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pe360graus
   Ano VI | 15 mai - 15 jun de 2005 | nº 67 | Capa: Duck,om (PE)
     

NÃO DEIXE SEU CLIENTE LER REVISTAS
Por Nelson Varón Cadena - nelsoncadena@veloxmail.com.br

Quando o seu cliente se fizer anunciar na recepção da agência, peça a sua secretária para esconder as revistas especializadas, a começar pela Pronews, Propaganda, Marketing e principalmente as semanais About, Meio & Mensagem e Propaganda & Marketing. Pelo amor de Deus, esconda tudo, não deixe o seu cliente ler revistas. Se tiver de ganhar tempo, enquanto liga o ar condicionado da sala de reuniões e testa os equipamentos, mande distrair o seu cliente com Caras do mês retrasado, conte uma piada, mas não deixe ele folhear as revistas especializadas.

É que você ainda não atentou, mas os clientes estão lendo Meio & Mensagem demais e esse é o maior problema da propaganda do Norte e Nordeste nos dias de hoje. Já, já me explico. Mas antes quero apelar para as entidades de classe, abaps e sinapros da região, que bem poderiam resolver essa questão baixando um decreto que proíba a circulação dessas publicações perniciosas entre nós: a Meio & Mensagem já referida, Pronews e outras que já mencionei na abertura deste artigo. Se não tiver Caras na recepção, ofereça ao cliente o jornal da Legião da Boa Vontade ou da Igreja Universal. Faça alguma coisa.
Se você não quer seguir o meu conselho, o problema é seu, mas então enfrente as conseqüências. Deixe o seu cliente ler revistas especializadas e amanhã ele vai dizer, primeiro nas suas costas, mais tarde (com uns pileques na cabeça) bem na sua cara, que a sua agência é uma boa merda. Vai lhe dizer com todas as letras que você só sabe ou finge que sabe fazer essa coisa antiquada chamada propaganda, quando o mundo moderno exige serviços de comunicação integrada e que a sua agência, que ele não chama de droga por respeito e consideração, ainda não conseguiu perceber essa nova realidade. Se der ousadia e deixar ele folhear mais de uma revista, vai lhe dizer, ainda, que se a sua agência fosse uma empresa séria, não estaria lhe apresentando campanhas convencionais, mas lhe oferecendo soluções de marketing. É claro que isso seria exigir demais de uma agênciazinha como a sua que ainda não atentou para a necessidade de agregar valor à marca com ações pontuais de branding. E o pior é que não tem nessa agência um bosta de atendimento que viva o problema do cliente 24 horas, que elabore um planejamento estratégico, que lhe ofereça soluções inovadoras.

À essa altura o seu cliente ou seja, o gerente de marketing vai se explicar que se num arroubo de sinceridade e, claro, uns uisquinhos a mais, chamou de bosta o profissional de atendimento, não foi nada pessoal, pois afinal foi seu colega da faculdade ano passado. Mas, é que o patrão já está ficando de saco cheio da agência, principalmente agora que deu de cobrar essa tal pesquisa de mercado que só confirmou o que a empresa já sabia e ainda querem extorquir o cliente cobrando assessoria de imprensa por sete notas mixurucas nos jornais que, assim mesmo, só saíram por causa do prestígio dele; não é para levar a mal a crítica.

E no dia seguinte, cabeça fria, adentrando na sua agência, o seu cliente vai lhe cobrar mais atenção para o produto no ponto de venda, pois a agência moderna tem de estar atenta aos detalhes. Vai lhe cobrar essas e outras coisas e antes de assistir à apresentação da campanha que você preparou com tanto esmero durante a semana, vai lhe lembrar que tomara que a campanha não tenha muita traquitana, pois o patrão só liberou 5 mil reais este mês, incluindo a produção, já ia se esquecendo dessa questão fundamental. Seja educado, mas não deixe seu cliente ler revistas, pelo amor de Deus, se é que você me entendeu.

     
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