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Rafael Dias
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No período em que cobria a cena gastronômica de Pernambuco como repórter do jornal em que estagiava, Rafael Dias, recém-formado em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), teve que visitar durante um ano e meio a cena gastronômica local. Visitas a bares e restaurantes, entrevistas com chefs, sommeliers e restaurateurs, e leituras de publicações sobre o assunto se tornaram uma constante. Devido à aproximação com o mercado, e à percepção da amplitude do pólo gastronômico do estado, Rafael decidiu dedicar seu projeto experimental de conclusão da graduação a este tema.
O ensaio, intitulado de "Pernambuco à mesa do dia: a gastronomia como subeditoria emergente do Jornalismo Cultural”, aborda a midiatização da gastronomia em Pernambuco e sua cotidianização através dos meios de comunicação de massa. “Resolvi investir nesta pesquisa e agregar o meu conhecimento empírico numa análise científica do setor”, diz Rafael.
Realizado num período de três meses, o ensaio é baseado na leitura de 180 textos de publicações vinculadas aos jornais locais, programas de televisão e sites dedicados ao assunto, visitas ao Arquivo Público de Pernambuco e entrevistas com jornalistas especializados no tema.
Rafael afirma que as entrevistas foram de fundamental importância, uma vez que os jornalistas entrevistados deram sustentação à sua análise tanto no âmbito da gastronomia quanto no âmbito do jornalismo gastronômico. Já a entrevista realizada com o ex-crítico gastronômico, Marco Pólo, teve uma utilidade peculiar. “Ele foi muito importante para que eu pudesse resgatar o fio condutor da história do jornalismo gastronômico em Pernambuco até os dias de hoje, e assim, entender os motivos que levaram à composição desse cenário”.
Rafael conta que não analisou apenas o mercado, mas também o jornalismo em si: os estilos textuais, as apresentações gráficas e as linhas editoriais utilizadas pelos veículos de comunicação.
As questões éticas assim como as dificuldades enfrentadas diariamente pelos jornalistas gastronômicos e culturais foram abordadas no trabalho. “O meu ensaio, no entanto, é escrito basicamente a partir da minha observação do fenômeno como um todo e também da minha experiência como repórter gastronômico do caderno Fim de Semana, do Diario de Pernambuco”, afirma.
Sobre as dificuldades que teve de enfrentar ao longo da pesquisa, Rafael conta que a principal delas foi a carência de publicações dedicadas ao tema, tanto no Brasil quanto no exterior. “Existem muitos livros de culinária, com lista de receitas, mas poucos sobre a história da gastronomia ou mesmo o mercado”. Em relação às surpresas, ele diz que a maior delas foi ter comprovado que o jornalismo gastronômico em Pernambuco é um fenômeno bastante recente.
“Ele ainda está em formação, assim como o próprio mercado, com o surgimento de novos cursos de nível superior para a formação de profissionais nessa área”. Constatações como essa, assim como a desvinculação dos cadernos culturais para adquirir publicações próprias, como é o caso da revista Engenho, mostram que a gastronomia é um mercado que vem, cada vez mais, solidificando-se no estado. “Uma nova base está se formando para que esse nicho cresça e se profissionalize mais e mais”, conclui Rafael. |