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   Ano VI | 15 de Setembro - 15 de Outubro - 2005 | nº 71 | Capa: BPM Comunicação
   
   
   
  SEMPRE É TEMPO DE RECOMEÇAR
Ivelise Gomes
 
 
   

Apesar de achar que frases de efeito são coisas cíclicas e que mudam de acordo com o tempo, o publicitário Luiz Carlos Costa toma a expressão “sempre é tempo de recomeçar” como um bom exemplo para o momento em que vive. Depois de cinco anos de atuação em sua própria agência, ele tomou novos rumos na carreira, fundindo sua QualyMais com a Plano B (atual nome da empresa), para otimizar suas realizações profissionais e alcançar um status equivalente à sua experiência no mercado. “Acredito que as oportunidades para os profissionais de publicidade estão no próprio mercado, cabendo a cada um procurá-las” diz o carioca.

Nascido no Rio de Janeiro, ele mantém costumes adquiridos ainda na juventude, como desfrutar um bom peixe na sexta-feira, saborear a feijoada no sábado e aproveitar a macarronada do domingo. Entretanto, de forma política, tenta agregar tudo isso com uma boa salada ou bife com fritas e arroz, que é o prato mais tradicional da culinária carioca. “Quanto às bebidas, os amigos dizem que um dos meus defeitos, entre tantos outros, é beber quase nada. Mas, mesmo adorando um bom suco, não desprezo uma taça de vinho do meu cliente Botticelli”, comenta ironicamente.

Seguindo o ritmo da Bossa Nova (seu estilo musical favorito), Luiz Carlos Costa segue a vida em compassos levemente rítmicos, dividindo o seu dia-a-dia entre o trabalho (no qual desenvolve o planejamento de marketing dos clientes) e o pessoal (o casamento com a publicitária Isabella Victor e seus hobbies). Entretanto, por sua própria experiência, as coisas estão eternamente interligadas e é impossível separá-las quando se está atuando no mercado. “Minha atividade exige leitura constante. O fato de participar de um programa semanal na TV e de fazer palestras sobre marketing e comunicação me obriga a estar sempre em dia com a matéria. Por falta de tempo, faço mais leitura técnica que de lazer e garanto que estou uns oito livros atrasados. Mas meu livro de cabeceira continua sendo O Profeta, de Khalil Gibran, já há 30 anos. De vez em quando recorro às suas bem traçadas linhas para pegar um oxigênio sobre a vida e as pessoas”.

REVISTA PRONEWS - Quando começou a carreira e quais os momentos mais difíceis que enfrentou?
Luiz Carlos Costa - Minha atividade em marketing começou no Rio de Janeiro, em 1974, passando por momentos de muita alegria, mas também de muita dificuldade. Acho que o momento mais difícil foi enfrentar uma platéia com os duzentos maiores lojistas do Rio de Janeiro para apresentar o Chequepag, o cheque especial do Banorte. Só que eu nunca tinha falado em público, exceto em reuniões internas.

PRONEWS - Quais as experiências profissionais que ajudaram na sua formação?
Luiz Carlos Costa - Algumas das minhas experiências mais importantes foram vividas nos ensinamentos do Professor Pierre Weil e de Roland Thompakov, autores de “O Corpo Fala”, e junto à psicóloga argentina Rita Violeta Gammerman e o psiquiatra Bernardo Gammerman, através das conversas, discussões e trabalhos de treinamento que fizemos em conjunto. Por isso, acredito que as oportunidades para os profissionais de publicidade estão no próprio mercado, cabendo a cada um procurá-las.

PRONEWS - Mas, na sua opinião, quais as oportunidades para os profissionais de publicidade no mercado de hoje?
Luiz Carlos Costa - A diferença do ontem e do hoje está na competitividade. As oportunidades existem, mas somente os melhores irão conquistá-las. Dias atrás, estávamos com problemas na agência para encontrar um profissional de atendimento que fosse pelo menos BOM, mas que tivesse interesse em se transformar rapidamente em ÓTIMO. Só que as pessoas saem da faculdade, lêem três livros e se oferecem ao mercado a custos altíssimos, irreais, julgando-se o máximo. Aí, vão continuar fora do mercado.

PRONEWS - Você também teve a oportunidade de criar e promover sua própria agência. Como foi essa experiência para sua vida profissional?
Luiz Carlos Costa - Fundei inicialmente a Gravatahy Publicidade, do Grupo Banorte, que se transformou em uma das maiores agências do Nordeste. Como havia uma estrutura forte de gestão para a empresa, minha atividade se resumia a fazer negócios. E tudo foi muito bem. Depois passei por experiências duras ao montar uma agência em que eu deveria me envolver com a gestão, e como esta não é a minha área, as coisas não deram muito certo. Aí veio a QualyMais, nascida de uma consultoria de marketing e que se transformou em agência em função de oportunidades de mercado.

PRONEWS - Agora, a QualyMais se funde à Plano B. Como surgiu a idéia desta união?
Luiz Carlos Costa - Nós precisávamos de uma aliança estratégica para crescer. Tínhamos uma boa carteira de clientes, com potencial de crescimento atraente, mas a criação apresentava um turn-over muito alto, gerando um custo altíssimo para a empresa, incomodando o relacionamento interno e desgastando a administração. Quando os problemas passaram a ser percebidos pelos clientes, resolvemos intervir cirurgicamente. Fizemos uma proposta de aliança estratégia a algumas agências e recebemos uma boa proposta da Plano B para juntar a sua excelente estrutura de criação com a nossa estrutura de planejamento e atendimento. E tudo deu certo.

PRONEWS - Quais os pontos importantes na nova filosofia de trabalho da empresa?
Luiz Carlos Costa - O primeiro grande diferencial é termos uma área de planejamento independente do atendimento. Na Plano B, o planejamento orienta o atendimento, complementa eventualmente um briefing e sugere estratégias de ação. O segundo diferencial que considero também muito importante são as reuniões de brainstorming, quando planejamento, criação e atendimento vão fundo na marca ou produto a ser anunciado. Mas o grande destaque da nova empresa é a criatividade. Os rapazes são muito criativos e isso faz o grande diferencial da Plano B.

PRONEWS - Em meio a um universo tão saturado de empresas, quais os resultados positivos que uma fusão como esta pode proporcionar?
Luiz Carlos Costa - A fusão deve ter sempre como objetivo principal juntar competências. Este é o seu principal ponto de atratividade. Foi assim na fusão da QualyMais com a Plano B. O mercado está saturado de agências de publicidade que seriam bem mais competitivas se buscassem soluções como a nossa. A publicidade de Pernambuco ficaria ainda melhor. Na nossa área, como o principal patrimônio das empresas é o talento pessoal de seu RH, uma fusão me parece ser bem mais simples.

PRONEWS - Quais são as projeções para a Plano B nesses primeiros seis meses da empresa? E quais as metas que pretendem alcançar em 2006?
Luiz Carlos Costa - No momento, estamos correndo com as demandas atuais, que são muitas, algumas reprimidas. Ao mesmo tempo, tratamos da mudança para a nova sede na Ilha do Leite. Estamos focados em prospecção, novas contratações, enfim, tudo que vai possibilitar o crescimento da empresa. As mudanças foram radicais e colocamos como objetivo usar este segundo semestre de 2005 para ajustar a empresa embora sem perder oportunidades e deixá-la prontinha para fazer com que 2006 seja efetivamente um feliz ano novo.

     
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