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Seu batismo foi como Angelo de Mello, mas o mercado e as pessoas do meio, de tanto suprimirem a pobre preposição (e a partir do consentimento da Numerologia), fizeram com que ele adotasse de vez o 'Angelo Mello' como marca profissional. Ainda mais no momento em que ele se prepara para retomar a agência que já aplicava, quando de sua criação, conceitos posteriormente conhecidos como Comunicação Integrada, ou 360 graus. Ainda com a tal preposição, e aos 18 anos, Angelo atuava como professor “E de Física, imaginem só”. A experiência adquirida permitiu que, com dez sócios, ele fundasse o Colégio Contato em 1976. Foi lá, com pouco mais de vinte anos, que ele deu seus primeiros passos na publicidade, ao implantar e comandar a diretoria de marketing da instituição. Em 1987, Mello passou a dirigir o Atendimento da Gravatahy Publicidade, de onde saiu para atuar no marketing do Banco Mercantil; e deste, para a criação da Aporte Comunicação Total em meados de 1991. “No início dos anos 90, era pouco difundida a idéia do envolvimento efetivo das agências de propaganda no marketing dos seus clientes. A coisa ficava mais naquela de atender, criar e veicular. O mercado compreendeu a nossa proposta e a Aporte pôde, logo nos seus primeiros anos, atender a contas bastante ativas”, lembra. Em 2004, a agência se uniu à Arcos e, dois anos depois, à Mart Pet parceira que duraria somente dois meses. Para Angelo, a publicidade é uma profissão dinâmica e, por isso mesmo, altamente estimulante. Apesar disso, ele confessa que não conseguiu largar o ensino com exceção da Física, há mais de vinte anos. “Curto muito minhas aulas (ele leciona a cadeira de Comunicação Global no MBA de Marketing da Universidade de Pernambuco UPE) ou palestras que dou nas universidades. O pessoal é superinteressado e exige sempre uma boa performance do professor. Como diz aquela máxima: ensinar é uma excelente forma de aprender”.
REVISTA PRONEWS - A Aporte Comunicação Total atuou de forma independente ao longo de 14 anos no mercado pernambucano. Em seguida, passou dois anos em uma fusão realizada com a Arcos Comunicação, de onde saiu para se unir à agência Mart Pet. Com esta, porém, passou apenas dois meses. O que levou à ruptura tão brusca de uma união dada como perfeita?
ANGELO MELLO - Prefiro dizer que fizemos uma desconexão daquilo que estava até então conectado. Assim, entre clientes e funcionários, a Mart Pet ficou com que tinha antes da Aporte, e a Aporte com o que tinha antes da Mart Pet. Tentando entender melhor como aconteceu todo esse processo, devo lembrar que quando saí da Arcos, em setembro, já havia em mim o propósito de remontar a Aporte. O mercado, inclusive, ficou sabendo disso. Ocorre que tive, nesse período, alguns contatos com Edison e Jussara. O brilho pessoal e profissional de ambos, como também a complementabilidade dos nossos projetos empresariais, nos fizeram refletir sobre a possibilidade de se estabelecer uma fusão da Aporte com a Mart Pet. Graças à confiança estabelecida entre as partes, chegamos rapidamente a um entendimento e pudemos iniciar a operação conjunta em poucos dias após esses contatos. Para a nossa frustração, porém, a operação saudada com tanto entusiasmo, durou apenas cerca de dois meses. O verdadeiro motivo foi uma decisão que assumo integralmente, fruto do desejo por um projeto profissional de que resolvi não mais abrir mão. Recolocar a Aporte no mercado passou a ser uma espécie de sonho que decidi realizar.
RPN - Que caminhos devem ser seguidos após a separação?
ANGELO - O processo está absolutamente superado. Fica, é claro, aquele sentimento de tristeza por não ter dado tão certo quanto pensávamos na ocasião de fazer a fusão. Mas nada que não cure com o tempo. Na propaganda é tudo muito dinâmico. A Mart Pet segue sua trajetória de agência vitoriosa, recheada de cases de sucesso. E a Aporte renasce em busca de reescrever sua própria história. Nessa nova fase, devemos tirar proveito da maneira muito própria com que costumo conduzir a agência. Nossa atenção permanece voltada para o negócio do cliente e para o pensamento do seu público. Vamos estimular o lado conservador, porém de vanguarda, através de idéias tiradas de experiências comprovadamente bem-sucedidas com nossos clientes.
RPN - Para quando poderíamos esperar esse retorno da Aporte?
