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pe360graus
   Ano V | 15 outubro - 15 novembro de 2004 | nº 61 | Capa: Mente Criativa
     
O FIM DO FULL-SERVICE
 

O mercado do Recife é pequeno para a quantidade de agências de publicidade. Das salas de aula dos cursos de Comunicação Social às mesas do Burburinho, passando pelas reuniões do Sindicato dos Publicitários, ninguém duvida disso. Sem querer discordar de tamanha unanimidade, mas querendo entender melhor o que acontece, resolvi dar uma olhada nos números que fundamentam essa afirmação. Reportagem da Gazeta Mercantil revela que em 2000 as três maiores agências de propaganda do estado faturaram juntas R$ 17,4 milhões. Dados da Associação Brasileira de Agências de Publicidade atestam que o faturamento das mais de 150 empresas do ramo em Pernambuco, em 2000, foi de R$ 250 milhões. Sobraram R$ 232.5 milhões divididos pelas outras agências. Não é pouco. E a origem de tanto choro pode estar noutro lugar.

Uma pesquisa da Câmara Americana do Comércio mostrou que 70% da verba de marketing dos anunciantes nacionais não está nas mãos das agências. A verba já foi delas, mas, nos últimos anos, tem sido dirigida para ações segmentadas na área de eventos, design e assessoria de imprensa. Os clientes notaram que nem sempre um anúncio é a solução mais eficaz para problemas. Vide cases como o da Ox, que conseguiu espaço no mercado de cosméticos de São Paulo investindo em design de embalagens, e da Casa Cor, um evento de arquitetura que virou uma mina de rentabilidade. Curiosamente, os clientes perceberam isso antes das agências – presas ao atual formato, que as impede de abandonar o vício comercial.

Quando algumas agências sentiram que estavam perdendo o monopólio da comunicação de seus clientes, resolveram propor que todas as áreas de comunicação (internet, pesquisa, promoções e eventos e design) fossem trabalhadas internamente. Tornaram-se polivalentes. Mas, como dizia o comandante Rolim Amaro, "A grande invenção polivalente de Deus foi o pato. Ele anda, nada e voa. E faz tudo isso mal". Não deu muito certo. Os clientes continuaram desiludidos com a propaganda e cortaram ainda mais verbas. Um exemplo dessa insatisfação foi registrado em pesquisa recente do Instituto Foco, com os maiores anunciantes do mercado pernambucano. Foram entrevistados donos de empresas e diretores de marketing, e o saldo não foi nada bom. A maioria afirmou que reconhece o esforço das agências, mas que não viram resultados.

Confrontadas com o problema, algumas agências inglesas e americanas apostaram no caminho inverso. Tornaram-se mais leves, especializaram-se em administrar a comunicação dos clientes buscando parceiros competentes. Vendiam soluções, planejamentos estratégicos, posicionamento e boas idéias. Mudaram o seu sistema de remuneração para sugerir a melhor solução e não a que gerasse mais comissão. E assim estão começando a incomodar as grandes agências. Com o título "Anunciantes buscam agências menores", o The Wall Street Journal veiculou uma matéria mostrando exemplos de empresas como a Coca-Cola, que, à procura de idéias novas, e não só de preços mais competitivos, estão consultando agências menores. A Nike, por exemplo, tem uma bem-sucedida parceria com a independente Wieden & Kennedy, e a Coca-Cola passou por cima de sua agência, a McCann-Erickson, contratando a novata Berlim Cameron/Red Cell para alguns trabalhos. Vai ver que, nesse caso, o que é bom para os Estados Unidos pode ser bom para o Brasil. E para o Recife.

 

Benjamin Azevedo Interact/PT, Lisboa – Portugal beijinha@mac.com

     
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