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| Ano V | 15
setembro - 15 agosto de 2004 | nº 59 | Capa: Creatto
Comunicação e Marketing |
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| MÍDIA E ÉTICA EM DEBATE |
| Estudo
realizado sobre a mídia no Brasil pelo
grupo que monitora a programação
de emissoras de sinal aberto e participa da
Campanha pela Valorização dos
Direitos Humanos na Comunicação,
incentivada pela Comissão de Direitos
Humanos da Câmara dos Deputados, revela
que 81% da população assiste
diariamente à televisão. A média
nacional é de 3,9 horas/dia por pessoa,
e as crianças passam pelo menos 50%
mais tempo ligadas à TV do que em qualquer
outra atividade não-escolar, incluindo
o convívio com a família ou
amigos e a leitura. O mais poderoso veículo
de comunicação de massa é
considerado forte contribuinte para a divulgação
de cenas violentas, que induzem à agressividade,
além de banalizar o erotismo, estimulando
a sexualidade. Engajado nesse movimento, o
sociólogo e professor da PUC/RS, Pedrinho
Guareschi, foi o palestrante da |
Prof. Pedrinho Guareschi |
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| discussão sobre Mídia
e Ética promovida pelo Departamento de Comunicação
da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o
Grupo Ágora de Incentivo Acadêmico. |
Guareschi considera que o problema
mais sério na esfera midiática é o
da democratização da comunicação. “A
comunicação é um serviço
público, mas as pessoas não sabem disso,
porque a mídia nunca fala de si mesma, para
ela é mais fácil dissimular tal questão.
A sociedade não sabe que a mídia eletrônica é uma
concessão. No imaginário das pessoas
os concessionários são ‘donos’.
Além disso, o povo não sabe que para
conseguir essa democratização é preciso
que cada cidadão participe”, acentuou
Guareschi, que também é autor de várias
obras, entre elas Comunicação e Poder.
Muitos consideram ser necessário conscientizar
os dirigentes dos veículos de comunicação,
mas, conforme o sociólogo, por mais que se
queira conscientizá-los, o objetivo não é alcançado.
Ele diz que é como conscientizar um fazendeiro
para a reforma agrária, e acrescenta através
de uma comparação, que o que acontece
com a mídia, hoje, é o mesmo que aconteceu
durante toda a história brasileira.
Quanto a questões legais da comunicação
como direito humano, o sociólogo explica que:
o artigo 19 da Declaração Universal
dos Direitos Humanos concede a todo cidadão
o direito à informação, à livre
expressão. No entanto, ainda não há um
artigo na constituição que regulamente
a comunicação como um direito humano. “Não
se regulamenta para que a relação coronelística
seja perpetuada”, considera. Destinada a promover
o respeito aos direitos humanos e à dignidade
do cidadão nos programas de televisão,
a campanha “Quem financia a baixaria é contra
a cidadania” consiste no acompanhamento permanente
da programação televisiva para indicar
os programas que desrespeitam convenções
internacionais assinadas pelo Brasil, princípios
constitucionais e legislação em vigor
que protegem os direitos humanos e a cidadania.
O Conselho de Acompanhamento da Programação
de Rádio e TV (Cap) fornece pareceres técnicos
baseados na programação e nas denúncias
recebidas. Pedrinho Guareschi é conselheiro
dessa campanha, mais precisamente do CAP. “Grandes
empresas como a Rede Bandeirantes e outras já estão
pedindo para fazer alianças. A Rede Globo,
por exemplo, já se relaciona com a campanha,
e esta tem mostrado a capacidade das pessoas reivindicarem,
pois elas agora sabem a quem recorrer”, explica
Guareschi
O sociólogo usa as palavras de Paulo Freire
como forma de sensibilizar a sociedade civil organizada
a participar do processo de democratização
da mídia, dizendo que “cada pessoa se
faz cidadã à medida que expressa seu
pensamento”. Muitos veículos temem que
esse monitoramento se traduza em censura. “Nós
queremos um monitoramento por parte da população
fazendo com que ela mesma reivindique seus direitos”,
analisa. Para informar algum desrespeito aos direitos
humanos realizados por programas de televisão,
basta enviar as denúncias e fornecer o maior
número de informações possíveis
sobre o programa e sobre o fato específico
que deu motivo à ação. Se possível,
deve ser enviada uma cópia da gravação
do programa. A identificação do denunciante é desejável,
mas não obrigatória. Denúncias
e informações podem ser obtidas através
dos sites: www.eticanatv.org.br ou através
dos e-mails: cdh@camara.gov.br, eticanatv@docline.com.br
ou eticanamidia@yahoo.com.br. |
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