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Para o publicitário paraibano Genival de Souza, de 62 anos, ser um eterno aprendiz é a qualidade que melhor o define: “A cada segundo estamos aprendendo coisas novas para a nossa vida, sobretudo na atividade publicitária, que interage com a vida das pessoas todo o tempo”. Há 42 anos no mercado, Genival deu os primeiros passos de sua trajetória profissional em idos dos anos 70, como produtor de programa radiofônico. De lá para cá, atuou como cronista esportivo, integrou o staff da primeira agência de publicidade de João Pessoa - a Lord -, foi produtor e âncora televisivo e montou sua própria empresa, a GR. A agência marcou época no mercado regional e, em meados dos anos 90, deu lugar ao Grupo Criativo de Atendimento (GCA), do qual Genival é diretor. Ele também está à frente, pelo quarto mandato seguido, da Associação Brasileira de Agências de Publicidade na Paraíba (Abap/PB). O órgão congrega oito das 25 agências do estado, a melhor proporção em todo o Nordeste. Por e-mail, Genival Ribeiro concedeu a seguinte entrevista à Revista PRONEWS.
REVISTA PRONEWS - Qual a função da Abap/PB? Como presidente, qual o seu papel na instituição?
GENIVAL RIBEIRO - O papel principal da Abap/PB é trabalhar conjuntamente com as agências associadas para que o mercado publicitário paraibano mantenha o nível qualitativo e possa atuar de forma responsável e profissional. A Abap promove palestras, seminários e intercâmbios sobre as atividades da categoria. Como presidente, procuro escutar a todos os associados, já que a entidade tem como foco a gestão compartilhada e democrática. Na minha opinião, a função de presidente deve se espelhar na própria profissão de publicitário: trabalho em equipe, somando esforços e dividindo resultados.
PRONEWS - “Quando a propaganda é ruim seu produto morre de vergonha”. Este é o mote da campanha promovida pela Abap para conscientizar os clientes a investirem em publicidade de boa qualidade. Quais as características da boa propaganda?
GENIVAL - A boa propaganda começa pela escolha de uma boa agência, qualificada e experiente. Este é o primeiro passo. Agora, a propaganda de qualidade tem que ter, necessariamente, objetividade e, sobretudo, criatividade para sensibilizar e encantar o consumidor. Senão ela não funciona. Ainda não podemos mensurar os resultados da campanha, uma vez que ela tem um planejamento de exibição de 45 dias, prazo que ainda não se esgotou. Contudo, acreditamos em seu êxito.
PRONEWS - As pequenas e médias empresas estão abertas aos investimentos em propaganda? O que a Abap tem feito para inverter esta situação?
GENIVAL - Para conscientizar o pequeno e médio empresário, a Abap nacional tomou a iniciativa de criar o “Comunicar e Crescer”, uma cartilha que ensina como este segmento pode buscar uma agência de propaganda para ajudar no crescimento de seus negócios. O “Comunicar e Crescer”, com mais de 36 palestras realizadas, já reuniu mais de 10 mil pequenos e médios empresários do país. Nesta cartilha constam informações importantes sobre as agências associadas que estão aptas a impulsionar o desenvolvimento destas pequenas empresas. É sempre bom dizer: muitas das grandes empresas do país começaram pequenas e se consolidaram como marcas famosas com o trabalho profissional de agências de publicidade.
PRONEWS - A boa publicidade é feita para ganhar prêmios ou para vender? Como equilibrar qualidade e funcionalidade?
GENIVAL - Para ambas as coisas. Claro que antes de tudo a principal característica de uma boa publicidade é vender o produto do cliente. Portanto, a funcionalidade vem em primeiro lugar. Os prêmios são conseqüência da criatividade dessas campanhas. Não se faz propaganda pensando em premiação, mas com o objetivo de fortalecer a marca do cliente e conquistar cada vez mais o consumidor.
PRONEWS - Uma crítica recorrente que se faz à propaganda é o fato de ela trabalhar cada vez menos informações e mais conceitos abstratos ou mesmo estereótipos. Qual deve ser o papel da publicidade, informar ou apenas vender a qualquer custo?
GENIVAL - Cada produto tem as suas particularidades. A publicidade brasileira é considerada uma das melhores do mundo. Prova disso é a satisfação dos clientes e ainda os inúmeros prêmios internacionais que ela conquista a cada ano, com criatividade e profissionalismo. Informação e conceito se completam na propaganda. A propaganda sempre tem que passar uma verdade.
PRONEWS - Como o senhor classifica a publicidade feita hoje no Nordeste? Já atingimos a maturidade em comparação a outros mercados? O que demonstra esta evolução?
GENIVAL - De excelente nível, com resultados importantes para os seus clientes. Em comparação a outras regiões, afirmo que a nossa é competitiva e eficiente, porque as agências investiram em tecnologia e em pessoal qualificado, acompanhando as exigências do mercado. A prova disso é que existem agências em todo o Nordeste que atendem marcas importantes de empresas do Sudeste e do Sul. A globalização facilitou este avanço das agências regionais em direção a outros mercados. As agências das regiões mais desenvolvidas dispõem de mais verbas em relação ao Nordeste. Contudo, nós superamos isso com criatividade.
PRONEWS - O consumidor está mais exigente em relação à publicidade?
GENIVAL - Sim. A evolução tecnológica no que se refere aos meios audiovisuais, a democratização da informação, sobretudo com o advento da internet, e o surgimento dos canais fechados tornaram o consumidor muito mais bem informado. Consumidor bem informado é consumidor exigente, que tem discernimento e está atento ao que é verdadeiro, autêntico. As agências estão acompanhando de perto esse quadro, por isso têm investido cada vez mais em qualificação. Se você observar a plasticidade dos comerciais de hoje, notará a evolução do mercado nesse sentido. Temos que entrar na casa das pessoas com singularidade e beleza. É preciso transmitir uma mensagem que contenha verdade e autenticidade.
PRONEWS - Como o senhor enxerga o setor publicitário do Nordeste nos próximos anos?
GENIVAL - Há uma tendência de crescimento. O país vive um clima de estabilidade econômica. Acredito que novas empresas vão se instalar na região, resultado desta realidade favorável na economia. Dessa forma, o mercado publicitário só tem a crescer, porque a demanda vai aumentar, conseqüentemente. A população do Nordeste vai passar dos 50 milhões de pessoas nos próximos anos. O nosso mercado vai atingir um potencial de 25 milhões de consumidores. Hoje, somos 22 milhões. Portanto, a expectativa é que a região registre um crescimento nos setores industrial, turístico e do comércio. As micro e pequenas empresas estão cada vez mais saindo da informalidade, e isso contribui para o crescimento econômico de forma direta. Agora, é preciso que o governo federal trate com mais prioridade as questões pertinentes à região, já que a iniciativa privada vem fazendo a sua parte e acreditando nas potencialidades. |