Em 22 anos de profissão, ele obteve muitas conquistas. A maior delas, sem dúvida, foi ter se tornado um mito. Seu nome é José Arbex Jr., único jornalista brasileiro a entrevistar, com exclusividade, dois personagens que marcaram o século XX, Mikhail Gorbachev e Yasser Arafat. Perdidas as ilusões com a grande imprensa, Arbex agora divide seu tempo entre as aulas da Pós-graduação em Jornalismo Internacional da PUC e a produção de seus livros, a exemplo de Showrnalismo: A Notícia Como Espetáculo, um dos mais famosos. Ousado e sem meias-palavras, José Arbex não deu vez ao Cine-PE ou ao Abril Pro Rock e lotou o auditório do Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a palestra Mídia é Poder. Na platéia: estudantes e profissionais.
Equilibrando momentos sérios com outros de puro bom humor, Arbex usou o encontro para mostrar como a mídia pode ser usada a favor de interesses pouco nobres, a exemplo da Guerra do Golfo e da atual política de democracia unilateral norte-americana, imposta em países do Oriente Médio e da América Latina. Também sobraram farpas para o jornalismo feito hoje no Brasil "É óbvio que não existe liberdade de imprensa. O que existe é liberdade de empresa" e ao recém-falecido Papa João Paulo II: "Se houvesse justiça no mundo, o Karol Wojtyla deveria ter sido preso", numa crítica direta à proibição do uso do preservativo pela igreja e às mortes causadas por esta decisão, principalmente em países pobres assolados pela Aids.
Calma. Ainda existe uma saída para que a informação possa ser um bem de todos e não de uma maioria: a internet. Arbex dá seu voto de confiança para o novo meio, mas exige cautela. Assim como a TV, a internet também é um instrumento tecnológico e, como tal, se torna dependente de quem a manipula: "Você recebe tanta informação pela internet que pode acabar entorpecido", explica. Para consolo dos presentes, o jornalista afirma acreditar que ainda existe lugar para a ética nas redações, mesmo admitindo que alguns profissionais não se constrangem em "vender a própria honra" em troca de status ou de um salário maior. "Tem muito jornalista sério trabalhando na grande imprensa, porque os jornais têm que cultivar uma credibilidade junto à opinião pública, mesmo que isso signifique publicar notícias que eles não gostariam", expõe.
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