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   Ano V | 15 maio - 15 junho de 2004 | nº 56 | Capa: Mart Pet
   
   
     
  GABRIEL KATER
A VIDA DE UM PROFISSIONAL VERSÁTIL

Por Luciana Torreão
 
Depois de muito corre-corre, marca e desmarca horário, enfim, a redação da PRONEWS conseguiu um espaço na agenda desse profissional tão assoberbado de responsabilidades. Pernambucano, descendente de libaneses, por parte dos avós paternos, o diretor-comercial do Diario de Pernambuco, Gabriel Kater, já experimentou todos os lados da comunicação: empresário, cliente, funcionário de agência e finalmente veículo. Depois de dois anos de relacionamento, ele prepara-se para mais uma aventura: a de ser pai na
próxima primavera, em setembro. Formado há 14 anos em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), antes de trilhar os caminhos da comunicação este leonino dirigiu sua própria empresa, na área de pescados, e foi gerente da filial da Mac Donald's, na Avenida Agamenon Magalhães, em Recife (PE).

Sua trajetória no mercado se deve aos seus “padrinhos” e amigos Angélica Molina, José Jardelino e Jussara Pettini, que acreditaram em seu potencial e o convidaram para dirigir o setor de mídia da ex-Propeg-PE. “Os três foram responsáveis pelo meu ingresso na área de comunicação e acabei por atender contas de clientes de varejo, em função das minhas experiências anteriores. Depois tive a sorte de trabalhar junto à família Queiroz, na Ampla Comunicação, fazendo inclusive o atendimento do veículo para o qual trabalho hoje. Vale ressaltar que foi na Ampla, onde passei três anos, que aprendi a dar mais valor ao lado ético e amadureci profissionalmente”, relembra.
Louco por carnes, em especial a vermelha, sua bebida preferida é a caipirosca e um bom vinho. No quesito cultura, adora teatro e recentemente teve a oportunidade de apreciar a exposição do pintor Picasso, no Ibirapuera (SP). Com relação ao entretenimento sua preferência é cinema europeu e nacional, principalmente produções recentes como Lisbela e o Prisioneiro, Deus é Brasileiro e Domésticas. Um filme inesquecível: Era uma vez na América. Para ouvir, nada melhor que uma boa MPB e rock nacional, com destaque para nomes como Rita Lee, Kid Abelha, e Titãs. Na cabeceira, o Livro das Virtudes, de Willian Bennett. Sua indicação para uma boa leitura é o Pensar é Transgredir, de Lya Luft, e Surfando nas Ondas do Mercado, de Raimar Richers, lidos há pouco tempo.

REVISTA PRONEWS - O que fez você migrar para um veículo de comunicação e atuar do outro lado do balcão?
Gabriel Kater -
Em meados de 1999, o DP passava por uma fase de reestruturação, e eis que surgia a oportunidade de ingressar num veículo de comunicação e obter experiência no Departamento Comercial, na área de planejamento e informação. No ano passado fui promovido por Joezil Barros, para o cargo de diretor-comercial, atributo que considero um grande desafio, afinal é uma empresa com o respaldo de 178 anos. E o
fato de ter passado de mídia a fornecedor tem vantagem: você aprende a ter uma visão ampla do que é a comunicação e a importância de enxergar sob outro prisma os meios de comunicação de uma forma geral. Na área de agência você tem uma formação mais aprofundada no marketing. E num veículo tem-se uma visão mais focada nos resultados, os quais devem ser mostrados diariamente. É preciso criar um produto bom todo dia.

REVISTA PRONEWS - Que observação você tem a fazer a respeito dos profissionais de mídia do mercado pernambucano?
Gabriel Kater -
O que eu vejo é que falta a eles um contato maior com os clientes. O mídia, além de ser uma pessoa de contato direto com fornecedores, tem por obrigação conhecer melhor seus clientes, para puder oferecer melhores opções. Hoje eu percebo que ainda falta um pouco mais do conhecimento, não do próprio profissional de mídia, mas talvez do formato que algumas agências o colocam, fora do processo de planejamento. É preciso estar presente e sugerir aos veículos, soluções customizadas. Talvez as agências precisem valorizar mais este profissional

REVISTA PRONEWS - Você disse que sua função vivencia desafios diários. Quais são esses desafios?
Gabriel Kater -
O mercado local vem passando por transformações por conta da nossa situação econômica, e 90% das verbas são voltadas para o serviço e varejo. Ao longo destes últimos anos venho percebendo uma queda em número de clientes de grande porte. Existiam no Recife, há cinco anos, 23 concessionárias e hoje são apenas 11 ou 12. Por volta de 1997/98 havia 14 lojas de eletrodomésticos anunciando no jornal e agora só tem quatro. Nosso desafio é estar sempre buscando novos anunciantes, e como buscar novos anunciantes se boa parte deixou de existir? Hoje o meio jornal em Pernambuco tem uma participação maior do que a média nacional. O nosso concorrente hoje não são apenas o Jornal do Commercio ou a Folha de Pernambuco, e sim as cinco emissoras de TV, as 26 rádios e as quatro exibidoras de outdoor. A verba do cliente está sendo disputada com todas elas. Por este motivo não posso apenas olhar os jornais. Estou dentro de um contexto de comunicação, onde temos fornecedores muito competentes.

REVISTA PRONEWS - Diante de tal situação, qual a melhor forma de proceder?
Gabriel Kater -
Buscar novos mercados. E foi isso que fizemos. Partimos para uma nova estratégia de vendas fora do Estado de Pernambuco. Desde março o DP junto com o Estado de Minas e o Correio Brasiliense estão com uma sucursal operando em São Paulo. Deixamos de trabalhar com representações para ter escritório próprio. A maior parte das verbas nacionais concentram-se na Região Sudeste. Juntos dividimos uma sucursal para estarmos mais próximos dos anunciantes paulistas, buscando novos mercados e novas propostas de mídia. No mercado local, tivemos o lançamento em 2000 dos novos formatos diferenciados. Fomos inovadores - mostrando aos anunciantes que temos outras formas de anunciar, e não somente o anúncio retangular ou quadrado. Há degustação de produtos, a cinta, o encarte regionalizado, a embalagem, os anúncios em formato de ilha e de meia-lua. O DP vem se modernizando pra oferecer ao segmento publicitário opções diferenciadas de mídia.

REVISTA PRONEWS - O brasileiro, e principalmente o nordestino, apresentam baixos índices no hábito de leitura. Como atuar num mercado como este e ainda conseguir conquistar novos consumidores?
Gabriel Kater -
Somos uma sociedade acostumada a consumir mídia eletrônica, com baixos índices de leitura em relação aos países da América Latina. Para que o consumo de papel aumente, é preciso aumentar a tiragem do jornal. E para aumentar a tiragem, as pessoas têm que começar a ler mais. E para ler mais precisam ter educação de qualidade. Na essência é um trabalho que parte do poder público, que deve começar a investir mais na educação e na leitura. Preocupado com estes indicadores, o Diario de Pernambuco lançou em 1997 o projeto Leitor do Futuro, que tem por objetivo inserir o jornal nas escolas para ser utilizado como fonte de consulta pelos alunos. Incentivado pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ), o projeto já foi implantado em 120 escolas pernambucanas. Estamos fazendo nossa parte, contribuindo para melhorar o índice de informação e formação educacional e de leitura. Pensando justamente em preparar nosso público de amanhã, os futuros cidadãos leitores.


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