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pe360graus
  Ano VI | 15 julho - 15 agosto de 2005 | nº 69 | Capa: Gruponove (PE)
   
   
   
  UM CHÁ PARA DOIS
Luciana Torreão
 
 
   

“Dizer algo mais é falar de vida, é falar que minha volta é sinônimo de muita energia para o trabalho”. Foi com esta frase que o diretor da NS&A Ceará, Aldamir Amaral, encerrou a entrevista concedida com exclusividade à redação da PRONEWS. Anos após um acidente que veio mudar toda a sua história de vida, Aldamir dá a volta por cima e fala que se preciso for, nunca descansará para manter sua empresa no topo do segmento em que atua. Carioca da gema, veio aportar no Nordeste a convite de Magno Trindade para integrar a equipe dos Diários Associados na Paraíba, onde atuou por cinco anos. Em seguida, recebeu o convite de Beth Meger para retornar ao antigo Grupo Sima, onde poderia optar por Rio Grande do Sul, Bahia ou Ceará.
Divorciado, pai de cinco filhos, resultantes de dois casamentos, Aldamir gosta de apreciar o mar, velejar, praticar pescaria e mergulho. “Na falta de tempo ou dinheiro, fico apenas contemplando”, confessa. O diretor da NS&A procura se atualizar sempre com obras de marketing e administração, e diz ser fiel apenas ao que extrai dos livros e não aos seus títulos. E se há alguma frase que o define bem, ele diz que seria: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz...", de Gonzaguinha.

Revista PRONEWS - Como se deu o início de sua trajetória profissional?
Aldamir Amaral - Comecei aos 16 anos, no Jornal o Globo (RJ), na área de promoção e eventos. Trabalhei nas principais promoções do jornal naquela ocasião. Depois fui para o antigo Grupo Sima na função de continuo, que foi uma grande escola, pois passei por todos os departamentos (faturamento, tráfego, contabilidade, financeiro, etc.), até chegar à área comercial, em que como executivo júnior fazia atendimento a clientes e agências do Rio de Janeiro. Fiquei no Grupo por cinco anos, os quais me proporcionaram a formação que me deu a profissão que exerço até hoje.

PRONEWS - Que lembranças ou amigos carrega com carinho na memória? E foram importantes para o seu desenvolvimento profissional?
Aldamir Amaral - No jornal O Globo, conheci uma grande organização no Grupo Sima; conheci o mercado nacional nos Diários Associados; e aprendi a sobreviver, pois não tínhamos nenhum suporte. Buscávamos verba na padaria da esquina. Lembro de um caso de um cliente que, quando fui visitar, me perguntou se eu gostava de chá. Disse que não, e ainda assim ele chamou a secretária e pediu dois chás, e disse que eu ia aprender a gostar de chá (risos). Era assim o nosso dia-a-dia. Uma pessoa muito importante na minha vida foi uma ex-namorada, chamada Márcia Barbosa, ela me convenceu a sair do jornal O Globo, onde eu era prestador de serviço, e entrar no Grupo Sima como continuo, mas com expectativas de futuro. Tive o reconhecimento de Beth Meger, diretora-geral, que foi a pessoa que acreditou e investiu no menino do subúrbio. Na vida pessoal, tenho a minha família, que sempre me apoiou em tudo, a mãe dos meus filhos Rosana e a amiga Moka (apelido carinhoso de Márcia Soares, sócia da NS&A de Pernambuco e amiga fiel desde os tempos da divisão de marmitas no Rio de Janeiro)

PRONEWS - Quais as peculiaridades do trabalho de representação comercial de Veículos?
Aldamir Amaral - A vida de representante sempre foi e é muito complicada. Acho que essa palavra “representante” deverá se extinguir em breve. O trabalho que fazemos hoje juntamente com o mercado precisa de assessoria de mídia, pois as agências necessitam enxugar seus quadros e nós conseguimos suprir a falta de profissionais para pesquisa e compras, com vantagens financeiras e competitivas . O que acontece hoje é geração de negócios.

PRONEWS - Quais as dificuldades e benefícios do ramo?
Aldamir Amaral - Dificuldades são as mesmas de qualquer negócio. Vivemos num país em que as taxas e impostos vão além da nossa capacidade de suportar. Precisamos escolher bem nossos profissionais, gerar dinheiro para remunerar a todos e, sobretudo, manter nossos clientes felizes. Já os benefícios são os aprendizados diários, o constante contato com pessoas e a dinâmica imposta às nossas vidas. Cada dia não é apenas mais um dia, mas sim dia de criar, pensar, sugerir e executar novas ações. Ontem é apenas uma referência e o amanhã é mais uma incógnita.

PRONEWS - A chegada da internet foi propícia ao segmento ou trouxe algum transtorno?
Aldamir Amaral - Toda tecnologia é bem-vinda para quem trabalha corretamente. Quando apareceu o fax muita gente ficou assustada, imaginando que os intermediários seriam eliminados em todos os negócios. Isso foi uma grande ilusão. Quanto maior o volume de informações disponibilizado, seja em que meio for, maior é a necessidade de uma assessoria confiável que possa decodificar tudo e entregar o caminho certo. Outro ponto que não pode ser esquecido é que o ser humano precisa de contatos, convivência para ter o seu ego satisfeito, seus valores notados e sua felicidade plena. A venda, seja lá qual for o produto, é acima de tudo um processo impulsionado pela emoção, mesmo que auxiliado pela técnica. No caso de veículos de comunicação muitas vezes milhares de quilômetros distantes, é o tom de voz do intermediário que dá força aos argumentos lançados em um projeto ou proposta.

PRONEWS - Como é o relacionamento agências x anunciantes x veículos x representação comercial?
Aldamir Amaral - Aí o bicho pega!! No fundo é uma pirâmide de exigências que se forma, quer na escolha da mídia, quer nos meios pelos quais será feita a veiculação. Os anunciantes querem variedades de mídia e melhores custos, as agências precisam
gerar campanhas que ofereçam resultados institucionais e financeiros aos seus clientes, para que também elas tenham boas receitas e possam devolver em qualidade para seus clientes. Os veículos têm seus custos aumentados a cada dia e mais concorrentes em seu meio e com os novos meios, por isso ficam atentos a toda verba e na ponta de quem comercializa espaços fica a responsabilidade de atender a todos esses anseios. Procuramos aproximar os interesses, de tal forma que a predação seja evitada e os resultados sejam evidenciados.

PRONEWS Você passou por momentos difíceis em sua vida em decorrência de um acidente. Como foi superar tudo isso e dar a volta por cima? Qual a lição disso tudo?
Aldamir Amaral Não foi fácil e não é. Hoje entendo o porquê. As pessoas se entregam à morte quando ficam em cima de uma cama e só mexem o pescoço e não sabem o que vai acontecer. É duro. Às vezes pensava em desistir, entregar-me, parar de lutar. Mas olhava ao meu redor, e via minha família, meus amigos ali ao meu lado. Isso fazia com que eu não entregasse os pontos, lutasse para viver. Nós somos muito egoístas, achamos que somos os donos da verdade. Não sabemos pedir desculpas, não temos humildade. Entretanto, quando nos encontramos em uma situação como essa, percebemos que nada disso adianta. Você se entrega na mão de pessoas que nunca viu e sua vida depende delas. O carinho delas e o amor ajudará a sobreviver. A lição é que ninguém é melhor que ninguém. Não importa a classe social. Em um leito de hospital e perante a Deus somos todos iguais.

     
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