimento,
não do próprio profissional de mídia,
mas talvez do formato que algumas agências o colocam,
fora do processo de planejamento. É preciso estar
presente e sugerir aos veículos, soluções
customizadas. Talvez as agências precisem valorizar
mais este profissional
REVISTA PRONEWS - Você disse que sua
função vivencia desafios diários.
Quais são esses desafios?
Gabriel Kater - O mercado local vem passando
por transformações por conta da nossa
situação econômica, e 90% das verbas
são voltadas para o serviço e varejo.
Ao longo destes últimos anos venho percebendo
uma queda em número de clientes de grande porte.
Existiam no Recife, há cinco anos, 23 concessionárias
e hoje são apenas 11 ou 12. Por volta de 1997/98
havia 14 lojas de eletrodomésticos anunciando
no jornal e agora só tem quatro. Nosso desafio
é estar sempre buscando novos anunciantes, e
como buscar novos anunciantes se boa parte deixou de
existir? Hoje o meio jornal em Pernambuco tem uma participação
maior do que a média nacional. O nosso concorrente
hoje não são apenas o Jornal do Commercio
ou a Folha de Pernambuco, e sim as cinco emissoras de
TV, as 26 rádios e as quatro exibidoras de outdoor.
A verba do cliente está sendo disputada com todas
elas. Por este motivo não posso apenas olhar
os jornais. Estou dentro de um contexto de comunicação,
onde temos fornecedores muito competentes.
REVISTA PRONEWS - Diante de tal situação,
qual a melhor forma de proceder?
Gabriel Kater - Buscar novos mercados. E foi
isso que fizemos. Partimos para uma nova estratégia
de vendas fora do Estado de Pernambuco. Desde março
o DP junto com o Estado de Minas e o Correio Brasiliense
estão com uma sucursal operando em São
Paulo. Deixamos de trabalhar com representações
para ter escritório próprio. A maior parte
das verbas nacionais concentram-se na Região
Sudeste. Juntos dividimos uma sucursal para estarmos
mais próximos dos anunciantes paulistas, buscando
novos mercados e novas propostas de mídia. No
mercado local, tivemos o lançamento em 2000 dos
novos formatos diferenciados. Fomos inovadores - mostrando
aos anunciantes que temos outras formas de anunciar,
e não somente o anúncio retangular ou
quadrado. Há degustação de produtos,
a cinta, o encarte regionalizado, a embalagem, os anúncios
em formato de ilha e de meia-lua. O DP vem se modernizando
pra oferecer ao segmento publicitário opções
diferenciadas de mídia.
REVISTA PRONEWS - O brasileiro, e principalmente
o nordestino, apresentam baixos índices no hábito
de leitura. Como atuar num mercado como este e ainda
conseguir conquistar novos consumidores?
Gabriel Kater - Somos uma sociedade acostumada
a consumir mídia eletrônica, com baixos
índices de leitura em relação aos
países da América Latina. Para que o consumo
de papel aumente, é preciso aumentar a tiragem
do jornal. E para aumentar a tiragem, as pessoas têm
que começar a ler mais. E para ler mais precisam
ter educação de qualidade. Na essência
é um trabalho que parte do poder público,
que deve começar a investir mais na educação
e na leitura. Preocupado com estes indicadores, o Diario
de Pernambuco lançou em 1997 o projeto Leitor
do Futuro, que tem por objetivo inserir o jornal nas
escolas para ser utilizado como fonte de consulta pelos
alunos. Incentivado pela Associação Nacional
dos Jornais (ANJ), o projeto já foi implantado
em 120 escolas pernambucanas. Estamos fazendo nossa
parte, contribuindo para melhorar o índice de
informação e formação educacional
e de leitura. Pensando justamente em preparar nosso
público de amanhã, os futuros cidadãos
leitores.
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