revista de comunicação e marketing NE
Anuncie Expediente Edições Anteriores Lista de Discussão
Matérias
Seções
Giro
 
  Giro Brasil
 
  Na Web
 
  Entrevista
 
  Ficha técnica
 
  De olho na campanha
 
  A Vez do Cliente
 
  Click
 
  Eu recomendo
 
  Brainstorm
     
Nome :
E-mail :
Estado :
Cidade :
 
 
   Ano VII | Maio - 2006 | nº 80 | Capa: CQueiroz Comunicação
     

"A PRESSA É INIMIGA DA DEMOCRATIZAÇÃO”
Governo federal define o padrão que vai nortear o futuro da TV digital e gera polêmicas acerca da “precipitação” em se decidir pelo modelo japonês. Segundo segmentos da sociedade, a escolha representa a morte do sistema brasileiro de TV digital (SBTVD)

Luciana Torreão

 
  "O que o governo fez foi escolher o remédio antes de diagnosticar a doença", resume Ivan Morais

N A frase lá em cima, de autoria do jornalista e integrante do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) - uma das entidades pernambucanas que fazem parte da Frente Nacional pela Digitalização Democrática de Rádio e TV -, Ivan Morais, expressa bem o que pensam os movimentos que lutam pelo direito humano à comunicação, que, com alguns políticos, são contrários à decisão do governo federal. A opção pelo padrão japonês de TV digital (ISDB) acirrou a polêmica em torno do assunto, cuja escolha foi considerada precipitada por vários segmentos da sociedade. Mas o fato é que, bem ou mal, a nova tecnologia trará novos paradigmas e formas de se ver, usar, fazer e entender televisão: alta definição, interatividade e mobilidade.

De acordo com o ministro das Comunicações, Hélio Costa - árduo defensor do ISDB -, o modelo adotado corresponderá a um produto nacional. Ou seja, por que não dizer que teremos praticamente um modelo “nipo-tupiniquim”? Afinal, esse modelo incorporará inovações tecnológicas criadas no Brasil. Por outro lado, a tecnologia japonesa contava também com a preferência das emissoras de TV. A transmissão direta e gratuita da programação de TV nos telefones celulares era um dos principais argumentos de Hélio Costa para a defesa do modelo. As emissoras estimam que poderão dar início à operação comercial em seis meses.

A TV digital brazuca chegará inicialmente nas capitais brasileiras e no Distrito Federal e, em sete anos, deverá estar em todo o Brasil. A transição da TV analógica para a digital deve ocorrer em dez anos. Apesar de o governo afirmar isso, experiências de outros países como os EUA mostram que o prazo pode passar de 15 anos.

De acordo com o ministro Hélio Costa, que também é jornalista, o projeto foi feito por cerca de 1.500 pessoas que estudaram exaustivamente para tornar a TV digital acessível. Ele salientou que a novidade precisa atender a todos os brasileiros, sem restrição de classe. Por sua vez, o ministro das Comunicações do Japão, Heizo Takenaka, frisou a importância de o Brasil desenvolver um modelo próprio baseado no japonês. Ele admitiu que o seu sistema contribuirá para o desenvolvimento de novas tecnologias no Brasil, e se comprometeu em apoiar a indústria eletroeletrônica do país.

“O problema nem é necessariamente quanto ao modelo japonês, nem se resume apenas à questão técnica. O fato mais relevante são outras coisas que precisavam ser discutidas antes mesmo de se escolher um padrão tecnológico. O que o governo fez foi escolher o remédio antes de diagnosticar a doença”, resume Ivan Morais, que também é articulador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). Morais diz que há outras discussões, como a política de concessões, a multiplicação dos canais, a formatação dos sistemas públicos e estatais. “Tudo isso, que deveria acontecer antes da escolha do padrão, ficou de fora. E são discussões que ficam complicadas de ser realizadas depois que o sistema estiver montado e andando. Perdeu-se a consciência de que a digitalização da TV (e do rádio) não é uma coisa tão simples como foi passar de P&B pra colorido”, ressalta.

