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Há muito tempo que o sotaque nordestino invadiu a Europa, conquistando, com seu suingue, gregos e troianos. Depois de idas e vindas de tantos artistas brasileiros oriundos da Bahia é a hora e a vez dos ritmos pernambucanos invadirem o continente europeu através da França, que este ano desenvolve a temporada “Ano do Brasil”, mostrando um pouco de tudo sobre a ex-colônia portuguesa. Nessa levada, franceses e europeus de países vizinhos poderão conhecer melhor a culinária, a moda, a cultura e a música nacional (provenientes de várias regiões do Brasil). “A temporada de cultura estrangeira na França é um tipo de programa de intercâmbio cultural e artístico que possibilita destaques de outros países mostrarem a cada ano o que fazem”, diz a sócia-diretora da V.O Music, Janayna Gluzman, uma das produtoras culturais daquele país envolvidas na empreitada.
As temporadas de cultura estrangeira na França (ou em francês: Saisons Culturelles Étrangères en France) são realizadas desde 1985 e proporcionam a países convidados levar sua produção cultural a todas as regiões francesas. Desde então, o governo francês já recebeu eventos de 18 países (como Índia, Argélia, Japão, Egito e Polônia) e agora o país homenageado é o Brasil, que encerra o cronograma de 10 anos do projeto concebido pelo Ministério da Cultura francês, com o tema Brésil, Brésils (Brasil, Brasis) uma homenagem à diversidade e à modernidade da cultura brasileira.
Gancho para apresentar o Brasil como uma potência em todos os seus aspectos (econômico, industrial, comercial, social, turístico, etc.), o “Ano do Brasil na França” utilizará sua diversidade cultural para vender outros produtos, através de uma super estrutura de produção montada pelo governo federal com o apoio da Embaixada Francesa. Somente na área cultural ponto forte do país serão realizados eventos relacionados a 400 projetos inscritos no Ministério da Cultura, até 15 de julho de 2004, na área de arte teatral, dança, artes plásticas, design, cinema e música.
As apresentações de cantores e bandas da lista são diversas e primam pela qualidade, quebrando assim estereótipos. “Em 2004, por exemplo, a França foi assolada com o sucesso de três morenas cariocas, intituladas T-Rio, que vêm repercutindo em todo o país com a sua versão mixada de “Mamãe, Eu quero”. E é aí que entram os nomes em destaque hoje como Seu Jorge, Fernanda Abreu, Caetano Veloso, Djavan, Maria Rita. Depois do império baiano nas rádios e nos estádios franceses, a outra imagem que os franceses têm de música brasileira é a do Samba. É essa imagem do Brasil Axé e do Pagode que queremos mudar. Queremos mostrar que o Brasil tem muito a apresentar, e colocar realmente Pernambuco cantando para o mundo”, comenta Fred Gluzman.
Para tanto, Fred e Janayna Gluzman vêm se reunindo com artistas todos os anos para conhecer novos sons,
Focprojetos e propostas, desde que fundaram há cinco anos a V.O Music (Version Originale Music), na França. Uma iniciativa que visa não só levar a cultura pernambucana para fora do país como também tornar a relação internacional entre artistas e agentes mais humana e honesta, pois, muitas vezes, artistas brasileiros de pouca repercussão saem com vários shows fechados e voltam sem dinheiro no bolso. Entre os 19 artistas do casting da V.O Music (que trabalha com músicos do Brasil, África, Peru e Cuba), seis nomes provenientes do Recife integram a agenda da temporada francesa.
Esses nomes vêm mostrando seus trabalhos na mídia nacional, nos últimos anos, e caindo na graça dos europeus: Lenine, cujo último trabalho foi gravado no La Cite de La Music (complexo cultural em Paris com espaço para shows); Naná Vasconcelos, persona querida na Europa (onde viveu por mais 15 anos); DJ Dolores & Aparelhagem, que realizou uma série de shows no país em 2004; Siba e a Fuloresta do Samba, que segue para apresentar novo trabalho; Maciel Salu, que estréia com show fora do Brasil; e Batuque Usina, grupo do Recife comandado pelo percussionista Wilson Farias. “Essa é a segunda vez que seguimos para a Europa para mostrar nosso trabalho e será a maior turnê que realizaremos fora do Brasil. E isso aumenta muito nossas expectativas, pois não é fácil conseguir uma oportunidade como essa e contribuir para a integração de crianças e adolescentes de comunidades de risco com o resto do mundo”, orgulha-se Wilson Farias (ex-percussionista do Cascabulhos e atual artista do time de Silvério Pessoa), mentor do Batuque Usina, que viaja em abril para uma turnê de quatro meses. Para embarcar os artistas pernambucanos que representa, a V.O Music teve que buscar patrocínio de empresas privadas como a TAM, com a qual fechou parceria por um ano, que implica no barateamento das passagens para os músicos. Entretanto, para seus diretores o investimento no talento aquém do que poderia ser, levando-se em consideração o potencial de merchandising das turnês pela França. “Assim como no Brasil, todo trabalho de produção musical de show implica uma gama de mídia que será envolvida e que pode expor a marca dos grupos brasileiros, inserindo-os ou reforçando suas marcas nesse mercado”, coloca Fred.
O trabalho de produção dos artistas e das turnês varia de acordo com o orçamento disponível, que, muitas vezes, está atrelado ao envolvimento financeiro ou não das empresas fonográficas que representam esses artistas no Brasil (no caso daqueles que têm gravadoras). Mas, de modo geral, envolve assessoria de imprensa e campanha publicitária, que integra peças de divulgação populares na França. São elas: cartazes em metrô (dispostos em áreas de visibilidade); coluna outdoor (mídia externa politicamente correta, pois reduz a poluição visual); anúncios em revistas e jornais; e entrevistas |