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pe360graus
  Ano VI | 15 mai - 15 jun de 2005 | nº 67 | Capa: Duck,om (PE)
   
   
   
  UM LEÃO POR DIA
Ivelise Gomes
 
 
"O dia que mais marcou minha vida foi quando conheci Patrícia, minha mulher"  
Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Giovanni Di Carli foi introduzido no mercado de publicidade quando um amigo o convidou a concorrer à vaga de estagiário da Gruponove Comunicação, agência em que não só trabalha até hoje mas também responde pela sociedade e direção de atendimento. “Um amigo, o Guilla, que trabalhava na Gruponove me convidou a concorrer a uma vaga de estágio. Até então não tinha muita certeza do que queria ser, mas fui mordido pelo mosquito da publicidade e nunca mais me curei”, lembra Giovanni. Foi a determinação que fez com que esse jornalista subisse no mercado e firmasse a carreira, que já dura mais de 10 anos e, hoje, é premiado com o título de Profissional do Ano no Prêmio Colunistas Norte/Nordeste. “O título representa o reconhecimento que todo profissional deseja e pode até aumentar a minha responsabilidade. Mas isso faz parte do nosso dia-a-dia, estamos acostumados a matar um leão por dia”, comenta animado.

Apegado à família e de gostos ecléticos, o publicitário pernambucano não dispensa um bom programa com os parentes e amigos, mesmo que seja apenas um joguinho de futebol, um cineminha, uma cervejinha, um pop rock ou uma boa massa com molho de queijo gorgonzola. “Tive uma infância e uma juventude inesquecível, porém o dia que mais marcou minha vida foi o dia em que conheci Patrícia, minha mulher”, afirma convicto.
Apesar do tamanho apreço que tem pela família e pelos amigos, não esquece aqueles profissionais do mercado que ajudaram a marcar e influenciar sua carreira, publicitários que admira pela postura e pelos resultados de trabalho. Entretanto, está sempre de olho naqueles profissionais que estão despontando e que podem ditar o futuro do mercado. “No mercado, eu admiro o Júlio Ribeiro e a Cecília Freitas, pois ela é uma grande incentivadora e eu sempre me espelhei nela. Entretanto, o segmento hoje já tem várias promessas, mas aposto minhas fichas em Eduardo Breckenfeld e André Souza. São profissionais diferenciados”, destaca.

Revista PRONEWS - Qual a sua formação e como foi sua entrada no mercado publicitário?
Giovanni Di Carli -
Sou da área de comunicação, cursei jornalismo na Unicap e tenho MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Entrei no mercado numa seleção para estagiários feita pela Gruponove, em 1991. Estagiei na mídia e atuei no setor durante quatro anos. Depois fui para o atendimento, até chegar à diretoria, em 2001.

PRONEWS - Quais os momentos mais difíceis que enfrentou nesse começo?
Di Carli -
Entrei muito novo na área e meio sem saber o que queria da vida. Naquele momento, eu era atleta semiprofissional de futsal e acabara de entrar na faculdade. Apesar de ter tido uma boa formação escolar, vivi mais de 10 anos num meio onde não se valoriza muito a cultura. Infelizmente, isso acontece no meio futebolístico. Ao entrar na faculdade e quando comecei a estagiar senti uma distância muito grande, do ponto de vista cultural, dos outros jovens da área de comunicação.

PRONEWS Que estratégias adotou para superar essas dificuldades?
Di Carli -
Vi que tinha que correr para tirar o atraso e me colocar em pé de igualdade com os demais. A minha principal estratégia foi identificar as oportunidades e, naquele momento, a área de mídia não atraía muito os estudantes de publicidade. Todos queriam ser criação ou atendimento. E, na mídia, foi onde tudo começou. Mostrei interesse, estudei, me preparei e acabei me apaixonando por uma das áreas mais estratégicas da propaganda.

PRONEWS - Que experiências profissionais ajudaram na sua formação?
Di Carli
- A minha grande experiência - e por que não dizer sorte - foi ter começado numa grande agência. Fui um estagiário preparado para ser um profissional e isso ajudou muito na minha formação. E é assim que a Gruponove age na preparação dos seus futuros profissionais.

