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   Ano VII | Março - 2006 | nº 76 | Capa: Agência UM

     
QUANDO UM ÁS DE COPAS NÃO SIGNIFICA SER REIS DE OURO
Flamarion de Cerqueira Reis | flamarion@dendecomunicacao.com.br
 
 

O Dois mil e seis chegou trazendo a esperança. Nem tanto acerca das questões políticas que já começam a movimentar-se em torno do ano eleitoral que se inicia, mas também por ser um ano de Copa do Mundo. Nas questões políticas veremos em 2006 todos aqueles que julgaram a propaganda e o nosso mercado como cúmplices ou talvez como protagonistas, ou ainda como figurantes de uma corrupção que, a bem da verdade, existe em nosso país desde muito.

Mas 2006 também chega para revigorar os ânimos e até mesmo o interesse quanto às questões políticas de grande parte dos brasileiros. E, em decorrência disso, o Natal de 2005 já começou a ser rechea-do com promoções acerca da Copa. Os veículos de mídia tratam de negociar suas coberturas milionárias de jogos, espaços publicitários e patro-cínios de programas que tratam de futebol. Empresas de diversos segmentos lançam campanhas publicitárias, de certo, pouco criativas ao ponto de fugirem do ideal que é impressionar algum consumi-dor. E digo isso porque eu, assim como tantos outros con-sumidores, não suporto mais aquelas campanhas que “nos levarão à Copa”. Todo mundo oferece em suas ações pro-mocionais passagens aéreas e hospedagens para os jogos, principalmente da seleção brasileira na Copa deste ano.

O fato é que tantas outras ações poderiam ser criadas e executadas com êxito para o anunciante. Atuando ainda mais com a questão do sonho de quem quer assistir a um jogo do Brasil, sobretudo à possível final. Caro leitor, você já parou para contar quantas marcas prometem te levar para a Copa? Propaganda tem que ser emotiva, seduzir pela palavra e completá-la com boas imagens. Não seria por causa de tantas ações promocionais iguais que as vendas já não expandem mais como antigamente e que a propaganda vem a cada dia dividindo sua verba com outras ferramentas da comunicação?

Bem fazem as empresas que investem na qualificação de nossos times olímpicos e de nossos atletas, patrocinando-os. Já é um começo tanto no que diz respeito a incentivo, quanto à diferen-ciação mercadológica. E saindo um pouco da questão da Copa, mas ingressando ainda mais na questão do Marketing Esportivo propriamente dito, será que esses investidores somente enxergam o futebol como esporte no Brasil? E digo isso baseado na dificuldade que vejo, até mesmo para aparecer na mídia, de outros esportes e esportistas que são muito almejados em nossa terra. Afinal, depois que a febre Guga passou, a quantas anda o tênis na mídia? O fisiculturismo? O boxe? O judô?

Cátia Valéria, campeã de fisiculturismo, acumulou ao longo de sua carreira inúmeros títulos nacionais e interna-cionais. E quem mais, além de seus amigos e familiares, a patrocinou na vida? Quantas vezes a mídia ofereceu espaço a Cátia? Volto à primeira frase deste artigo: Dois mil e seis chegou trazendo esperança. Esperança para que a mídia e as marcas abram seus olhos rumo aos títulos que poderemos trazer para nosso país incentivando tanta gente boa que temos. Esperança de vermos a criatividade publicitária voltar ao seu auge e acabar com tanta mesmice. Torcer pelo Brasil e sua sexta estrela, mas sem esquecer que muita gente só precisa de oportunidade para brilhar mais.

A depender do jogo, o ás de copas não quer dizer absolutamente nada, apesar de a Copa estar na moda. Rei é mesmo quem entende que onde menos se espera pode haver uma mina de ouro e faz acontecer merecendo encontrá-la.

     
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