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   Ano VI | Fevereiro - 2006 | nº 75 | Capa: Única
     

DE RACHAR O BICO
Felipe Lima

 

 
   

Para Thiago Almeida, estudante concluinte do curso de Comunicação Social/Publicidade na Fama (Escola Superior de Marketing), “a propaganda brasileira é uma das melhores no uso do humor como artifício para conquistar o consumidor”. Dito isso, compreende-se seu interesse na arte de fazer rir na propaganda. Se não bastasse ser uma pessoa bem-humorada, Thiago, 22 anos, resolveu finalizar seus estudos universitários com uma monografia que analisa, compreende e aponta caminhos para o humor na publicidade.

Intitulada Humor Publicitário: o Uso do Risível nos Comerciais de TV, o trabalho consiste em larga pesquisa sobre a utilização da comédia nas propagandas televisivas brasileiras desde fins de 1970 até 2005. Abarca inicialmente uma espécie de viagem no tempo, expondo a evolução da publicidade made in Brasil. Desenvolve em seguida uma abordagem sobre a escolha da linguagem humorística e conclui com uma discussão comparativa baseada nos estudos de Henry Bergson (filósofo francês, 1859-1941). Através disso, Thiago espera realizar o seu objetivo: “ajudar os criadores a fazer peças com humor ou bem-humoradas de forma mais fácil e inteligente, a fim de proporcionar resultados ainda melhores”.

 
Thiago Almeida  
Durante oito meses, Thiago mergulhou no mundo do riso e, apesar de extremamente cansado e com muitas horas de sono a menos, está plenamente satisfeito com o resultado. “A parte mais prazerosa foi a entrega do projeto, quando, finalmente, consegui terminá-lo. Tenho a consciência de que foi feito um bom trabalho, que fecha com chave de ouro os quatro anos de esforço e dedicação na faculdade”, diz ele, que contou com a orientação da Professora Sandra H. Rodrigues, formada em Comunicação Visual na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); mestra em Gestão de Políticas Públicas na área de Ciência e Tecnologia e docente dos cursos de Publicidade e Propaganda da Fape e da Fama.

O período curto para pesquisa e a necessidade de analisar extenso material foram as principais dificuldades encontradas por Thiago. A lista de propagandas estudadas é grande: “Algumas da Bombril, Brastemp, Unibanco e seus casais, supermercados Balaio, Havaianas, TIM e BCP/Claro; as de cerveja, como a da Skol (Desce Redondo), Antarctica (A BOA) e Brahma (Refresca Até Pensamento); da Coca-Cola como, por exemplo, a Todos Falamos Futebol e a da Ford com o São Nunca, entre outras”.

Thiago destaca Washington Olivetto, um dos criadores do garoto-bombril (“o grande marco da propaganda com humor no Brasil”), as peças da Brastemp com o jargão “não é assim nenhuma Brastemp” e as propagandas recentes em 3D e CGI como as da Coca-Cola e da Brahma. Ressalta também a excelência na prática do humor das agências Fnazca, McCann-Erickson, W/Brasil, Mart Pet, Ampla e Italo Bianchi.

“Tudo depende do que se pretende atingir ou do tipo do cliente que se está trabalhando. É necessário ter cautela para usar o humor na propaganda. Porém se o contexto permite usar o humor ele trará maior empatia com o consumidor do que a propaganda séria. Eu prefiro as propagandas com humor ou bem-humoradas. Elas são geralmente mais inteligentes, abordam a mensagem de uma forma diferente da que estamos acostumados a ver, nos fazendo pensar. Afinal, para rir da “piada” é preciso entendê-la e isso é que fascina numa propaganda humorística”. Nada melhor do que um estudo completíssimo para ajudar a compreender aquela piadinha no intervalo da novela das oito.

     
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