| O constante crescimento da competição nos mercados de modo geral e o enfraquecimento dos estados nacionais são fatores que, principalmente nos países subdesenvolvidos, têm contribuído para o desemprego e para uma crescente marginalização dos mais pobres. Neste panorama socioeconômico, encontramos terreno fértil para o surgimento de entidades que estão preocupadas em tentar empreender melhorias nas condições de vida da sociedade em seus mais diversos setores. Em 2002, surgiu o Programa Incubadora Social, criado e desenvolvido por uma ONG pernambucana, o Instituto Academia de Desenvolvimento Social. Em um país em que as incubadoras para iniciativa privada já fazem parte dos programas de universidades e outras instituições de apoio ao jovem empresariado, a Incubadora Social surgiu como uma nova perspectiva de parceria. Nela, os beneficiados imediatos seriam os jovens empreendedores sociais e, conseqüentemente, o público-alvo de seus projetos.
A partir de pesquisa realizada junto aos jovens incubados do Programa, observamos que a Incubadora Social tem alcançado bons resultados. Entretanto, ainda existe um caminho longo a ser trilhado tanto pelos empreendedores sociais quanto pela Incubadora. Ambos ainda seguem seus caminhos de aperfeiçoamento nos campos teórico e prático. Tanto os empreendedores quanto o próprio Programa são jovens e precisam alcançar um item muito importante: a experiência. Este aspecto, aliado ao espírito empreendedor tanto dos jovens quanto da Academia de Desenvolvimento Social, será fundamental para a realização do sonho da emancipação dos grupos. Para servir de contraponto às dificuldades, observamos que existe um grande potencial no comportamento voltado para o coletivismo. Tal atitude deve ser incentivada através de apoio e parceiras que possam viabilizar a continuidade de suas ações sociais. O desenvolvimento teórico, o planejamento e a organização das propostas de cunho social carecem de atores mais bem preparados para orientá-los. E é aí que surge o trabalho das incubadoras sociais, voltando esforços teóricos e práticos para oferecer o auxílio a grupos dispostos a empreender idéias que irão beneficiar a comunidade e a sociedade como um todo. Em um país de analfabetos e miseráveis, o papel da sociedade civil mostra-se cada vez mais importante na busca de novas soluções, de novos horizontes e novas oportunidades que nos levem à melhoria das condições de vida da população. O empreendedor social desempenha um papel fundamental. São líderes que estão se aperfeiçoando na teoria e na prática para vivenciar as dificuldades e saber a melhor forma de superá-las. Eles têm a seu favor vantagens que são inerentes àqueles que detêm um espírito empreendedor. São persistentes, têm força de vontade, acreditam na causa social que abraçaram, são criativos e inovadores, possuem senso de coletividade e companheirismo que foge ao comum, querem aprender e ensinar. Os desafios estão aí para serem enfrentados. Entre eles, estão a mobilização de recursos financeiros, humanos, técnicos, informação e avaliação dos resultados das ações sociais. São questões nas quais eles precisam se fortalecer, contando com o apoio da Incubadora, ganhando assim mais experiência e maturidade. É neste cenário que o Marketing se apresenta como opção viável para a promoção dos trabalhos realizados pela Incubadora Social e pelos projetos incubados. As ferramentas do Marketing mostram-se essenciais para auxiliar na sobrevivência e êxito dos empreendimentos, reforçando os pontos de apoio em questões como divulgação e promoção dos projetos e conseqüente mobilização de recursos. Tais providências teriam o objetivo de melhorar o desempenho dos grupos juvenis incubados e reforçar o caráter do Programa Incubadora Social como um exemplo real a ser seguido por outras instituições que tenham a intenção de desenvolver programas semelhantes de apoio a grupos juvenis. Neste caminho repleto de desafios, a parceira com os programas de incubação social aliada aos esforços do Marketing, tornam-se essenciais para garantir um terreno propício ao sucesso. Cabe a nós, sociedade civil, governos, instituições de ensino e empresas privadas saber incentivar o surgimento deste tipo de iniciativa. Os empreendedores sociais precisam deste apoio para fortalecerem suas propostas e torná-las realidade, mudando, desta forma, a realidade de cada um de nós. |