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Ano VI | Janeiro - 2006 | nº 74 | Capa: SG Propag

   
   
   
  A HERANÇA PUBLICITÁRIA
Anderson Lima
 
 

Entusiasta, vibrante e dono de duas paixões: o jornalismo e a publicidade. Isso sem falar de sua queda pela aviação. Assim é Eduardo Brígido Filho, 63 anos, mais conhecido como Maninho. O profissional pertence à terceira geração de “comunicólogos” da família Brígido, tradição iniciada por seu bisavô João, fundador do primeiro jornal matutino do Ceará, O Unitário, e responsável por salvar do afogamento o garoto que se transformaria no conhecido beato Antônio Conselheiro. Maninho iniciou sua trajetória profissional em 1959, no departamento comercial dos Diários Associados. Pouco depois, 1964, participaria da fundação da primeira agência de publicidade do Ceará, a Publicinorte. E, em 1978, da EBM Publicidade. Atendendo agora como EBM NovoTempo, a empresa colocou na estante, apenas este ano, o prêmio Destaque Empresarial 2005 como a melhor agência publicitária do ano e os troféus Galo de Prata e de Bronze, conquistados no Festival Internacional de Publicidade de Gramado (RS). Aposentadoria? Esta é uma possibilidade que ainda não foi considerada por Maninho Brígido: “Não vejo que este momento esteja perto, pois me entusiasmo muito com o trabalho, e sei o quanto é importante estar ativo e aprendendo cada vez mais”.

REVISTA PRONEWS - Até que ponto a onda de denúncias envolvendo o setor publicitário pode ser benéfica? O Brasil está vivendo um momento de denuncismo?
Maninho Brígido - Militando há mais de 45 anos na área de comunicação nunca assisti a algo semelhante. A imagem da propaganda ficou abalada e agora é preciso que tenhamos mais transparência para que se apure tudo. Não se pode manchar todo um setor por uma ação que acredito ser pontual. Não creio que estejamos vivendo um momento de denuncismo, mas sabemos que a proximidade com o período eleitoral faz com que esse fenômeno se manifeste com mais intensidade. E o que estiver errado precisa ser consertado. O negócio da propaganda é importantíssimo para a economia. Ele representa centenas de milhares de empregos diretos e precisa manter o respeito, a ética e a credibilidade que lhe são característicos!

PRONEWS - Campanhas publicitárias governamen-tais costumam envolver grandes somas de dinheiro. Esta é uma característica que propicia a corrupção? Que instrumentos podem ser utilizados para evitar o mau uso do dinheiro público?
Maninho - O mercado publicitário movimenta grandes investimentos, tanto do setor público quanto do privado. Claro que não é o volume de recursos que se movimenta numa conta publicitária que deve fazer com que se propicie qualquer conduta que não seja honesta. Isso é inaceitável em qualquer que seja o volume envolvido. Acredito que para o setor público, a criteriosa escolha de uma agência que contemple - além da qualidade criativa - o respeito pelos seus negócios, a tradição de seriedade e a qualificação de seus profissionais seja um bom instrumento para evitar o mau uso do dinheiro público, bem como a fiscalização dos respectivos tribunais de contas (município, estado e união).

PRONEWS - O que caracteriza um bom publicitário? Como ele é formado, na prática ou nas carteiras escolares?
Maninho - Um bom publicitário exerceria com maestria qualquer outra atividade profissional, pois para sermos bem-sucedidos no nosso setor, precisamos saber, pelo menos, de tudo um pouco. Precisamos entender de business, de psicologia, de direito, de sociologia, etc. A formação acadêmica é importante, e hoje podemos contar com bons cursos nas faculdades de comunicação com habilitação em publicidade, e até mesmo MBA's em marketing. Mas a vocação e o talento é que fazem o diferencial.

