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Cannes 2005 foi a fogueira das vaidades de costume (o Hotel Martinez que o diga). Mas isto não interessa. O que é legal, é que Cannes continua a ser o mais glamoroso, dos mais glamorosos, festivais de publicidade do mundo, o One Show e o Clio que me desculpem, mas Cannes é Cannes. Só lá pode se ver uma luta de três titãs, de igual para igual: Estados Unidos, Inglaterra e Brasil. A Alemanha, a França e a Espanha correm por fora, mas correm bem. Claro, porque o One Show, o Clio e principalmente o D&AD são protecionistas demais, grandes festivais, mas muito “panelinha” de americanos e ingleses, ok.
Foi um ano de muita “recauchutagem”, por exemplo a AlmapBBDO com EyeCare (excelente mais uma vez, e o que valeu um Leão de Bronze) e com Veja (já este não se pode dizer o mesmo). As campanhas da Playstation feitas pela TBWA/Paris, mais uma vez encantaram a todos pela beleza, mas sem uma grande idéia, como o parto do homem adulto que foi Grand Prix em 2003. Outra reedição foi a campanha para as janelas Weru, os alemães que já haviam ganhado ano passado, voltaram a levar bronze com a mesma campanha (é muita cara de pau). Os “hermanos” chilenos da DDB fizeram com o mural para a Lego, nota 10.
Na categoria filme, a simplicidade da idéia e direção do filme da JWT Brasil para os lenços Klinex foi uma das coisas mais brilhantes, e evidentemente, o Grande Prix da Honda. Com uma trilha arrebatadora e com um conceito muito forte: “Hate Something, Change Something”. Para a nova linha de motores a diesel desta marca, os ingleses da W+K levaram o prêmio máximo. Em Cyber o Brasil matou a pau, com destaque para a DM9DDB. A África do Nizan foi outro grande destaque em Cannes. Não pelas peças, que nem tinha lá inscrito, mas pelo inteligente patrocínio ao Festival, um gigantesco painel com o logo da África estava lá do mesmo tamanho que o painel do Festival de Cannes.
Nizan não escreve nada, mas faz barulho. Show. Muita coisa boa, muita porcaria e principalmente muita injustiça. Cá para nós, o que lá se falava é que os jurados tinham acertado na hora de dar os short list, mas errado em muitos dos leões. Sem falar da minha campanha para a revista Playstation (desculpem a falta de modéstia) que só ficou em short list, e era apontada como leão certo. Ok. A campanha das bandeiras da FCB Lisboa, que já havia arrebatado um lápis de ouro no One Show, em Nova Iorque, e um Grand Prix no FIAP da Argentina, chegou a ouro em Cannes e ficou a três votos do Grand Prix, na categoria imprensa em Cannes. O Grand Prix ficou com a campanha “Nada vem tão fácil” da TBWA/Paris para a EMI, contra a pirataria. Legal, mas que para mim era apenas leão de prata. Nada de novo, conceito ralo e nada mais. Detalhe: os tais três votos que valeram o Grand Prix para a TBWA/Paris foram dados por franceses. Ok, é isto.
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