
Thelma Guerra, Patrícia Lavenere e Lia Fonseca |
Apesar de nascida num tempo em que a mulher era orientada para viver uma vida vinculada ao lar, marido e filhos, essa designer alagoana fugiu do estereótipo que a esperava e correu atrás de um mundo totalmente novo, buscando a descoberta de algo inusitado. "Meus pais sempre me deixaram à vontade e me deram o apoio em minhas escolhas", diz Lia Fonseca, sócia-diretora da Artecetera Comunicação, agência que atua há 25 anos em Alagoas.
É essa busca por descobertas que atrai a publicitária e conduz seu trabalho e sua vida, sempre mesclada pela paixão pela fotografia, viagens, experiências culinárias, música, livros e filmes. Entretanto, sempre mantém a racionalidade e o senso crítico para avaliar bem tudo o que acontece ao seu redor. "O bombardeio de informações diárias pela rede mundial já não tem limites, o que torna o livro de cabeceira de hoje virtual. Por isso, admiro quem tem o dom de pensar com maestria (e aqui citaria o sábio Philip Kotler), mas sem me perder de quem traduz, em palavras, o sentir, como Fernando Pessoa", destaca Lia. |
Formada em Comunicação Visual pela PUC-RJ, o sonho de Lia era trabalhar num escritório de Desenho Industrial e Comunicação Visual como o do badalado Aloísio Magalhães, no Rio - um dos fundadores da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi). Entretanto, o destino trilhou outros caminhos para essa designer gráfica que, em Maceió, teve a oportunidade de se integrar na publicidade através do pai, seu guru, que gerenciava a área de marketing de uma grande empresa no Sul, atendida então, pela MPM Propaganda. "A publicidade veio como fruto de muito trabalho e muita dedicação com a aventura da abertura de uma pequena empresa em 1981" , relembra.
Entretanto, o começo, que para muitos pode parecer fácil, apresentou espinhos comuns ao processo de iniciação de carreira. Assim como muitos profissionais oriundos de outras áreas que se apaixonam por esse mercado, Lia teve que enfrentar, desde muito cedo, dificuldades para conquistar seu espaço. "Na época, havia muito despreparo, falta de experiência e desafios para se administrar uma empresa, quando não era o que se sabia fazer melhor. Hoje, as pessoas saem direto da faculdade para um MBA após o outro, pois o foco está em gerir negócios desde cedo", coloca.
PRONEWS - Como começou a Artecetera?
Lia Fonseca - A origem da Artecetera está na TAL Propaganda, que em 1981 uniu Telma Leão (T), Antônio Guimarães (A) e Lia Fonseca (L). Com a saída de Telma e de Antônio e a chegada de Patrícia Lavenère, buscamos um novo nome para a agência que tivesse um "link" com TAL. Aí surgiram várias sugestões até que de "ETC e TAL", veio o ARTECETERA. Foi uma brincadeira que deu certo.
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PRONEWS - Hoje, o mercado é muito diferente da época em que a Artecetera começou?
Lia Fonseca - Começamos no tempo da fotocomposição, aerógrafos, tintas, pincéis, pranchetas e normógrafos. O que demandava um maior tempo na produção de anúncios, folders, cartazes e logomarcas, que era compensado com o esmero e o cuidado da equipe que estava produzindo. Parecia que estávamos lapidando uma jóia. Nos anos 90, a evolução da tecnologia possibilitou grandes avanços facilmente perceptíveis nas produções gráficas e eletrônicas. A utilização de computadores, scanners, ilhas de edição de imagens não-linear, sistema de filmagem Betacam, dentre outros fatores, refletiram a qualidade visual dos trabalhos da Artecetera. Além disso, o mercado em si era muito diferente. Tudo era mais lento. Tínhamos mais tempo para executar as ações, menor concorrência, menos mídias. Hoje tudo mudou. Velocidade, concorrência, multiplicidade de mídias, foco em resultados, redução do tempo, redução de verbas. Fazemos mais com menor ganho. Com certeza, é uma nova era. A era |
de um novoprofissional, inclusive com necessidade de ter um conhecimento macro. Mais conhecimento, mais informações. O especialista, focando em apenas uma área, está com os dias contados.
