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   Ano VII | Maio - 2006 | nº 80 | Capa: CQueiroz Comunicação

     
ADIDAS 10 X 0 NIKE
Que banho deu Zidane em Ronaldo. Que banho deu a Adidas na Nike
Humberto Montenegro | humberto@ampla.com.br
 
A líder mundial em marcas esportivas Nike, fundada em 1971, um ano após o tricampeonato do Brasil, não conseguiu emplacar seu conceito na Copa de 2006: "Joga Bonito". A marca foi pra frente com tudo, atacou sem piedade, e chegou na Copa patrocinando algumas seleções. Mas deu tudo errado. O Brasil, que está encerrando este ano seu contrato de US$ 200 milhões com a Nike, era a grande esperança do tal "Joga Bonito".

Atacando com Ronaldo, Adriano e Ronaldinho Gaúcho, os grandes atletas da Nike, que nas propagandas esbanjavam talento, não conseguiram fazer nada na vida real. A bola nem na trave bateu, ao contrário da propaganda de Ronaldinho Gaúcho. "Prrrrrrrrra foraaaaa", grita o Galvão. A última esperança era a Seleção Portuguesa, semifinalista da Copa e também patrocinada pela Nike. Mas Felipão acabou com o sonho do slogan da Nike, assim que se classificou para as quartas-de-final, ele respondeu aos jornalistas que seu time não jogava bonito e completou dizendo que quem jogou bonito estava fora da Copa.

Nessas alturas, acredito que a cadeira do diretor de criação da campanha da Nike tremeu. Essa não foi a Copa do Joga Bonito, foi a Copa da coletividade, dos onze em campo. Exatamente o conceito trabalhado pela Adidas para essa Copa: "+ 10". A França/Adidas provou que nada é impossível ("Impossible is nothing": conceito institucional da marca). Ganhou do time mais temido da Copa, naquele dia foi "Zidade + 10". A Adidas não parou por aí, deu um traço e de letra marcou um golaço no design de suas camisas. A bola da Copa, da Adidas, tinha escrito: "Teamgeist" ou "Espírito de Equipe". Mais um gol lindo. Como em qualquer competição, quem joga em casa tem mais chance de ganhar e a Adidas, marca alemã, fecha a Copa em estado de graça, corre para sua torcida e comemora feliz da vida porque conseguiu colocar um time na final: a França/Adidas.

Para a festa ficar em família, a sua irmã Puma, igualmente Alemã, patrocinadora da Itália, também está rindo à toa. Bem, fica só a lembrança de que em 90 a Adidas ganhou; em 94 foi a Nike; em 98, Adidas; em 2002, Nike; e agora em 2006, Adidas. Será? E se continuar assim, até 2010, torcendo para a Nike renovar, daqui para lá tem muito tempo para curar as bolhas.

(Esse texto foi escrito logo após o jogo Portugal e França)

     
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