 
  Ivan Feitosa diz que o padrão atende bem as expectativas do mercado

DEBATE POLÍTICO - O deputado Orlando Fantazzini (SP), líder do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), afirmou que o governo federal desconsiderou por completo o debate sobre a TV digital proposto pela sociedade ao firmar um decreto que define o padrão japonês como o novo padrão tecnológico de tevê adotado pelo País. Segundo Fantazzini, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) deliberou por unanimidade uma audiência com a Presidência da República. O deputado, que é integrante da CCTCI e coordena a campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania", por melhor qualidade na programação das TVs, diz que o governo não trata a comunicação como uma política de Estado. "Lamentavelmente, o governo não teve coragem nem vontade de enfrentar as concessionárias de comunicação que têm um lóbi poderosíssimo no Congresso Nacional. A atitude do governo federal não atendeu os interesses da sociedade brasileira ao desconsiderar os investimentos feitos no país para o desenvolvimento da tecnologia nacional", afirmou.

Na outra ponta, o presidente da Associação das Empresas de Radiodifusão de Pernambuco (Asserpe) - braço da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) -, Ivan Feitosa, diz que o padrão atende bem as expectativas do mercado e que a partir de então surgirá um modelo de TV, com o telespectador - recebendo uma grande oferta de conteúdo. “Trocando em miúdos, ele sai da condição de simples telespectador e passa a ser participante ativo deste processo. Sendo assim, o sistema ISDB contempla a radiodifusão brasileira que lutou muito por ele. A Abert junto com a Asserpe e outras entidades deram grande contribuição. Considero que foi uma boa escolha. Aqueles que enxergarem melhor as oportunidades de negócios, sairão na frente”, destaca Feitosa.

 
  Marco Antônio Alves: "é comum ocorrer no processo de evolução tecnológica, alvoroço substancial”

O coordenador de Mídia da SLA Propaganda (BA), Marco Antônio Alves, afirma que, “como é comum ocorrer no processo de evolução tecnológica, novas mídias e novos padrões de transmissão de conteúdo provocam alvoroço substancial”. Alves reitera que o sistema IDSB é o melhor para as TVs brasileiras, pois é o que trará menor impacto para os seus negócios, sem prejudicar o diferencial competitivo mais rentável dessa tecnologia, a interatividade. A recepção pelos celulares seria gratuita e apenas a interatividade paga. O sinal não precisaria passar pela rede de telefonia, pois o celular se transformaria em receptor de TV apenas com a instalação de um chip.

DE OLHO NO MERCADO - Segundo Marco Antônio Alves, o padrão americano não estimula a mobilidade e, portanto, não permite a transmissão de imagens pelo sistema para celulares, fator negativo no aspecto comercial e de investimentos para as empresas de telefonia, embora possua melhor definição de imagem real. O europeu, já adotado por 50 países, pode ser considerado o mais democrático, já que privilegia a multiprogramação, estimulando a entrada de novos conteúdos, o que não agrada às grandes corporações de comunicação, pois estimula a concorrência. “Do ponto de vista do telespectador, esse seria o modelo ideal, pois permite a diversidade de conteúdos, quebrando o monopólio de programas repetitivos e incentivando a real criatividade”, pondera.

Para Ivan Morais, “escolhendo um padrão tecnológico apenas para agradar aos radiodifusores, perdemos a chance de revolucionar verdadeiramente a maneira de se assistir televisão. Poderíamos estar criando outros canais à disposição de segmentos da população que permanecem invisíveis. Poderíamos dar mais ênfase à interatividade, que não é priorizada pelos japoneses. O governo tomou uma decisão agoniada, cercada de mentiras como a de que 'estamos atrasados'. Como se pode tomar uma decisão como esta em ano eleitoral, quando o governo 'precisa' tanto dos donos da mídia? Esse momento era uma chance de se mudar isso. Com essa decisão do governo, podemos estar perdendo uma oportunidade histórica”. E as entidades que formam a Frente Nacional pela Democratiza-ção de Rádio e TV Digitais já pensam em entrar na justiça contra a decisão.