PRONEWS - Qual tem sido o diferencial do trabalho da Artecetera nestes 25 anos de existência?
Lia Fonseca - O trabalho da Artecetera sempre foi focado em resultados. Todas as ações que a Artecetera desenvolve estão diretamente ligadas a uma estratégia do cliente. Buscamos sempre mensurar o resultado das ações. Isso é extremamente importante, visto que cada vez mais acirra-se a concorrência e todo centavo deve ser bem aplicado. Outro fato importante é o relacionamento da Artecetera com seus clientes. A relação deve ser de parceria, cumplicidade e confiança. Uma busca conjunta por soluções e grandes idéias.
PRONEWS - A Artecetera tem respondido pela comunicação de várias secretarias estaduais e pela própria comunicação do Governo de Alagoas. Quais são os princípios básicos e os cuidados para se fazer um bom trabalho de comunicação governamental?
Lia Fonseca - É fundamental realizar um trabalho ético. O foco está sempre em apresentar os resultados concretos das ações do governo. Buscar responder à pergunta que a população sempre faz: "O que eu tenho a ver com isso?", "O que essa ação do governo traz de benefício pra mim?". No caso específico da Secretaria da Fazenda, onde somos responsáveis pela comunicação do Programa de Educação Fiscal, apostamos tudo no processo educativo e na conscientização da população; não realizamos campanhas que visem somente a arrecadação. A população deve ser uma parceira na construção de um estado melhor. Nós traduzimos o espírito cidadão das ações governamentais.
PRONEWS - Outro cliente forte da agência é O Jornal. Como é o trabalho de publicidade direcionado para um veículo impresso diário?
Lia Fonseca - O trabalho desenvolvido pela Artecetera para O Jornal marca o início de uma fase de mudanças. A nova administração deu novo gás ao O Jornal. Além de campanhas institucionais para fortalecer o posicionamento de O Jornal, que tradicionalmente é grande detentor da maior fatia de leitores classes A e B, foram realizadas diversas ações promocionais para incrementar o número de assinantes. Só na última campanha, com sorteio de DVDs, seis meses de supermercado grátis e um carro, houve um incremento de 26% no número de assinantes.
PRONEWS - No caso de O Jornal, quais foram as grandes contribuições da agência?
Lia Fonseca - Após o diagnóstico de suas maiores necessidades, foi estabelecido como meta o aumento do número de assinantes. Daí foi criada uma estratégia de conquista de novos leitores classe C, com campanhas promocionais e lançamento de cadernos e seções específicas para este público (Caderno Mercado de Trabalho, por exemplo). A manutenção dos leitores classe A e B está intimamente ligada à qualidade do produto e à credibilidade do noticiário, fato atestado pelas conquistas no Prêmio Banco do Brasil de Jornalismo.
PRONEWS - Em termos de qualidade e oferta de serviços e na área de comunicação, pode-se dizer que Alagoas não deixa a desejar aos demais estados do Nordeste?
Lia Fonseca - Alagoas evoluiu muito em todos os sentidos. Já contamos com excelentes produtoras de RTV, gráficas e outros fornecedores. É bem verdade, que com a globalização e a evolução tecnológica, em todos os lugares pode se contar com relativa equivalência de equipamentos e maquinaria. O que passa a valer mesmo como grande diferencial é a capacitação do profissional, são as pessoas, os talentos, o capital humano.
PRONEWS - A Artecetera atua num estado ainda em desenvolvimento na área de geração de negócios. Quais são os segmentos que ainda podem crescer na área de comunicação em Alagoas? E por quê?
Lia Fonseca - Uma área de grande crescimento não só em Alagoas, mas em todo o Brasil, é o Agrobusiness. Já desenvolvemos trabalhos significativos neste setor. Temos clientes, como a Cooperativa Pindorama, que já tem seus produtos exportados para diversos países. Recentemente estivemos participando do Show Rural Coopavel, um grande evento que acontece todos os anos em Cascavel-PR e que atrai empresas de todo o mundo. Esperamos realizar novos negócios neste setor.
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