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Marília Monteiro, Pedro Oliveira e Rebeca Barreto |
A curiosidade e a vontade de aprender levaram os alunos de jornalismo da Universidade Católica de Pernam-buco, Marília Monteiro, Pedro Oliveira e Rebeca Barreto a fazer um videodocumentário sobre saúde mental como pro-jeto de conclusão do curso. Não sabiam eles que com o resul-tado do trabalho ganhariam nota máxima da banca examina-dora. “Optamos por tratar de saúde mental, principalmente pela vontade e curiosidade que tínhamos de conhecer a reali-dade vivida por tantas pessoas, porém tão esquecida pelos meios de comunicação”, explica Marília.
Esclarecer as pessoas sobre o assunto foi o principal objetivo do grupo. “O preconceito em relação aos portadores de doença mental nasce do desconhecimento da sociedade e também está enraizado nas próprias famílias”, explica Marília. Assim, o trabalho ganhou o título Loucos por Família, pois o enfoque é a participação da família no tratamento dos pacien-tes. Durante o período do pré-projeto eles tinham que entre-gar ao orientador o máximo de informações possíveis sobre o assunto que queriam apresentar. “Foi nessa fase que pensa-mos bastante e com muito cuidado, pois tínhamos que gostar do tema, afinal conviveríamos com ele por um bom tempo. A curiosidade nos levou a tratar do tema”, conta Marília Montei-ro. Assim, incluindo o pré-projeto, a produção do vídeo du-rou aproximadamente seis meses.
Os três estudantes visitaram Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS, que são unidades municipais e os hos-pitais estaduais Ulisses Pernambucano e Otávio de Freitas. Durante as gravações, perceberam que muitas famílias, principalmente as que vêm do interior do estado, não podiam sempre estar presente com os parentes internados, que ficam muito carentes. “Foi essa falta de atenção das famílias com os doentes que nos motivou a encarar o tema”, explica Marília. “São muitas as famílias que não têm a mínima estrutura financeira ou psicológica para cuidar da pessoa doente. E isso é visível principalmente nos hospitais públicos que visitamos”, diz.
Antes das gravações, porém, o grupo teve que pedir autorização às direções dos hospitais. “Tivemos que procurar as pessoas responsáveis pelos hospitais psiquiátricos para obtermos a autorização de imagem e também conseguir os profissionais que colaboraram com seus depoimentos. Em alguns hospitais, o processo de autorização para a entrada de uma equipe de filmagem é lenta e burocrática”, explica Pedro. “Nem todos estavam dispostos a facilitar o nosso trabalho. Foi muito difícil entrar em contato com os responsáveis”, com-pleta Rebeca. Mesmo com tantas dificuldades, o grupo contou com o apoio de muitas pessoas e algumas foram fundamentais para a realização do projeto. “No Hospital Otávio de Freitas, por exemplo, a enfermeira Carmem Granja gostou da idéia do vídeo e nos ajudou bastante. O psicanalista Manoel Ferreira nos ajudou a conseguir contatos que foram de fundamental importância para que o nosso vídeo saísse do papel”, diz Pedro. Porém, todos eles concordam que os maiores colabo-radores foram os pacientes. “Eles eram ótimos e foram o mais recompensatório de todo o trabalho. As dificuldades que existiam vinham de fora, de quem cuidava. Sem a ajuda e as histórias dos pacientes o nosso trabalho não teria nada, eles nos receberam com muito carinho e atenção”, conta Rebeca. O grupo ouviu cerca de cinco profissionais e especialistas da área de saúde mental e aproximadamente 20 pacientes.
Orientados pelo professor da Universidade Católica de Pernambuco, Alexandre Figuerôa, o grupo teve o trabalho reconhecido pela banca examinadora que era formada pela repórter da TV Globo Nordeste, Bianka Carvalho; o editor do SBT Brasil, em Pernambuco, Ricardo Alves; e a professora de edição da Universidade Católica de Pernambuco, Adriana Dória Matos, que deram nota dez. “Tirar a nota máxima foi uma surpresa muito boa. O mais importante, para nós, é fazer com que a mensagem que queremos passar seja entendida e abraçada pelas pessoas que assistirem ao vídeo. O dez fez com que acreditássemos mais em nós mesmos”, concluiu Marília. “Estava torcendo para ser uma nota boa, afinal a gente se dedicou muito para este projeto. Mas confesso que fiquei bastante surpresa com o resultado”, conta Rebeca Barreto. |