Quem mandou o Marcos Valério comprar duas agências de propaganda, segundo seu depoimento, em situação financeira delicada, quase falidas, na década passada: A DNA e SMP&B hoje no olho do furacão político. Poderia ter investido o seu dinheiro em outros negócios, mas preferiu arriscar numa atividade de alto risco. Quebrou a cara. Bem feito. Mas o azar de Marcos Valério, pelo que me consta, começa no dia em que foi gerado, um descuido de seus pais que fizeram o garoto nascer justamente nas Minas Gerais, a terra do Presidente Juscelino, aquele que construiu Brasília onde o bebê ainda sem nome um dia viveria a sua glória e eclipse.
Não bastou ter nascido na terra de Juscelino e os seus pais acharam de batizá-lo como Marcos Valério, um nome que poderia ter dado certo em outra profissão, mas não na publicidade. Recorro ao index do livro dos Cobrões da Propaganda e da História da Propaganda do Brasil editada pelo Ibraco (1.500 nomes ) para respaldar a minha afirmativa e então constato que nunca houve um Valério notável na profissão. Marcos, apenas meia dúzia, nenhum deles conhecido. A fusão Marcos Valério não tinha mesmo como dar certo, muito menos em Belo Horizonte onde um dia surgiu uma agência de propaganda, a Setembro, que fez a campanha do Collor que sofreu um impeachment e com ele arrastou a agência para o buraco. Esqueceram de avisar ao Marcos Valério que Propaganda Mineira e política em Brasília não combinam.
Mas o DNA do rapaz, os chamados desígnios do sangue, apontaram-lhe um caminho que a intuição dele augurava promissor. Matriculou-se no curso de engenharia imaginando um dia se tornar empreiteiro e assim realizar negócios “rentáveis” em obras públicas contratadas pelo Governo. Intuía grandes oportunidades nessa seara. Porém, o engenheiro encontrou pedras nos caminhos dos negócios públicos e então resolveu investir em propaganda, adquiriu duas agências. Errou na estratégia. Uma das agências tinha a sua sede na Rua dos Inconfidentes. A outra na Rua dos Aimorés. Deveria ter desconfiado que o preço do negócio um dia poderia ser a sua cabeça; era só lembrar o destino de Tiradentes e tivesse lido “O Guarani” de José Alencar, o triste fim da tribo guerreira.
Desavisado das armadilhas do destino, Marcos Valério foi contratar como Diretora de Mídia de uma das agências a Cláudia Lula. Sobrenome incomum, por coincidência alcunha de um sujeito que anos mais tarde seria o chefe de um Governo que lhe propiciaria a oportunidade de bons negócios para suas empresas, mas também seria a casca de banana que precipitaria a sua queda. Para piorar as coisas, num lampejo de intuição foi prospectar a conta de uma tal PC Mineração, ainda hoje cliente da SMP&B. Certamente identificou-se com a sigla PC. Seu destino estava traçado. Poderia ter adiado o desfecho ocorrido se tivesse entendido que as malas pretas gigantes que descobriu ao adquirir as agências serviam apenas para carregar leiautes. Mas imaginou melhor uso para elas, o de carregar dinheiro.
Assim fica provado que o azar de Marcos Valério de Souza Fernandez, o marido de dona Renilda Santiago, filho das Minas Gerais, neste Brasil da campanha “Siga um bom exemplo”, foi ter acreditado que se tornar “publicitário” seria o caminho para realizar o seu ideal. Poderia ter sido se a publicidade não fosse a alma do negócio. A alma que ao desencarnar revelou um corpo em decomposição, tanto mais repugnante quando exibido para a opinião pública na TV. |