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O jornal mais antigo da América Latina é também
a publicação mais antiga em língua portuguesa
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Para a historiografia brasileira e pernambucana, o ano de 1825 foi importantíssimo. Houve a execução de Frei Caneca por sua participação na Confederação do Equador. Portugal finalmente reconhecia a independência brasileira. A coroa portuguesa assinava um acordo juntamente com a Inglaterra de extinção do tráfico de escravos. E, no dia 7 de novembro, o Diario de Pernambuco era criado.
O periódico, que hoje ostenta os títulos de jornal mais antigo da América Latina e publicação mais antiga em língua portuguesa, começou como um simples diário de anúncios. Era a 24ª. publicação a surgir em Pernambuco desde a oficialização da imprensa no estado. Foi rudimentar-mente impresso em um prelo de madeira na oficina de seu criador, o ex-colaborador do Typhis Pernambucano (prin-cipal veículo de divulgação dos ideais dos confederados), Antônio José Miranda de Falcão. E, em sua primeira edição, publicou 38 anúncios e quatro textos noticiosos.
Nestes quase dois séculos de história o Diario teve em seus quadros personalidades como Gilberto Freyre, Murilo Mendes, José Lins do Rêgo, Mauro Mota e Aníbal Fernandes. Já passou pelas mãos do comendador Manuel de Figueiroa de Farias e, em 1931, foi incorporado aos Diários Associados, concretizando o sonho de Assis Chateaubriand. Além disso, já recebeu a visita da rainha inglesa Elizabeth II e foi sobrevoado por um zepelim.
A credibilidade e o respeito alcançados pelo Diario não se resumem aos seus anunciantes e aos outros veículos jornalísticos. A imagem de Pernambuco foi, e continua sen-do, constantemente reforçada pelo jornal: seja valorizando sua cultura, seja lutando pela inserção do estado nos quadros políticos e econômicos do país. O público também pode encontrar no jornal uma instituição que sempre batalhou pelos valores democráticos e pela liberdade. Exemplos dessa luta foram as críticas e as mobilizações contrárias ao regime ditatorial de Getúlio Vargas realizadas pelo periódico. Todas as manifestações aconteciam na famosa praça em frente ao jornal e culmi-naram no assassinato, atribuído à polícia política de Vargas, do estudante Demócrito de Souza Filho, que estava na sacada do prédio do Diario. Ou quem sabe mencionar as diversas vezes em que o jornal foi “em-
pastelado”, teve sua maquinaria destruída ou suas edições rasgadas como forma de repressão aos seus posicionamentos.
Luís Carlos Ferrari, integrante do staff do DP desde 1998 e atualmente editor-executivo, define o periódico como “um jornal tradicional, mas não conservador. Um jornal que está sempre preocupado em criar produtos que atendam ao público leitor”. Outra característica da publi-cação é sua enorme preocupação em se manter atualizada ao desenvolvimento tecnológico. “Nas empresas de comu-nicação tornou-se um imperativo. É imprescindível”, afirma Ferrari. Atualmente, o Diário vem promovendo duas gran-des inovações que auxiliarão no serviço prestado ao leitor e no intercâmbio de informações com outros jornais. A pri-meira é a tecnologia CTP (computer to plate), que pretende acabar com uso do fotolito. A segunda é a implementação de softwares que permitem integrar o banco de dados dos onze jornais que fazem parte do Grupo Associados (entre eles, O Norte - PB, O Estado de Minas - MG e o Correio Braziliense DF).
Quanto aos desafios do futuro, principalmente aqueles provenientes do surgimento das novas mídias e do seu impacto no panorama do jornalismo impresso, Ferrari declara que estas “forçam o jornal a se reposicionar”. Apesar disso, ele lembra que “o jornal tem algumas caracte-rísticas singulares, como o caráter de documento”. No caso do Diario de Pernambuco, esta característica é latente. |