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Sentar, ligar o PC, encontrar as idéias aglutinadas (no cérebro, não no PC). Tela em branco (cérebro em branco?). Ah, encontrei! Aos poucos a página do Corel Draw, antes uma brancura total radiante, começa a descobrir nuances, matizes, ângulos, texturas... Bom, faltam imagens mais reais e uma fonte ao menos legalzinha. Ei, a fonte! Como eu estava esquecendo a fonte? Qual era mesmo o nome daquela fonte que me falaram no curso, que estava na moda e coisa e tal? Gold, bold... Sei lá; era algo assim. Ah, sei lá. Na falta daquela vai esta aqui mesmo. Pronto. Tudo em ordem: cores, fontes, geometria perfeita! Sou mesmo o melhor! Sou "O cara"! Mas será que tá faltando algo? (na arte, não no PC).
Vamos reavaliar. Os tons estão quentes, já que a arte exige jovialidade. As imagens fotográficas estão bem diagramadas, chegam a "falar" - como o Sóstenes ensinou. As fontes eram bold mesmo e o gradiente da logomarca ficou show. Mas falta algo... Será que uma lista demarcando a arte não ficaria bem? Ou quem sabe se eu colocasse todos os objetos em power clip - às vezes, eu surpreendo com o apuro da minha técnica. Já sei! Eureka! Descobri! Esta faltando conteúdo!
Senão vejamos: se toda a concepção gráfica foi passada para a máquina, se foram respeitados os parâmetros de criação, de formas e realizadas as correções de cores, tudo devidamente convertido em curvas para o fechamento da arte, o que mais poderia estar faltando? A grande sacada, a idéia, é claro! Então vamos ao conteúdo: o produto a ser
mostrado através dessa arte se dirige a um público ABC, faixa dos 18 aos 50 anos, ambos os sexos... Sim, não poderia esquecer: são todos universitários. Nível superior, sim, senhor! O conteúdo tem que ser de responsabilidade. Afinal, são estudantes de Comunicação Social e pegaria muito mal pra mim, claro - uma avaliação negativa desse público.
E ainda tem a questão de redigir bem, senão a professora me pega. Mas, se me meti a fazer o trabalho... Mãos a obra, designer! Bem, vou reabrir o Corel e tentar juntar as peças para traduzir o briefing do cliente. Acho que estou quase conseguindo... O que mata mesmo é esse prazo do cliente. Se ele me desse pelo menos dois meses, mas não: "O senhor tem até quinta para me entregar essa arte, sob pena de eu entregar a conta pra outra agência" Eu, hein! Povinho exigente esses tais de clientes. E o dono da agência então: "Meu filho! Quarta-feira, pode ir buscando outra agência pra fazer seus borrões".
Bom, acho que agora acabei. Tomara que dê tudo certo, afinal, são oito horas da manhã e hoje já é quarta. A tela do PC voltou a ficar branca, mas pelo menos já gerou seus resultados. Valeu. Mais uma. Quem sabe um dia eu não escrevo uma crônica acerca dessa vidinha de criador na propaganda. Poderia ganhar até uns prêmios, igualzinho ao Zeca Martins!
No mais, fica a experiência: Meu Deus! Que público exigente. Como é difícil criar um cartaz para um curso de Publicidade e Propaganda! |