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Sidney Wanderley:
de pai pra filho desde 1963
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Fundada em 1963. Distribuindo para 184 municípios de Pernambuco. 18.000 pontos-de-venda. 38 caminhões. 300 vendedores. Única distribuidora das cervejas Brahma no estado. Eis a DGB - Distribuidora Guararapes de Bebidas. Um negócio de família: Estevão de Barros Silva, fundador, a passou para seu filho Aurino que repassou para seu rebento Sidney Wanderley Silva. Mas a vida é uma montanha-russa. Com loopings.
Em outubro de 1996, a AmBev decidiu ela mesma distribuir as cervejas Brahma. Perdendo o seu principal produto, Sidney Wanderley olhou para o seu patrimônio: possuía estrutura suficiente para distribuir em larga escala. “Mas faltava o produto”. Produzir cerveja exigia mais do que seu bolso poderia suportar. Correu para o Sul do país. Visitou várias fábricas de pequeno porte que produziam refrigerantes e percebeu que no Nordeste não havia tal prática - muito menos, bons refrigerantes. Recifense, alvirrubro e apaixonado por Pernambuco, Sidney voltou com uma idéia na cabeça e muita disposição. Em 15 dias montou a Frevo Brasil Indústria de Bebidas. Fabricando refrigerantes nos sabores guaraná, limão e laranjada. Mais tarde chegava o sabor cola com propaganda corajosa: um garotinho usando latas de Coca-Cola como escada pra pegar uma Frevo. “Respingou até em Atlanta, que é a sede da Coca-Cola”. Vendas triplicadas. Em dois anos a Frevo assumiu 25% da parcela do mercado. Ganhou diversos prêmios em marketing - área na qual Sidney Wanderley é formado, inclusive o Top de Marketing, prêmio nacional, em 1999. “Atestado de que o produto tem qualidade fantástica”. Para Sidney, “cerveja é a bebida dos deuses, cerveja é alimento”. Vendendo a loirinha desde os 16 anos, não estava satisfeito em fabricar apenas refrigerantes e água mineral. Também não havia sido bem-sucedido no ramo de aguardente com a 40°. Decidiu, finalmente, investir na fabricação de cerveja. Infelizmente, a concorrência com a AmBev e Schincariol era muito forte. O público também não aprovou o sabor. Frustração? Jogar a toalha? Definitivamente não. A cerveja Frevo voltou em 2006 com nova fórmula, mais encorpada. “Chegou o mais novo sabor do Brasil”. É pouco?
Como campanha promocional, a cerveja foi comercializada no mês de janeiro ao preço de R$ 0,70. Após 72 horas, não havia nem uma latinha sequer nas grandes redes de supermercado do Recife. E Sidney avisa: “2006 é marketing”. E marketing pesado para a nova cerveja. É ano de cair em cima e conseguir abocanhar 15% do mercado em Pernambuco - hoje a Frevo detém 4%. Vídeos para TV, jingles, outdoors e embalagens promocionais para a Copa do Mundo. Está também previsto o lançamento da Frevo Premium, para o consumidor mais exigente.
“A Frevo sempre será uma empresa pernambucana, com raízes pernambucanas”. Atualmente distribuindo para outros cinco estados nordestinos - Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte - Sidney “Frevo” quer mais: “Queremos ser nacional, mas é um projeto para três, quatro anos”. E não pense que é blefe. Sidney Wanderley, 47 anos, pai de três filhos homens, sentado em sua sala, rodeado de troféus, penduricalhos alvirrubros e com seu charuto aceso não se acomoda. O homem que fez de sua história a história de um patrimônio entende do que diz: “Sempre haverá espaço para a cerveja regional, que conhece o paladar da terra”. |