O tempo sempre foi o grande
calo no pé do publicitário. Como
em uma quinta-feira, às três horas
da tarde, você pega um briefing de um vt
que diz em outras palavras “surpreenda pela
criatividade”, talvez até dizendo
“esse tem que ficar no mínimo perfeito”.
Tudo bem, eu sei que eu posso fazer isso, mas
tem um detalhe. Qual? Esse vt tem que sair hoje
à noite no Linha Direta. Pronto, a casa
caiu. Esquece aquele prêmio que você
tanto queria, pelo menos com essa peça.
Sabe de uma coisa? Vai direto para a produtora,
talvez no caminho agência/produtora saia
alguma coisa, ou melhor, tem que sair porque é
o tempo que você tem. Isso é que
é comunicação instantânea.
Talvez os profissionais de grandes agências,
com muitos funcionários, não saibam
do que se trata, mas quem conhece a rotina das
pequenas agências (que na verdade são
pequenas grandes agências) com seus criativos,
que são ao mesmo tempo redatores, diretores
de arte, diretores de criação, atendimento,
RTV, enfim, são profissionais multifuncionais,
estes sim sabem do que eu estou falando. Você
passa o dia todo sem fazer nada, só escrevendo
esses artigos bestas pra ver se sai na revista,
mas quando se aproxima o final do expediente,
entra o (a) cara do atendimento, correndo e esbaforido
e apresenta aqueles rabiscos que ele chama de
briefing, ao mesmo tempo você se sente alegre
e triste, pois é mais uma chance de você
mostrar o que sabe, e que você adora fazer,
mesmo que tenha que deixar sua namorada esperando
na porta do cinema. FAZER O QUÊ, BEM QUE
SUA MÃE DISSE PRA VOCÊ SER ENGENHEIRO.
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