PRONEWS - O que diferencia o bom do mau publicitário? Como essa diferenciação é refletida no mercado?
Maninho - A diferenciação do bom para o mau publicitário pode ser vista com o tempo. De tempos em tempos aparecem pseudopublicitários com "modernas" e mirabolantes idéias que vão "revolucionar" o mercado. Normalmente acompanhadas por propostas de remuneração sedutoras, por mais inexeqüíveis que possam ser. Alguns anunciantes acabam até caindo nessa conversa. Mas como não existem milagres na propaganda, esse mesmo tempo acaba por mostrar que, no nosso negócio, estratégia e experiência falam mais alto. Claro que a propaganda reflete o que há de moderno, ousado e inovador, ou seja, de criativo. Mas tudo deve estar muito bem fundamentado e estruturado em uma base estratégica solidificada com uma coisa muito importante: compromisso. Caso contrário, o prejuízo para o anunciante pode ser bem maior que a "economia" que ele achou que estava fazendo.

PRONEWS - A EBM foi premiada com os troféus Galo de Prata e de Bronze no Festival Internacional de Publicidade de Gramado e conquistou o Destaque Empresarial 2005 como a melhor agência cearense de publicidade deste ano. O que premiações desse porte representam para uma empresa do setor?
Maninho - Premiações desse porte são importantes para o mercado publicitário. Elas mostram que a agência investe em estrutura, na equipe e em seu potencial criativo. Mas o maior prêmio para uma agência ainda é ter o resultado do cliente auferindo êxito na estratégia que foi desenvolvida para o seu problema de comunicação. Nada é mais gratificante para o publicitário do que trazer os melhores resultados para seus clientes, saber que eles confiam no seu trabalho e seu público-alvo reconhece isso. Aí, as premiações acabam por vir naturalmente.

PRONEWS - Uma boa campanha é aquela que vende o produto ou a que ganha prêmios?
Maninho - Sem dúvida que uma boa campanha é aquela que vende o produto. Quem partir por outra premissa está se arriscando e arriscando seu cliente. O prêmio é uma conseqüência, e não uma causa.

PRONEWS - O recém-lançado livro João Brígido e sua Descendência, da biógrafa Adelaide Barreto, faz um breve retrato da família Brígido desde este importante personagem da história do Ceará. Que influência o fundador do jornal O Unitário exerce na família?
Maninho - Ele foi o nosso pioneiro na área da comunicação. Tinha uma personalidade forte e muito marcante. Inteligente, inovou a diagramação dos jornais locais. Tinha veia política e fez filho e genro deputados estaduais. Brigou e influenciou fortemente a queda do governo Acioly, aqui no Ceará [o governo de Nogueira Acioly foi fortemente marcado pelo nepotismo, corrupção e desvio de dinheiro público. Entre seus aliados estava o Padre Cícero]. Foi com ele que Assis Chateaubriand negociou a compra do jornal. Era um homem respeitado, queridíssimo pelos amigos e aliados e temido pelos opositores.

PRONEWS - Como o mercado publicitário cearense se insere no contexto regional? Em que
nível ele se encontra?
Maninho - O mercado publicitário cearense tem crescido muito profissionalmente. Nossas agências têm se destacado e atendido a importantes contas regionais e nacionais, inclusive de grandes empresas que vêem na regionalização das suas contas publicitárias um importante diferencial competitivo para melhorar sua comunicação com o consumidor local, alcançando melhores resultados de vendas. A qualidade criativa dos nossos profissionais não deixa em nada a desejar à dos maiores centros de concentração econômica.

PRONEWS - Como se encontra o mercado publicitário local? Que caminho a publicidade nordestina pode seguir para se tornar mais forte?
Maninho - Ao mesmo tempo em que assistimos ao crescimento econômico da nossa região - só no Ceará, o crescimento do PIB foi maior que o brasileiro -, podemos presenciar o incremento nos investimentos em propaganda. Mas esse crescimento ainda está muito tímido. Temos que incentivar a descentralização das verbas nacionais e dividi-las em vitoriosas estratégias regionais. O Brasil é um país muito grande geograficamente, com costumes, hábitos e culturas diferentes em cada região. E os anunciantes estão cada vez mais atentos para isso.

     
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