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pe360graus
   Ano V | 15 setembro - 15 outubro de 2004 | nº 60 | Capa: QI Comunicação
“O JAPONÊS DE PERNAMBUCO”
 
Proibidos de entrarem na Austrália, discriminados nos Estados Unidos, perseguidos no Canadá e limitados no Hawai e em outras ilhas do Pacífico, os imigrantes japoneses encontraram nas terras brasileiras um lugar em que puderam enraizar sua cultura, contribuindo para a formação do Brasil de hoje. Pernambuco também foi um local para onde esses imigrantes puderam registrar sua história. Com o objetivo de mostrar a história dos primeiros japoneses que chegaram em Pernambuco, de forma organizada para trabalhar na agricultura, entre 1959 e 1961, Laura Takeguma produziu o vídeo “O japonês de Pernambuco”, para conclusão do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “O trabalho foi inédito, já que, até onde sei, não existia nenhum registro que reunisse a saga da chegada desses imigrantes em Pernambuco, o porquê de eles virem, e quais contribuições trouxeram para o Nordeste” afirma.

Laura Takeguma

Por ser descendente de japoneses, Laura já pensava em realizar um livro-reportagem sobre o assunto ainda na disciplina de Elaboração de Anteprojetos. “Como já havia um livro do pesquisador pernambucano Waldemar Valente, "O japonês no nordeste agrário", o livro de Shiro Kurematsu e o mais recente do Sr. Kubo, sobre os 45 anos de imigração japonesa na colônia de Rio Bonito (PE), desisti do trabalho escrito, e comecei a pensar em fazer um registro audiovisual” explica Takeguma.


 Sr. Kubo
No vídeo de 20 minutos, Laura Takeguma conta a história de cinco personagens: Kenichi, maior produtor de ovos de Pernambuco; Kubo, indivíduo que deu o pontapé inicial para a produção de flores no estado; o médico Okazaki, que trouxe do Japão a endoscopia; Srª. Hatsuko, pastora da igreja Tenrikyo em Abreu e Lima (PE), e o Sr. Ide, um dos poucos japoneses que permanecem na colônia de Rio Bonito. “Já que o vídeo nãos podia ser muito longo, escolhi cinco personagens, dentre os muitos que entrevistei. Devo ter umas 15 horas de gravação em fitas com depoimentos de imigrantes, e de pessoas que os receberam”, conta.

Entre as muitas contribuições dos nipônicos para a inserção da sua cultura na sociedade brasileira está a introdução do cultivo do melão e do agrião no Nordeste. Eles traziam as sementes de Nova Iorque.

Enquanto o navio parava, eles degustavam a fruta e guardavam as sementes nas malas, foi assim que trouxeram o melão para o Brasil. “A principal contribuição foi o desenvolvimento da agricultura. Quando os japoneses chegaram, o nordestino não comia verdura. Eles tiveram dificuldades para vender, o nordestino só comia tomate, o japonês trouxe o agrião e o melão”, enfatiza.

Para realizar o trabalho, Laura contou com o apoio dos câmeras Marcelo Pedrozo e Daniel Bandeira, da diretora de arte Kátia Oliveira e do editor da Telefone Colorido, Fernando Pires. Laura ainda ressalta que isso só foi possível devido ao patrocínio da Musashi do Brasil, sediada em Igarassu (PE), que desejou apoiar o trabalho de forma profissional. Em relação ao futuro, Takeguma é enfática e afirma que planeja alçar novos vôos. “Eu estava pensando em dar continuidade ao trabalho, e fazer um vídeo com os japoneses da Bahia, ou do Nordeste”, diz a jornalista. No entanto, agora, o próximo desafio é conseguir novos apoios e patrocínios.
 

 

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