revista de comunicação e marketing NE
Anuncie Expediente Edições Anteriores Lista de Discussão
Matérias
Seções
Giro
 
  Giro Brasil
 
  Na Web
 
  Entrevista
 
  Ficha técnica
 
  De olho na campanha
 
  A Vez do Cliente
 
  Click
 
  Eu recomendo
 
  Brainstorm
 
  Vitrine
     
Nome :
E-mail :
Estado :
Cidade :
 
 
pe360graus
   Ano VII | Maio - 2006 | nº 80 | Capa: CQueiroz Comunicação
     

IRREVERÊNCIA SONORA EM IMAGENS
Anderson Lima

 

 

Muito escracho, bom humor e uma dose de irreverência. Assim foi marcada a trajetória da banda pernambucana Textículos de Mary, uma experiência glam rock com influência do movimento punk e da música brega em plena terra dos caranguejos com cérebro. Após fazer horrores nos palcos com suas lingeries, pistolas plásticas e acessórios de fazer corar o mais ousado dos leitores, Lollipop, Cilene Lapadinha e Chupeta ressurgem no vídeo-documentário Textículos de Mary e Outras Histórias, trabalho de conclusão do curso de jornalismo da Aeso (Faculdades Integradas Barros Melo), de Flávia Rosa Borges. “O vídeo conta a história da banda: o começo, as primeiras apresentações no bairro dos Milagres, em Olinda, os shows na Soparia do Pina e no Pina de Copacabana, o Abril Pro Rock, a passagem por São Paulo, o fim, etc.”, explica a profissional.

Para realizar a produção, de 24 minutos, a jornalista contou com imagens de shows, bastidores, fotos antigas, clipes e material de divulgação. Na edição, Fernando Peres, amigo da banda e integrante do coletivo Moluscos Lama (hoje, Telephone Colorido), foi o responsável por passar para a tela o espírito de desordem, irreverência e polêmica do grupo que conseguiu reunir de uma bióloga com mestrado em Harvard a um arqueólogo. Tudo, claro, sob a supervisão de Flávia.

Em seis meses de trabalhos, nove entrevistas foram realizadas pela profissional - que ouviu gente como o agitador cultural Roger de Renor e os jornalistas Renato L e José Teles. Algumas, filmadas com o apoio de profissionais da faculdade. Outras, pela própria Flávia. Incluindo a participação de dois curiosos personagens na abertura do curta. “Um vídeo da Textículos não poderia ser nada convencional. Então me surgiu a idéia de pegar o depoimento de travestis reais para abrir o documentário. Afinal, Mary, a mãe deles, era um travesti que fora espancado”, explica.

As falas são seguidas de hilariante animação envolvendo uma boneca Barbie e quatro Kens mal-intencionados para ilustrar a ficção criada para justificar o surgimento da Textículos de Mary. Conta a história que a travesti Mary é violentamente espancada e abandonada à própria sorte em um banheiro sórdido. Lá, ela decide cortar a própria genitália, que, em meio à imundície e resíduos humanos, sofre reações químicas que geram as travestis mutantes Lollipop, Cilene Lapadinha e Chupeta. Juntas, elas contaminam a banda de forró d'As Cachorra, que passa a acompanhá-las.

“A Textículos foi uma banda singular. Eles não tinham o menor pudor em deixar clara a sua opção sexual (os três vocalistas são homossexuais assumidos) e falar abertamente sobre drogas e homossexualismo sem se importar com o impacto que causariam. Ou melhor, se importavam, sim. Quanto mais constrangimento eles causassem naqueles que viam o show, melhor”, revela Flávia. Essa opção de não amenizar no teor de suas músicas e apresentações pode explicar a breve trajetória do grupo, formado em meados de 1990 e findo em 2004. “A intenção sempre foi 'tirar uma onda com a sociedade conservadora e falso-moralista em que vivemos', nas palavras deles”, revela Flávia. Intenção que fica nítida na (sub) versão de conhecida canção infantil cantada pela loira Xuxa em décadas passadas: porque eu sou bicha/Me apresenta pro He-Man/Teu irmãozinho é uma gracinha/E eu sou todinha do bem, presente no único CD da banda, Cheque Girls.

Com seu trabalho, Flávia espera ter deixado registrada a história de um grupo com qualidade musical, e de proposta que seguia caminho oposto ao traçado pelo movimento mangue, além de, possivelmente, ser a primeira banda brasileira a se declarar abertamente homossexual. O vídeo de Flávia já foi visto em festivais como o Mix Brasil, de cinema e vídeo da diversidade sexual; o Nóia, Festival Nacional de Cinema e Vídeo Universitário; e o Festival de Vídeo do Recife de 2005, dos quais saiu premiado.

     
Recife . Salvador . Fortaleza . Natal . João Pessoa . Maceió . Teresina . Aracaju
contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site