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Antônio Carlos |
Falar de publicidade em Pernambuco é falar de Antonio Carlos Vieira. Nos anos 60, junto com o irmão Luiz Geraldo Vieira, ele funda a Aliança Propaganda. Em 1979, deixa a sociedade e cria sua própria agência, a Arcos Comunicação. De seus filhos, dois (Antonio Júnior e André Gustavo) atuam como sócios da Arcos, e outro (Luiz Henrique Vieira), na Level Comunicação. O começo dessa carreira que une gerações de uma mesma família se deu na televisão, com o programa Noite de Black-Tie, de seu irmão. “Eu respondia pelos comerciais. Como não havia equipamentos para gravar vídeo, tudo era mais difícil, porque era ao vivo. Não se podia errar, e isso funcionava como um desafio para mim. Por mais de cinco anos, pus no ar inúmeros comerciais ao vivo sem um único erro de edição. Foi dessa forma que conheci o que era propaganda e sua importância na vida e sucesso do anunciante. O melhor é que também aprendi a realizá-la”, diz o presidente eleito do Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco (Sinapro), cargo que ocupa pela segunda vez. O dia de parar? “Sinceramente, não sei. Deus é quem vai determinar esse tempo”, afirma. PRONEWS - Como é conciliar a função de presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco e a de diretor-presidente da Arcos Comunicação?
ANTONIO CARLOS VIEIRA - Penso nisso de uma forma tão simples quanto ela de fato é. No Sinapro, trato dos assuntos do Sinapro. Na Arcos, trato dos assuntos da Arcos. São duas coisas tratadas em tempos diferentes. Na Arcos, o desafio fica por conta de Antonio Jr. e do André Gustavo, que junto com seus sócios Ângelo, Paula e Renato têm sabido conduzir muito bem os destinos da agência. No Sinapro, o desafio fica por minha conta e da diretoria que é formada por profissionais diretores de agências, todos muito conscientes das necessidades de se fazer uma administração que venha atender os anseios da nossa atividade como forma de colocar a propaganda no patamar de negócio que ela merece.
RPN - Quando o sindicato foi fundado e para exercer que papel junto ao mercado publicitário local?
ANTONIO CARLOS Parece que foi ontem, mas o Sinapro foi fundado há 22 anos, por Severino Queiroz. Tive o privilégio de ser seu primeiro presidente. O país vivia um momento novo, com a abertura política e novas relações de trabalho. O sindicato surgiu para tratar dos assuntos legais da nossa atividade junto a diversos órgãos, participar da melhoria da qualidade da nossa propaganda (como a realização de eventos) e proporcionar a maior união da classe. Nos três anos do mandato que me confiaram, serei um árduo defensor do cumprimento do nosso código de ética.
RPN - Que conquistas foram obtidas por meio da entidade?
ANTONIO CARLOS Tivemos a sorte de ter à frente do Sinapro pessoas de visão e preocupadas com a melhoria da propaganda. Foram várias as conquistas que obtivemos a partir de ações do sindicato, muitas delas junto a veículos, fornecedores e a órgãos públicos, além da maneira sempre madura e civilizada com que conduzimos anualmente as negociações salariais da categoria. Temos 27 agências associadas, mas queremos fazer esse número crescer, o que foi uma das propostas apresentadas no meu plano de trabalho. Quando uma agência participa do Sinapro tem em contrapartida a certeza de contar com uma entidade ativa e atuante em defesa dos seus interesses. Tanto no Recife quanto em todo o país, já que somos associados à Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), que congrega os sindicatos de todos os estados.
RPN - É possível para a pessoa comum - aquela que acompanha a publicidade divulgada em meios como TV, rádio e jornal - perceber que o Sinapro vem desem-penhando bem seu papel? De que forma?
ANTONIO CARLOS - Nos últimos dois anos, como um dos integrantes da diretoria do Sinapro, promovi mudanças que proporcionaram várias facilidades para quem acessa o site do sindicato. Através do conteúdo do www.sinapro-pe.com.br pode-se ter informações úteis a quem se interessa pelo negócio da propaganda e de observar a importância da nossa atividade na economia e no mercado. Todas as leis, decretos, instruções, normas que regulam a publicidade e a tabela de referência de custos dos serviços prestados por uma agência estão lá. Além disso, podemos atuar para rever alguma mensagem que esteja no ar e possa não estar de acordo com os princípios éticos recomendados para a propaganda. Nessa hora, qualquer consumidor sentirá os efeitos de nossa ação. O Sinapro atua na defesa dos interesses das nossas agências associadas, mas está sempre atento para que o consumidor seja respeitado com uma propaganda bem-feita e honesta.
