Quando a MTV Brasil realizou a sua primeira transmissão com o videoclipe do clássico "Garota de Ipanema", em uma versão remix de Marina Lima, houve grande revolução na maneira como os clipes eram produzidos no Brasil. "A MTV Brasil praticamente deu as bases para o desenvolvimento do videoclipe no país. Antes de ela entrar no ar, em 1990, era o programa Fantástico, da Globo, que servia como vitrine dos artistas. Havia uns poucos programas além desse, mas quando o artista queria mostrar seu produto em primeira mão, era para a Globo que ele se dirigia. Com o advento da MTV, os artistas começaram a contar não com um programa, mas com um canal inteiro. Muitos programas, muitos minutos no ar e muita propaganda faziam parte do dia-a-dia da emissora. Quantos jovens que viveram a década de 1990 não faziam quase o impossível com as antenas de casa para ver se conseguiam conectar a MTV, nem que fosse com a imagem cheia de chuvisco? A partir de então, quando o disco do artista era elaborado, a banda passou a se preocupar também com as músicas que virariam clipes, e isso provocou mudança na forma de encarar o próprio disco. A MTV Brasil também foi fundamental para a divulgação das bandas", explica a jornalista Ariane Holzbach. Observando o fascínio e a importância do videoclipe na cultura jovem atual, Ariane desenvolveu o site clipemania.com como seu projeto experimental do curso de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Em pouco mais de uma década, o videoclipe adquiriu o status de superprodução. Hoje, para conseguir firmar carreira no mundo pop, um artista grava até cinco clipes de um único álbum. "O videoclipe é uma das mais eficientes vitrines do artista pop. Em quatro ou cinco minutos, o artista pode mostrar todas as qualidades capazes de atrair o público-alvo. Além de mostrar a qualidade artística da música, um dos objetivos explícitos do clipe, o artista pode literalmente entrar na casa do público e gritar: eu estou aqui", analisa Ariane. De acordo com essas informações, a jornalista produziu o site direcionado para o público jovem e para pessoas que se identifiquem com o assunto e queiram obter conhecimento sobre videoclipe, juventude, música e indústria cultural. "Como não podia veicular videoclipes, visto que, por enquanto, não tenho como entrar em assuntos de direitos autorais, decidi enriquecer as páginas com tudo que rodeia o gênero: diretores, videoclipes famosos, história de origem, curiosidades, artigos sobre o tema, bibliografia básica para quem quer aprender a analisar o assunto", conta.
O clipemania.com entrou no ar em agosto de 2004 e de lá para cá já conseguiu manter uma relação com os visitantes do site, pois há cerca de 100 cadastros que oferecem o direito de receber uma newsletter e a participar de uma enquete com perguntas sobre as facetas videoclípticas. Ariane também contratou a Zaite para desenvolver o layout do site, porém ela pode atualizar o site hoje sem precisar do apoio da empresa. " O visual foi criado por Isabella Aragão, da Zaite. Não era para parecer com videoclipes, mas há diversas características que também fazem parte do gênero. As várias figuras que ilustram as páginas, por exemplo, não têm um sentido exato: representam a subjetividade e fluidez dos videoclipes. Cada página tem características próprias", ressalta.
Por ser um site ainda recente, Ariane pensa em realizar algumas mudanças no clipemania.com. "Pretendo, realmente, incluir um sistema de contagem no site, para ter maior controle das visitas e gerenciar melhor as páginas. Além disso, pretendo fazer mestrado em comunicação tratando justamente de cultura jovem e videoclipe, e o site servirá como modelo dos meus trabalhos e leituras, além de servir para pesquisas com jovens, o que pode enriquecer meus trabalhos", afirma a jornalista. |