| Já não se faz Conar como antigamente. Agora os conselheiros do órgão resolveram atender às reclamações do consumidor, isso mesmo, o consumidor, que não entende porra nenhuma de propaganda, depois de 25 anos de atuação da entidade, já estava na hora de ouvir o chato do consumidor. A nova postura teve como marco o julgamento do filme "Presidiário" criado pela Leo Burnett para a Fiat, beleza de comercial, retirado do ar ano passado por pressão da sociedade. De lá para cá outros julgamentos sinalizam uma nova postura do órgão.
Pois é, não se faz mais Conar como antigamente, o glorioso Conar que nasceu para driblar a intenção do Governo Militar de intervir na atividade regulamentando a propaganda de alguns produtos nocivos à saúde. Na época fomos buscar um modelo para o código em Londres, aproveitamos todo o esqueleto, retiramos apenas artigos inconvenientes que tratavam de restrições ao fumo e às bebidas alcoólicas, picuinha de países do primeiro mundo. Pronto! Um código feito na medida para manter os privilégios das agências do eixo Rio-São Paulo e o status quo do mercado publicitário. Deu certo até 1991 quando o consumidor, novamente o chato do consumidor, complicou as coisas.
Nesse ano o Congresso sancionava o Código de Defesa do Consumidor duramente combatido pelas entidades de classe do mercado publicitário. Os legisladores não entenderam nossos argumentos de que o código não deveria avançar na nossa seara, afinal nós tínhamos o nosso próprio. Não entenderam que o código deles poderia cercear a criação, seria uma camisa de força a coibir grandes idéias, com essa da obrigatoriedade de inserir legendas de rodapé nos anúncios esclarecendo as coisas. Ainda bem. O código foi sancionado e nem por isso o mundo acabou. A propaganda brasileira, pelo contrário, melhorou o seu padrão.
Claro que o consumidor achou-se no direito de reivindicar um algo a mais. E de lá para cá começou a questionar o Conar, pentelhar a classe publicitária (quanta ousadia! Nós que estamos acima do bem e do mal) com argumentos éticos. Foi então que o Conar se deu conta que o Clube tinha um intruso, ainda que não convidado às reuniões do Conselho e passou a encarar o julgamento dos processos, não mais sob a ótica da conveniência do mercado, mas também sob o viés do consumidor.
Demos um passo importante nos primeiros 25 anos do órgão, mais 25 e já teremos consumidores participando do Conselho e mais 50 e teremos representações regionais com câmaras atuantes em todos os grandes mercados. Mais 60 anos e estaremos de fato atendendo às expectativas do público-alvo de nossas mensagens publicitárias. Eu estarei vivo para assistir essa evolução. E espero que você também.
Nelson Varón Cadena nelsoncadena@veloxmail.com.br
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