RPN- O que a nova gestão do Sinapro tem a apresentar ao mercado para este e também para os próximos anos?
ANTONIO CARLOS - Vamos investir, através do Fórum da Propaganda em parceria com a Abap-PE, na promoção de eventos do interesse das agências e do mercado publicitário. Vamos lutar com outros sindicatos da propaganda para que nosso negócio seja incluído no regime do Simples, o que vai melhorar as condições de operação de muitas agências pequenas e aumentar o nível de emprego na nossa atividade. Vamos lutar pela redução da alíquota do ISS junto a prefeituras - a exemplo do que ocorre em outros locais, como São Paulo, desde a gestão de Marta Suplicy. Vamos realizar também um censo da propaganda pernambucana, como forma de conhecer melhor o tamanho da nossa atividade. Em parceria com os sinapros de outros estados, vamos trabalhar junto com o Cenp e reavaliar os altos números de agências cadastradas, algumas sem as mínimas condições. Sem contar que poderemos ter contribuições e sugestões de nossos associados. A propaganda em Pernambuco sempre se destacou por sua capacidade de vencer desafios. Vivemos um momento de transição em que novas idéias são sempre bem-vindas. As experiências que vivenciamos no Fórum da Propaganda, evento promovido pelo Sinapro e Abap e que se realiza todos os meses, se transformarão em breve no desenho de um perfil para o nosso negócio. Esse conjunto de coisas só trará benefícios e renovará o nosso negócio.
RPN - O que o Sinapro tem feito para se aproximar dos profissionais de publicidade e dos estudantes que estão entrando no mercado? O que a nova gestão pensa a respeito?
ANTONIO CARLOS - Muito tem sido feito nessa área, especialmente através do Fórum da Propaganda em parceria com a Abap-PE: cursos, palestras, encontros com profissionais de agências. Enfim, ações de grande repercussão. A nova diretoria do Sinapro pensa sentar com os diretores de faculdades que oferecem cursos de propaganda e publicidade para encontrar a melhor forma de fazer com que o aluno, ao final de seu curso, saia da faculdade sabendo o que ele quer ser dentro de uma agência de propaganda como opção de função. Ou seja, ele saber escolher durante o curso a sua opção profissional como publicitário: redator, mídia, diretor de arte, atendimento, produtor gráfico, etc. Uma coisa que hoje não está acontecendo. Isso é muito prejudicial para a sua formação.
RPN - Como o Sinapro, e também os publicitários, avalia a aprovação da Lei 11.300, que altera profunda-mente a forma de se fazer propaganda política no país (ela proíbe a realização de showmícios e a produção de brindes, para citar algumas mudanças)?
ANTONIO CARLOS Essa é uma questão ainda aberta. Tudo parece muito confuso e feito às pressas. Não dá para avaliar com profundidade. Apenas um exemplo de como tudo foi muito apressado: um candidato não pode fazer camisas para distribuir com seus eleitores. Tudo bem. Mas vai que eu, concorrente desse candidato, mando fazer cinco mil camisas com o nome dele e solto na rua. Como fica esse candidato que não mandou fazer nada? Vai ter a candidatura cassada. Com base em quê, e com que provas contra ele? Ele vai dizer que não mandou fazer camisas, e aí? Mais bem pensadas e sem pressa, essas medidas vão modernizar o sistema eleitoral em qualquer parte do mundo, e isso é uma coisa que deve existir. Dessa forma, será um avanço para a propaganda política. RPN - Como ela pode afetar os profissionais direta-mente envolvidos com a propaganda política, como os que trabalham na produção de brindes ou na confecção de camisas e realização de shows?
ANTONIO CARLOS - É bom lembrar que campanha política é algo sazonal. As novas regras vão de fato afetar alguns negócios que ganhavam nesse período. Cabe aos dirigentes dessas atividades se programarem para buscar novas alternativas. Infelizmente, é assim que funciona todo mercado: restrições legais, novos concorrentes, competitividade de preços... São desafios que fazem parte do dia-a-dia de qualquer empresário. Para se estabelecer e manter vivo o seu negócio é preciso ser bem mais competente e corajoso. |