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   Ano VII | Agosto - 2006 | nº 81 | Capa: Arcos Comunicação (PE)

   
   
   
  COMUNICANDO EM NOVE POR TRÊS
Anderson Lima
 
 
  Mauro Santos, presidente do Conselho de Administração da Central do Outdoor
   

Seus primeiros degraus como profissional foram galgados há 35 anos, quando ele alternava o trabalho com os estudos de direito, na firma que gerencia até os dias de hoje: a Bandeirantes Mídia Exterior. “Naquela época, a empresa funcionava em um galpão pequeno, no fundo do quintal de meu saudoso avô, Luiz Capibaribe Santos”, recorda Mauro Santos, diretor-regional e de Operações da Bandeirantes. Hoje, graças ao tempo e à dedicação, a empresa ampliou instalações, diversificou a oferta de produtos e serviços, verticalizou a produção e expandiu sua área de atuação para cinco estados do Nordeste. Mas Mauro também é o primeiro pernambucano a ser eleito, por aclamação, presidente do Conselho de Administração da Central de Outdoor, sediada em São Paulo. A entidade é uma instituição civil sem fins lucrativos que reúne mais de 1300 empresas exibidoras. Fundada em 1977, a Central surgiu da necessidade de agências e anunciantes em padronizar a operação com o meio. O que esperar da nova gestão? “A melhoria visual dos engenhos, a interação deles com os consumidores, o melhor aproveitamento de espaços urbanos e o estudo de novos formatos mais adequados e compatíveis com a urbanização e modernização das cidades”, adianta Mauro Santos.

REVISTA PRONEWS - Você é o primeiro pernambucano a ocupar a cadeira de presidente do Conselho de Administração da Central de Outdoor. O que essa conquista representa para o mercado local?
MAURO SANTOS - Todo cargo exercido em nível nacional por pessoas do nosso estado ou da nossa região representa uma conquista que pode contribuir para a elevação do nível de nossas atividades. Isso não pode ser feito unilateralmente, mas, sobretudo, se contarmos com a união e o interesse de todos aqueles que procuram valorizar e que tenham esse sentimento. Se tivermos isso, nosso estado e região sairão fortalecidos com a experiência de profissionais de outros estados, com a qualificação ainda maior de nossos profissionais e a saudável discussão sobre os caminhos e rumos das atividades que cada setor apresenta. Precisamos ocupar os espaços, sermos propositivos e proativos, criando fatos e eventos que estimulem e possibilitem essa exteriorização de idéias e de posicionamentos.

RPN - Um tema que tem provocado polêmica é a minirreforma da Lei Eleitoral brasileira, que proíbe uso de outdoor, produção de camisas e distribuição de brindes pelos candidatos a seus eleitores. Como o setor de mídia exterior tem encarado a questão?
MAURO - Foi um grande erro a exclusão do outdoor no processo de propaganda eleitoral. Entre as diversas razões para isso, apontaria o prejuízo para os candidatos, especialmente os novos, que deixarão de ter um veículo adequado para divulgar suas propostas e posições. O outdoor é altamente fiscalizado pelos poderes municipais e a Justiça Eleitoral distribuía igualitariamente os espaços entre as coligações, sem favorecimento algum. Também não é algo oferecido diretamente ao eleitor, que o induza a votar em alguém. Além disso, o uso do poder econômico não será evitado, pois os recursos daqueles que o possuem serão canalizados para outras formas de práticas informais, talvez aumentando bastante o custo dos candidatos e das campanhas eleitorais.

RPN - Que prejuízo a reforma pode causar ao setor? Que providências a Central tem tomado a respeito?
MAURO - De grande dimensão, pois geralmente os anunciantes da atividade privada se afastam da mídia nesse período eleitoral, seja por não querer dividir espaço com o marketing político, seja porque as atenções estão desviadas para a discussão política. O caminho legal foi tentado, mas encontramos uma série de dificuldades. Nos resta trabalhar para inverter a proibição para as próximas eleições.

