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Michel Zaidan, professor e cientista político da UFPE |
O Showmícios, outdoors, camisetas, bonés, bottons - nada disso movimentou as campanhas deste ano, em virtude da nova legislação eleitoral, que proibiu essas táticas propa-gandistas com vistas a eliminar os custos dos candidatos. O marketing político ganhou força em um espaço público apa-rentemente livre de fiscalização e rico em interatividade: a internet. Enquanto os marqueteiros desenvolviam os sites dos futuros governantes, os internautas respondiam por meio de blogs, fóruns de discussão, e especialmente o orkut - site internacional de relacionamentos - onde o debate político digital aconteceu.
O público conectado à internet - que experimenta crescente democratização de seu acesso no Brasil - é essen-cialmente das classes mais favorecidas, portanto, potenciais formadores de opinião. Sabendo disso, as equipes de marketing político estiveram atentas para fidelizar essa de-manda e conscientizar os candidatos da importância de se estar presente na grande rede. É o que assegura o profissional de marketing político pernambucano, Helder Sóstenes. Segundo ele, “quem primeiro chegar ou mais espaço marcar, naturalmente mais destaque conquistará”. O investimento na produção dos sites oficiais, com visual arrojado e conteúdo atualizado, foi uma das armas. Neles, o eleitor podia conhecer o currículo do pleiteante, saber da agenda de campanha, além de poder imprimir material de propaganda.
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Página do candidato à presidencia, Geraldo Alckmin |
O candidato reeleito à Assembléia Legislativa de Pernambuco, deputado Augusto Coutinho, mantém um site permanentemente no ar, mesmo quando não está em cam-panha, visando “a customização da relação eleitor-candida-to”, afirma o assessor de Comunicação, Pietro Wagner. Se-gundo ele, o site recebe, em média, duas mil visitas por mês. O coordenador de campanha, Júnior Beberibe, ressalta que a prioridade é o boletim informativo - a newsletter - com as ações parlamentares do deputado. “Temos a prudência de enviá-lo somente para pessoas a quem o deputado teve acesso”, diz Beberibe.
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Página do candidato a deputado federal, Cadoca |
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Esse foi um ponto relevante na corrida eleitoral digital. “O envio indiscriminado de e-mails poderia inverter o feitiço contra o feiticeiro, caso a mensagem do candidato fos-se remetida sem que houvesse permissão”, afirma Sóstenes, que apontou outra inovação nesta eleição: o site YouTube, onde os candidatos driblaram a legislação eleitoral e armaze-naram vídeos, que puderam ser vistos a qualquer hora, seja no seu guia, ou em discursos, passeatas. “Vi no site as entrevistas de alguns candidatos, às quais não pude assistir na TV. Real-mente, fiquei fascinado”.
Também novidade na internet nos últimos anos, a comunidade virtual do google, o orkut, vício entre o público jovem, se tornou o principal palanque da eleição na web. O site carece de regulamentação, sendo fácil para os usuários criar comunidades e perfis em série, onde podem abrir tópicos de discussão, sobre qualquer tema. O campeão de aparições foi o presidente Lula, com páginas que ora exaltam, ora criticam seu governo, e detentor da maior comunidade contrária à sua candidatura, com mais de 200 mil participan-tes, a “FORA LULA 2006”. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, chegou ao mesmo número - ao fim da campanha -, mas com a maior comunidade pró-ativa no orkut. A página do candidato tucano continha links para as páginas de seus colegas - da mesma chapa - mais bem cotados aos governos estaduais no primeiro e no segundo turno. Como prova do sucesso das comunidades no orkut estão os depoimentos gravados pelos presidenciáveis se dirigindo ao público do site de relacionamentos, agradecendo a “audiência”.
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Orlando Mindêllo, Agência Studio Dois |
No âmbito estadual, uma das comunidades mais procuradas foi a do candidato preterido ao governo de Pernambuco, Mendonça Filho, com mais de quatro mil parti-cipantes, ao fim do segundo turno. O estudante de direito Adson Dantas, moderador da página do candidato do PFL, acredita que nesse espaço pessoas dos mais variados lugares do estado puderam estar conectadas debatendo, criticando, e ajudando o atual governador. Para ele, “a comunidade é um ambiente democrático, uma vez que as pessoas entram por vontade própria e podem interagir constantemente”.
Na Paraíba, o candidato mais bem cotado no orkut ao governo do estado foi o governador reeleito Cássio Cunha Lima, que ganhou duas comunidades de apoio com cinco mil membros, cada. O manager da página oficial é o estudante Bruno Cunha Lima, que disse não permitir críticas abusivas ao seu candidato, ao passo que não abre espaço, também, para argumentos fracos que venham denegrir seus opositores. “Também faço uso de um filtro. Quem tenta entrar, passa por uma análise prévia para saber se são perfis verdadeiros”, explica. Já o estudante cearense Ciro Cruz, que cursa adminis-tração de empresas, faz a moderação da página do candidato eleito em primeiro turno ao governo de seu estado, Cid Go-mes, do PSB. Ele ressalta a espontaneidade do orkut: “Quem entra na comunidade pode manifestar à vontade sua opinião”.
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Página do candidato ao governo, Eduardo Campos |
O palanque eleitoral no orkut, no entanto, não é feito somente de elogios às candidaturas. O diretor de Atendi-mento da Agência Studio Dois (PE), Orlando Mindêllo, que prestou assessoria a quatro candidatos nestas eleições, reforça que o alcance da campanha digital é um bônus para os políticos, uma vez que é feito por um eleitorado jovem e esclarecido, que se atém às propostas radicais das campanhas aos cargos majoritários. “Os que sofrem algum tipo de rejei-ção é por conta da demagogia”, analisa Mindêllo.
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Comunidade Fora Lula 2006, mais de 200 mil participantes |
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Outro candidato eleito para a Câmara Federal por Pernambuco, o deputado Carlos Eduardo, do PMDB, ganhou a seguinte comunidade: “Tenho medo do sorriso de Cadoca”. A estudante de publicidade Fabiana Malta explica na descrição da página do orkut criada por ela que não tem a pretensão de discutir política, mas estética. “Fiz por diversão”, diz a estudante. O deputado que foi secretário de Turismo do Recife, ficou estigmatizado pela promoção do Recifolia. “No entendimento dos jovens, esta iniciativa privilegiou o mercado musical baiano e preteriu a cultura pernambucana”, avalia Mindêllo.
O professor e cientista político da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Michel Zaidan, acredita ser de suma importância à participação via internet, e extremamente eficaz quanto ao público-alvo atingido: o jovem. No entanto, essa campanha não substitui a oficial - mais abrangente - devido à exclusão digital. |