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Há uma década, o cenário musical pernambucano era marcado pela invasão da axé music e a elitização das festas carnavalescas. Além da influência baiana, as raízes regionais como maracatu, frevo, forró, repente e ciranda serviam apenas como mais uma atração turística. No entanto, no bairro de Rio Doce, em Olinda, Francisco de Assis França, filho de um ex-vereador e de uma costureira, surgiria da toca, moldado por raízes de uma vida suburbana e levaria como Chico Science, o nome de Pernambuco para o Brasil, e posteriormente o mundo.
Chico vivia nas ruas, nas rodas de hip-hop, no meio do rap, da dança e do grafite, aprendia o gingado e a desenvoltura que seriam uma de suas principais características. Sob a influência de LL Cool J nos anos 80, surge a primeira banda do “Cientista dos Ritmos”, a Orla Orbe. Ele ainda passaria por bandas como a Loustal, que usava elementos do hip-hop, soul e funk até conhecer o bloco afro Lamento Negro. O batuque dos tambores soaram aos ouvidos de Science. Aquela mistura de black music e música regional chamaram sua atenção e abriu sua cabeça para o que chamou de mangue. Nascia aí, juntamente com o bloco do centro comunitário Daruê Malungo, o manguebeat, uma mistura de maracatu, funk e soul.
Lamento Negro logo se tornaria Nação Zumbi e, em seguida, o manguebeat se apresentaria ao mundo através de Chico Science & Nação Zumbi. O primeiro show da banda foi realizado no Espaço Oásis, em Olinda. Em 1994 eles levariam o público ao delírio e consagrariam o álbum “Da Lama ao Caos” em um dos momentos mais importantes do cenário musical no Brasil segundo a crítica.
O movimento manguebeat rapidamente eclodiria e incluiria a música pernambucana no mundo. Em maio de 1995, após uma apresentação em Salvador, Chico Science e Nação Zumbi eram convidados a participar de uma turnê mundial por cinco países. A apresentação da turnê “From mud to Chaos” no Central Park Summer Stage ao lado de Gilberto Gil afirmava de vez o sucesso do grupo. Em 1996 lançavam o Afrociberdelia, onde a ajuda de recursos tecnológicos e eletrônicos do novo estúdio tornaram possível a verdadeira idealização de seu som. Na abertura do Abril pro Rock deste mesmo ano, Chico Science e Nação Zumbi teriam a aceitação de seu novo álbum numa apresentação histórica.
Um ano mais tarde Chico Science deixa o mundo em um acidente de carro na divisa entre Olinda e Recife. Aquele dois de fevereiro de 1997 ficou marcado na mente da Nação Zumbi, na tristeza de seus parentes, nas lágrimas de seus fãs e, principalmente, no coração de Pernambuco. |