RPN - Uma acusação feita com freqüência à mídia exterior é a de contribuir para o aumento da poluição visual nos grandes centros urbanos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, foram contabilizados cerca de oito milhões de anúncios nas ruas. Até onde existe informação e quando se pode falar em poluição?
MAURO - A questão da poluição visual é bastante confundida e atribuída erradamente e unicamente ao outdoor. Nossos engenhos representam uma pequena quantidade do mobiliário urbano, que é composto por fachadas irregulares, faixas, mobiliário urbano, engenhos de todo tipo divulgando informalmente negócios e produtos, luminosos, empenas, pirulitos, placas indicativas e de negócios, entre outros, legalizados ou não. Como eles apresentam maior visibilidade de comunicação, se atribui ao outdoor ser o vilão da poluição, quando ele é uma forma dinâmica, renovada e de grande quebra da rotina das grandes cidades. Certamente, eles necessitam de regulamentações, para preservar as peculiaridades de cada cidade; e investimentos, para melhoria de sua qualidade visual; o que sempre é um dos objetivos das empresas afiliadas à Central de Outdoor. O Sindicato das Empresas de Propaganda Exterior (Sepex), particularmente em São Paulo, também está desenvolvendo grande trabalho em favor do melhor ordenamento e valorização da mídia exterior, na qual se insere o outdoor.

RPN - Ainda sobre essa questão, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, propôs projeto de lei que proíbe toda e qualquer publicidade em mídia exterior feita na cidade, com exceção da prevista em mobiliário urbano. Como a Central tem reagido à medida?
MAURO
- Trata-se de um projeto radical e de visão unilateral. Não podemos prejudicar ou excluir uma atividade que emprega milhões de brasileiros em todo o país devido a uma visão sectária, tendenciosa e equivocada, com interesses ainda não muito esclarecidos. A quem esta posição favorecerá? Certamente, existem pressões de multinacionais interessadas na exploração do mobiliário urbano, como é feito em todas as cidades e países, inclusive com a convivência pacífica e harmônica entre o mobiliário exterior e os outdoors, luminosos, painéis eletrônicos. A Broadway que o diga... O disciplinamento da atividade é um dos objetivos e metas da Central de Outdoor, respeitando sempre as peculiaridades de cada cidade e região, na busca da coibição dos excessos e melhoria da qualidade visual dos engenhos. Excesso é a extinção radical proposta pelo mandatário de plantão, que age de acordo com interesses pessoais ou de grupos interessados. Se aprovada, a medida trará repercussões negativas para todas as regiões e para a atividade da mídia exterior, pois grande parte das campanhas e utilização do meio é oriunda da cidade de São Paulo.

RPN - As denúncias envolvendo publicitários e políticos, entre outros profissionais, desde a aparição de Marcos Valério têm resultado em algo positivo para o setor?
MAURO
- Em toda atividade existem bons e maus profissionais. Querer estender um comportamento negativo pessoal para toda uma atividade é uma forma de preconceito inadmissível e leviano. A propaganda brasileira e da nossa região já demonstrou sua real importância e contribuição positiva para o desenvolvimento das atividades econômicas, culturais e sociais do nosso povo. É uma atividade indispensável e, indiscutivelmente, das mais respeitáveis. Assim como todos os profissionais e criativos que a fazem ser reconhecida como uma das melhores e mais respeitadas do mundo. Devemos discutir melhor o financiamento das campanhas eleitorais. Muitas delas não são declaradas para evitar questionamentos futuros, tanto pessoal quanto empresarial - enquanto em outros países são alardeados recordes de recebimento de contribuições por candidatos e partidos, financiados pela iniciativa privada e pessoal. A sociedade precisa discutir este assunto com mais profundidade para evitar contribuições tidas como escusas.

RPN - A quem compete o bom funcionamento do setor de mídia exterior?
MAURO
- A Central de Outdoor sempre teve papel de importância no âmbito nacional, procurando valorizar o meio, padronizar os engenhos publicitários, melhorar a qualidade visual deles, disciplinar e estimular a utilização criativa e profissional do nosso meio. Muito foi feito, mas há muito para fazer e corrigir. Nesse sentido, gostaríamos de interagir com todas as entidades que fazem nosso meio, de modo a aperfeiçoarmos nossos serviços e corrigirmos erros. É um canal legítimo de representatividade de nosso setor, que possui 1.314 empresas afiliadas em todo o Brasil, cobrindo cerca de 75% do potencial de consumo nacional. Inegavelmente, a mídia exterior sempre terá lugar de importância na comunicação. Afinal, temos fatos que comprovam ser ela o veículo mais antigo de divulgação de mensagens e idéias, utilizada até mesmo pelos profetas do Antigo Testamento.

     
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