 
  A migração de tecnologia para o padrão digital é mais uma oportunidade que surge no segmento de comunicação, diz Tony Clemente, da CQueiroz Comunicação

Em contrapartida, o sócio-diretor da CQueiroz Comunicação (PE), Tony Clemente, enxerga a migração de tecnologia para o padrão digital de TV como mais uma oportunidade que surge no segmento de comunicação e que, certamente, vai estimular novos negócios, novas empresas e novos formatos comerciais entre agências, produtoras e veículos. “Estamos a um passo de uma nova e empolgante era digital, mas, nós que fazemos o mercado de comunicação girar, não podemos nos esquecer de migrar nosso raciocínio de analógico para digital também, porque sem isso nossas empresas serão ultrapassadas pelas novas, que, sem amarras culturais, modelos pré-definidos ou paradigmas a ser desconstruídos, já chegarão pré-moldadas a assumir a liderança dessa revolução tecnológica”, avalia Clemente. O diretor de Mídia da GCA Comunicação (PB), Hermesson Teixeira, concorda e diz que o mercado publicitário só tem a ganhar. “O diferencial é que realmente vai fazer a 'diferença'. Com a escolha dos horários que o telespectador poderá fazer, o público será mais segmentado, e o problema de um programa estar sendo exibido no mesmo horário de uma reunião importante será resolvido. Ele poderá assistir na íntegra o compacto sem cortes em horário posterior”, destaca.

Para o diretor de Criação da S/Oliver Comunicação, de Garanhuns (PE), Sérgio Oliveira, a convergência tecnológica da internet com outros meios (TV, rádio e telefones de última geração) assegura a entrada de todos os consumidores em uma fase de globalização telemática, ou seja, pode-se dizer que os computadores e a convergência tecnológica tornam possível a teoria pós-moderna. “Sem dúvida, a convergência tecnológica trará mudanças significativas para a televisão devido à mídia interativa. A idéia padronizada que se tem é que a TV será incorporada à mídia interativa, não sendo mais vista como um meio isolado. As profissões de comunicação têm como ferramenta de trabalho, além da informação, os meios de comunicação e as características intrínsecas de cada um”, esclarece.

Contudo, o gerente-técnico da TV Tambaú - afiliada do SBT em João Pessoa (PB) , Wellington Sampaio, afirma que a interatividade será um problema para a implantação do sistema no Brasil, pois “teremos que ter um canal de retorno para cada telespectador, o que teoricamente não teríamos espaço no espectro para milhões de telespectadores, mas isso pode ser resolvido com retorno via telefone, fibra ótica, etc. Esperamos que os políticos façam a sua parte para que possamos finalmente implantar o sistema de televisão e rádio digital no pais”.

 
  Hermesson Teixeira diz que o mercado publicitário só tem a ganhar

O DESAFIO DAS TVS A CABO - Antes mesmo de o sinal da TV digital começar a ser transmitido no Brasil, as operadoras de TV por assinatura ganharam grande desafio. Para exibir os futuros canais das emissoras abertas com alta definição e interatividade, vão precisar trocar as caixinhas conversoras usadas nas residências de seus assinantes. Tudo porque desistiram de esperar pela decisão do governo e resolveram entrar na era digital por conta própria. Algumas empresas decidiram adotar o padrão europeu (DVB) para oferecer os seus serviços e o conteúdo interativo - é o caso da TVA e da NET, em São Paulo.

O diretor-presidente da Acom Comunicações SA (RJ), empresa presente em quatro praças do Norte e Nordeste, Mário de Paula, diz que praticamente 95% do conteúdo disponível nos satélites se encontra em conformidade ao padrão DVB. Nesse sentido, a totalidade das empresas de TV por assinatura que já adotaram a tecnologia digital, como é o caso da Acom Comunicações desde o ano 2000, padronizou suas operações para essa utilização, adotando equipamentos decodificadores de sinais capazes de receber e interagir com esse mesmo padrão DVB. Dessa forma, caso o Brasil adotasse o padrão DVB para a transmissão da TV digital terrestre, praticamente não haveria investimentos para as operações de TV por assinatura.

