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   Ano VI | Fevereiro - 2006 | nº 75 | Capa: Única

     
VAMOS MONTAR NOSSO S.P.C. - SERVIÇO DE PROTEÇÃO À COMUNICAÇÃO
Edison Martins mart@martpet.com.br
 

O Este artigo, na verdade, é um manifesto. Um manifesto contra os clientes-cupim. Aqueles que vão corroendo tudo o que construímos com esforço e com o tempo.

Este texto também é dirigido ao mercado publicitário, que nos últimos tempos tem tido a cara de pau de, em conseqüência do aumento da concorrência ou da diminuição das verbas, especializar-se em falar mal de si mesmo. Parece que para serem vistos como maiores que o seu vizinho, em vez de crescer, muitos preferem chamar o outro de nanico. E aí todos, literalmente, nivelam-se por baixo.

Nós precisamos parar de fazer esse autoflagelo. Precisamos nos unir contra algumas coisas destrutivas do mercado. E entre elas alguns clientes que são uma verdadeira praga para a boa comunicação.

Primeiro é preciso identificar o cliente-cupim, também conhecido como mal-intencionado ou, no popular, picareta.

É aquele que faz concorrência a toda hora, porque assim ele recebe análises de mercado de graça, estratégias de graça e, muitas vezes, comerciais de graça; direitos autorais de graça, pesquisas de graça e o que é pior, nosso melhor produto idéias de graça. Só tem graça pra ele.

É aquele que, depois de entregar a conta e chupar a laranja, joga o bagaço fora. Ou seja, ele trabalha com a agência que ofereceu o melhor pacote da relação custo x benefício (para ele, claro) e quando a agência pensa que vai entrar no break-even, ele muda de agência.

É aquele que diz uma coisa e faz outra. Faz orçamentos diretos sem combinar com a agência, conversa com veículos sem a presença da agência, trata com fornecedores depois do orçamento apresentado, tentando baixar.

É também aquele que dá o cano, o 'xexo', o golpe mesmo. Mas esses são caso do SPC tradicional mesmo.

Na verdade, existem muitos tipos de cliente (sic) assim. Mas é importante vestirmos nossa parte na carapuça: os espertos dessa história são eles e os trouxas somos nós.
Em comunicação, todos sabemos, o cliente nem sempre tem razão.

Até mesmo o cliente deveria saber que não existe almoço grátis. Se a agência está dando alguma coisa é porque ela espera compensar mais na frente. O problema é descobrir quem corre mais.

Vejo clientes e histórias até já vivemos algumas bizarras de exploração do nosso maior patrimônio, que é a inteligência, o conhecimento da melhor forma para fazer uma mensagem ser traduzida para a língua de consumo e do consumidor, a pluralidade de conhecimento e neutralidade que uma house nunca vai oferecer.

Pois bem, acho que devemos pensar seriamente em criar um Serviço de Proteção à Comunicação. Uma lista negra de safadeza. Uma CPI do cliente. Uma maneira de o tornarmos conhecido entre nós, identificando quem tem essa atitude destrutiva no mercado.

Assim talvez possamos não dar mais tantas pérolas aos porcos. Esse tipo de comportamento será reduzido quando ele tiver que procurar as piores agências (se é que são agências) porque as outras não vão querer trabalhar com ele. Ou ele vai ter que pagar antecipado. Ou vai ter que pagar mais caro para recuperar seu prestígio.

Com isso não quero dizer que não existam clientes bons, justos e honestos, nem publicitários que não tenham uma postura digna. De tudo na vida tem de bom e de ruim. Até políticos existem muitos bons. Pode acreditar. Eu conheço vários.

Mas o problema é que nós devemos sair da defesa e ir para o ataque. Não quero queimar sutiã em praça pública, mas acho que algumas bandeiras devem ser levantadas, algumas vozes devem estimular mais a revolta. Esse artigo é um ato isolado e arriscado. Mas cada um começa ajudando um pouco, né? O importante é termos respeito com nossa profissão e nos fazermos respeitar, ou reconquistar o respeito. No popular dos tempos da nossa vó: quem muito se abaixa a calçola aparece.

     
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