PRONEWS - Quais as oportunidades para os profissionais de publicidade no mercado de hoje?
Di Carli -
O mercado hoje reserva inúmeras oportunidades. Temos novas agências surgindo a cada dia e a área promocional é a bola da vez. Vai uma dica: falta profissional para ocupar espaço nessa área. Portanto, estudantes, preparem-se e aproveitem a chance como eu aproveitei um dia.

PRONEWS - Qual o papel do profissional de atendimento no mercado de hoje?
Di Carli -
Ele precisa ser um gestor. É um misto de publicitário, administrador e estrategista. No entanto, o grande segredo está em aliar a estratégia à criatividade, cuidando da conta do cliente como se estivesse cuidando da "saúde" da sua própria empresa.

PRONEWS Que mudanças ainda são necessárias ao perfil deste profissional?
Di Carli -
O profissional de atendimento não pode ter medo de ousar. Ele deve dosar o lado mais racional do gerenciamento da conta com alguns saques criativos. Tem hora que precisamos "viajar" um pouco como faz o pessoal de criação. O profissional de atendimento criativo se diferencia dos demais que atuam na área. Mas claro que aquele que consegue reunir todas essas qualidades é o profissional que mais impressiona no mercado de hoje.

PRONEWS - Você começou como estagiário, mas hoje é sócio e diretor de atendimento de uma das maiores empresas de Pernambuco. Quais foram os desafios para se consolidar no mercado?
Di Carli -
Os desafios são o de saber a hora certa de dar qualquer passo. Sonhar, mas saber aguardar as oportunidades, pois na vida tudo tem o seu momento. Você precisa adquirir maturidade, confiança em si e conquistar a confiança dos seus clientes e dos seus "comandantes". E se você tem determinação, sabe onde quer chegar, e mais cedo ou mais tarde o retorno vem. Um certo dia, quando eu tinha apenas 20 anos de idade, Cecília me perguntou o que eu pretendia para o meu futuro profissional. Prontamente lhe respondi: quero sentar ao seu lado. Naquele momento refleti: ou ganhei pontos no seu conceito, ou vou pagar pela minha presunção. Hoje, acho que ganhei pontos.

PRONEWS - Quais são as responsabilidades de um diretor de atendimento num mercado competitivo na era da globalização?
Di Carli -
O grande segredo de um comandante é ter sempre a sua equipe jogando ao seu favor. Ninguém consegue jogar sozinho. Tenho uma bela equipe e incentivo bastante o desenvolvimento de cada profissional. Procuro contribuir com a minha experiência, mostrando caminhos, corrigindo falhas e sempre incentivando-os. É sempre importante estar bem informado, investir na sua capacitação e conhecer bem o cliente e o "cliente do cliente", assim como conquistar a sua confiança. E confiança numa relação entre anunciante e agência é fundamental. Somos a agência do cliente e vice-versa. E, graças a Deus, nossos clientes reconhecem isso. Não é à toa que temos 25, 20, 18 anos de relacionamento com alguns deles. E o resultado dessa relação aumenta essa perenidade e atrai novas contas. Só nesse início de ano foram três novas. E que venham mais.

PRONEWS - Recentemente, você conquistou o título de publicitário do ano do Prêmio Colunistas. Como recebeu essa indicação e o que esse prêmio representa para você?
Di Carli -
Recebi com muita alegria. Ele representa o reconhecimento que todo profissional deseja, além de dar visibilidade e prestígio para mim e para a agência. Porém, ele teve um sabor todo especial, pois envolveu vários profissionais do mercado, que deram depoimentos na construção da "defesa" do meu case. Isso me comoveu bastante, pois vi que tenho muitos amigos no mercado e conto com o respeito e admiração deles.

PRONEWS - Quais são as suas ambições ou as coisas que ainda espera realizar profissionalmente ou na vida pessoal?
Di Carli -
Tenho muitos sonhos e quero sempre tê-los. Quero ver a Gruponove sempre crescendo, tendo visibilidade, conquistando novas contas. Terei o prazer de ver pessoas ocupando lugares de destaque no nosso segmento. Gostaria de implantar um projeto de agência-escola (pois agora também estou lecionando), firmando algumas parcerias com veículos, institutos de pesquisa, produtoras e gráficas, resgatando um pouco o início da Gruponove e contribuindo com a formação de novos talentos. Além de outros sonhos que irei alimentando ao longo da minha caminhada, pois se a gente parar de sonhar é porque a vida acabou.

     
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