A partir da escolha do padrão japonês, existirá a necessidade de investimentos por parte das operadoras de TV por assinatura, principalmente em equipamentos que permitam a comunicação entre os dois padrões. “Para os clientes de TV por assinatura não deverá existir prejuízo. Pelo contrário, serão beneficiados por mais conteúdos disponíveis. Já para os telespectadores de TV aberta, que quiserem usufruir a transmissão digital, será necessária a aquisição de um aparelho de TV digital ou de um conversor (set-top-box) acoplado a um monitor digital, onerando os consumidores pela necessidade de investimentos”, explica Mário de Paula.

O diretor da Acom afirma que, no caso das operadoras de TV a cabo já digitais, a grande oportunidade se dará pelo nivelamento da concorrência com as operadoras analógicas, que hoje ofertam o serviço sem a necessidade de aplicação dos decodificadores de sinais digitais, item de extrema representatividade no quadro dos investimentos necessários à operação. “Para essas operadoras analógicas, só restará a possibilidade de digitalizar as suas operações através de vultosos investimentos ou deixarão de existir pela total incompatibilidade de coexistência com o padrão digital. Já o mercado de comunicação como um todo, será beneficiado pelo incremento na geração de conteúdos e de canais, uma vez que cada canal, hoje analógico, poderá ser transformado em quatro canais digitais. A pergunta que fica é se haverá mídia suficiente para rentabilizar e permitir a oferta de todos esses novos canais, pois essa é a grande fonte de receita dos canais abertos”, questiona Mário de Paula.

 

TV - LCD
TV - Plasma - 42"

As TVs de alta tecnologia ganharam lugar especial na lista de desejos dos consumidores. Com a iminência da chegada da TV digital esse desejo vem aumentando. Porém, tanta tecnologia ainda gera muitas dúvidas na hora de escolher um aparelho. O que é mais importante levar em consideração e como escolher o melhor aparelho? Atualmente, há no mercado opções de plasma e cristal líquido - conhecido pela sigla em inglês LCD. As telas de plasma só são encontradas a partir de 42''. Já nas de LCD, a tecnologia permite encontrar telas a partir de 13'' até 71''. Essa tecnologia é usada também em celulares, visores de câmera digital e monitores de computador, entre outros.

O gerente de Logística da PlasmaShop (SP), Thiago Yuji Sato, diz que apesar de comercializar marcas japonesas, os produtos comprados para distribuir no Brasil são voltados para o público da América Latina. Ou seja, nenhum deles vem pronto para o padrão japonês. A PlasmaShop é uma loja especializada em produtos de alta tecnologia do Japão, e traz para o Brasil TVs das marcas Hitachi, Pioneer e Sharp pioneira na tecnologia LCD.

“Atualmente nenhuma marca vendida no Brasil está realmente pronta para a TV digital. Inicialmente todas as pessoas terão que comprar o set-top-box para receber a transmissão. Muitos esperavam a definição pelo padrão para trocar o televisor antigo por um de LCD ou Plasma; então a expectativa é a de que aumente a venda desses tipos de televisores”, avalia. Mas vale lembrar que inicialmente todos terão que comprar o set-top-box, para receber a transmissão digital.

“A maioria dos televisores que estão no mercado (principalmente os mais baratos) é de baixa resolução (480 linhas). A TV digital pode transmitir imagens de até 1080 linhas, ou seja, um televisor de 480 linhas não consegue aproveitar toda a qualidade de imagem de uma TV digital. Existem televisores no mercado com 768 linhas que oferecem qualidade de imagem superior. E também existem alguns modelos (muito poucos) que possuem resolução de 1080 linhas (True HDTV). Mas esses televisores de 1080 linhas possuem custo muito elevado. Portanto, televisor de 768 linhas já é um bom investimento”, explica Sato. Entretanto, independentemente da tecnologia, para usufruir de toda essa qualidade é preciso estar disposto a desembolsar valores que variam entre cinco e quinze mil reais, conforme o modelo desejado.

 

     
Recife . Salvador . Fortaleza . Natal . João Pessoa . Maceió . Teresina . Aracaju
contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site