ANGELO - Suponho que quando esta entrevista for publicada, já estejamos instalados no Empresarial Ponte D'Uchoa, na Rui Barbosa. Lá teremos uma Aporte sob uma estrutura enxuta, atendendo, além da nossa tradicional carteira de clientes, outras contas que estejam dispostas a ser trabalhadas da forma com que sempre trabalhamos: uma criação eficiente em sintonia com um planejamento estruturado sob resultados concretos e sob a construção de marcas fortes.
RPN - No que concerne a união entre agências de publicidade, o que determina o sucesso ou fracasso de negócios desse tipo?
ANGELO - Continuo a acreditar que o caminho da união é sábio e racional, pois une forças e reduz os custos fixos. Sua lógica é perfeita. Uma das grandes dificuldades que se encontra no caminho, porém, é o conflito de culturas entre as equipes que se fundem. Muitas vezes, a vaidade vence a melhor idéia ou solução. E esse é um traço dos mais marcantes na nossa atividade. Talvez a maneira mais segura de se fazer uma fusão é de começar tudo a partir do novo, com marca e local também novos, sem que uma das filosofias se sobreponha à outra.
RPN - E nas separações, quem fica com os filhos, os clientes?
ANGELO - Lembro que, durante o período em que as agências funcionam em conjunto, além das contas advindas de cada uma, algumas outras podem ter sido conquistadas. É sobre essas últimas que reside a dúvida maior no momento em que a fusão se desfaz. Entendo que cabe ao cliente decidir com que agência deverá ficar. Afinal, ele é soberano para escolher com quem quer trabalhar. Penso que, em relação às contas mais antigas, há uma tendência natural delas permanecerem na sua agência original.
RPN - A publicidade ainda é vista como investimento supérfluo pelos anunciantes?
ANGELO - Esse é o tipo de pergunta que pode ser respondida com outras. O que entendemos hoje como investimento em publicidade? É só aquilo que vai para a mídia ou o total de verba destinada aos esforços de comunicação? Incluímos nesse investimento todas as formas ou alternativas de contato com o consumidor? Se pensarmos a comunicação como um plano integrado de ações que promovam a marca e a venda de produtos e serviços, veremos que o que os anunciantes investem, de uma forma geral, não é nada irrisório. O fato é que, já há algum tempo, acabou aquela história de problema de comunicação com solução única e custo previsto em tabela. Cada questão que se põe à nossa frente possibilita várias alternativas de solução. A criatividade deixa de ser apenas um atributo do departamento de criação para ser uma obrigação de todos da agência.
RPN - O que torna um anunciante querido tanto pelo mercado quanto pelas agências? E pelo público?
ANGELO - O anunciante que se torna querido pelo mercado e pelas agências é sempre aquele que pratica a verdade como a base para seu relacionamento. É aquele que não teme aplaudir os acertos, mas também não poupa criticas aos possíveis erros. É aquele que não blefa para os fornecedores, que demonstra reciprocidade com os veículos e que sabe respeitar o trabalho das agências. Esses anunciantes, inevitavelmente, são também os mais queridos pelo público, pois quem trabalha a comunicação deles faz isso com carinho e paixão, um forte diferencial que termina chegando ao consumidor e tocando seu coração.
RPN - Falando em anunciante, como se deu a conquista da conta da São Braz, mantida até hoje, por intermédio do Anuário das Melhores Agências de Publicidade e Promoção do Nordeste, produzido pela revista Pronews?
ANGELO - Sempre respeitei muito o trabalho de Walter Lins Jr. O que ele se propõe a fazer pelo mercado da propaganda do Nordeste é algo a que ainda temos muito a agradecer. Em muitas oportunidades, cito esse fato da São Braz como forma de demonstrar a importância do Anuário das Melhores Agências que a Pronews publica. A conta da São Braz é uma das mais desejadas do mercado, principalmente pelo portfólio de produtos que ela traz para a agência. O gerente de Marketing à época, Fábio Guilherme, pesquisou naquele veículo nomes de agências possíveis interessadas em participar de uma conversa pessoal com a diretoria da empresa. Fomos lá, mostramos um pouco do nosso trabalho e estamos com essa conta há mais de oito anos. Nesse período, já lançamos produtos, reposicionamos outros, decidimos por utilizar atores globais para dar testemunho da marca. Enfim, temos hoje uma relação repleta de muitos cases, mas que nasceu graças a uma consulta do Anuário da Pronews. Mais uma vez, obrigado por essa, Waltinho. |