| Indo de encontro ao pensamento de muitos estudiosos da comunicação, a tecnologia vem se aperfeiçoando e mostrando ser um aliado para um antigo meio de comunicação em massa: o rádio. A televisão não substituiu, tampouco tirou a funcionabilidade do aparelho radiofônico. Assim como a internet, que trouxe novos caminhos.
É verdade que o rádio não vem sendo utilizado da melhor forma nos tempos modernos. Mas esse mau uso não é significado de sumiço do meio. Para resgatar a antiga boa utilização do rádio, atitudes partindo das faculdades de comunicação social e das próprias rádios estão sendo tomadas. Em Pernambuco, a Aeso (Faculdades Integradas Barros Melo) fundou, em 2001, o Estúdio de Rádio com a finalidade de atender a demanda dos cursos de comunicação. O estúdio tem a participação de um professor, o jornalista/radialista Marcos Araújo, para coordenar e dois estagiários. "O Estúdio de Rádio não é uma rádio, é um laboratório para as atividades práticas dos cursos de comunicação da Aeso. Vinculado ao nosso estúdio existe a Web Rádio Aeso (www.barrosmelo.edu.br/radioaeso), mas não temos programação 'ao vivo'. Todos os conteúdos estão disponíveis como arquivos", explica o coordenador. A Web Rádio é um ótimo exemplo da parceria entre tecnologia moderna (internet) e o sistema radiofônico. Através do site, estão disponíveis programas como o "Variedades". Nele está o Projeto Memória Nacional, um trabalho premiado do professor José Caminha e seus alunos. O projeto é uma homenagem a Marlene, a Rainha do Rádio, uma das melhores intérpretes da música popular brasileira. Novas rádios também estão apostando no fortalecimento do meio fazendo um mix de músicas e informação para cativar tanto os ouvintes acostumados com o modelo tradicional de programação de rádio quanto os ouvintes das novas gerações, que cresceram em meio a uma explosão de sintonias FM, nas quais os carros-chefes são as músicas comerciais. A Rádio Folha, de Recife, surgiu com esta pretensão. Na sua grade de programação estão disponíveis programas de informação e entretenimento (com bastante música). Recentemente estreou o programa Popcast, exibido aos sábados, das 18h às 19h. Apresentado por Bruno Nogueira e Daniela Arrais, o programa tem proposta de ser um espaço para as bandas alternativas pop rock. “O Popcast veio para ajudar na divulgação das bandas de pop e rock mostrando novos trabalhos de grupos locais e de grupos já consolidados, com entrevistas e comentários. É um programa descontraído, mas com um conteúdo informativo de qualidade”, explica a gerente da Rádio Folha FM, Marise Rodrigues. Ela destaca ainda a dificuldade de conseguir patrocínios para programas desta linha. Com o roteiro e seleção musical de Eduardo Martins e Rodrigo Édipo, está disponível também em formato on-line o programa “Solto na Buraqueira”. Temático e semanal, o programa surgiu de uma parceria entre o site Giro Cultural e o Fábrica Estúdio, onde é gravado e mixado. A equipe optou por se desprender um pouco da cena musical pernambucana, para acrescentar à seleção outras bandas e artistas com a importância e qualidade dos pernambucanos. Músicas de vertentes diversificadas podem ser ouvidas a cada programação. Já foram tema do programa: Bob Marley, Mutantes, Nelson Gonçalves, Roberto Carlos, Nação Zumbi, Mundo Livre, Eddie, Parafusa, Volver, entre outros. Além das músicas, os apresentadores Kleber Crócia e Sabrina Valença falam sobre o artista, contando curiosidades e novidades da carreira de cada um. Trabalho semelhante também foi implantado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Rádio Faced (www.radio.faced.ufba.br), que é parte de um projeto de pesquisa intitulado Do MEB à WEB: O Rádio na Educação. Foi criada a partir das discussões oriundas da disciplina polêmicas contemporâneas, dada pelo professor e coordenador do projeto, Nelson Pretto, e possui programação musical e conteúdos sobre inclusão digital, economia solidária, crônicas, variedades e uma rádio-novela, a Passado a Limpo.
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