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Viviane Toraci |
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O iPod, o queridinho e mais popular dos tocadores de MP3, já é o novo alvo dos publicitários que estão sempre em busca dos lugares mais inusitados para divulgar as suas propa-gandas. Apesar de a Apple, empresa fabricante do aparelho, não autorizar a veiculação de comerciais no iPod, nem no iTunes, seu serviço de download de arquivos, os anúncios entraram, sorrateiramente, nos podcasts.
O nome podcast surgiu da junção de “iPod” e “broadcast” (transmissão de dados) e trata-se de qualquer conteúdo com música, fotos e/ou vídeos que pode ser produzido por qualquer pessoa e disponibilizado na internet para ouvir online ou baixar para tocadores de MP3. Os podcasts são um atrativo para consumidores que procuram sa-ber sobre determinado assunto. E como entra a publicidade nisso? Há duas alternativas: a empresa pode patrocinar algum podcast que tenha como público-alvo os seus consumidores ou produzir o seu próprio podcast e torná-lo in-teressante o bastante para que os seus consumidores queiram baixá-lo.
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Conrado Adolpho |
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Isso mesmo, nessa nova mídia, o consumidor detém o po-der em suas mãos. Assim, como a-firma Viviane Toraci, atual executiva de contas da Farol Comuni-cação (PE), há agora dois tipos de publicidade: a “empurrada” para os consumidores - encontrada nas páginas de revistas, jornais, nos breaks das novelas, pop-ups, etc. - e a “puxada” pelos consumidores, seja no formato de podcasts, seja em qual-quer outro, como os vídeos do Youtube.
“No caso do podcast, a metáfora do 'puxar' é diretamente aplicável, afinal precisamos baixar para este suporte o conteúdo que nos interessa. E daí não importa se é jornalismo, publicidade, música, tudo misturado. Tudo se transforma em informação importante para aquele consumidor que baixou o conteúdo. Podemos citar algumas iniciativas interessantes, como construção de jingles publicitários que são baixados como música (como os da Natura e do Fiat Idea) ou vídeos também para versões do iPod, como os da Macintosh. São anunciantes que se preocupam com a linguagem criativa, capazes ao mesmo tempo de se aproximar do interesse do usuário e transmitir conceitos de marca”, afirma Viviane, que é , também, mestre em Comunicação Social e graduada em Publicidade e Propaganda, ambos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
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Nilson Samico |
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A versatilidade do podcast é infinita, e diversas em-presas já começaram a tirar proveito disso. No site da Rádio UOL, por exemplo, é possível assinar o pacote da UOL News, que oferece uma série de 17 podcasts com notícias sobre temas variados, como saúde, economia, cinema, música, etc. Conrado Adolpho, diretor de Criação da Publiweb Marketing e Consultoria Digital (SP) e fã dos podcasts e suas variedades, dá dicas de sites em que podem ser encontrados. “Já temos nos sites da PodcastOne e PodBrasil muitos podcasts bons e que atraem a nossa atenção e fidelização.
Eu mesmo tenho dividido o meu fone de ouvido, durante o trabalho, entre a Rádio UOL e podcasts diversos. Uso muito para aprender novos conteúdos sem ter que pa-rar o que estou fazendo para ler outra coisa. A grande vantagem do podcast é que em vez de ler e parar o que está fazendo, você simplesmente escuta o que quer enquanto faz outras coisas como responder a um e-mail ou fazer um relatório. Podcast é uma ferramenta muito importante no marketing das empresas atual-mente, e isso só tende a crescer”.
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Thiago Macena |
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A revolução tecnológica chegou na publicidade e os anunciantes estão atentos a isso. A preferência por mídias não-tradicionais está sendo o alvo de atenções. A Oi, empresa telefônica, recentemente aderiu à era dos podcasts, que podem ser ouvidos direto dos aparelhos da Oi, com conteúdo exclusivo da programação da Oi FM. “Os podcasts estão se transformando na renovação da comunicação digital. No início era apenas um modo de cada um se expressar emrelação à sua vida, à sua opção política, religiosa ou econômica. Muitas empresas, devido à divulgação dessa nova mídia tornaram-se adeptas delas. A idéia é utilizar essa solução para estreitar o relacionamento com os consumidores, fazendo com que eles se identifiquem com aquela marca, produto ou serviço”, observa Paulo Guilherme, superintendente de planejamento, orçamento e controle dos Associados PE.
Thiago Macena, assistente de mídia da agência Gruponove (PE), relembra o sucesso da venda do site Youtube como um dos grandes marcos da revolução digital. “Nem a pessoa mais otimista poderia dizer que um site de exibição de vídeos sem grandes investimentos criado por dois jovens seria um imenso sucesso e que após um ano de criação teria 100 milhões exibições por dia e seria vendido por 1,6 bilhão de dólares”. E finaliza com a certeza de estar vivendo na era da informação: “A revolução da comunicação wireless e a integração dos meios nos permitirão estar conectados 24 horas por dia, recebendo notícias, programas e até mesmo os podcasts em tempo real e em qualquer lugar, sem precisar utilizar um computador”.
É, os tempos, definitivamente, são outros, e Fernando Boulitreau, diretor-comercial da Tropical Mac (PE), constata: “A revolução está aí para todo mundo ver, ouvir e desfrutar. iPod é música, vídeo e a nova forma de fazer publicidade”. Nilson Samico, diretor de Mídia da Ampla Comunicação, profetiza, com cautela, o futuro do casamento da publicidade com o queridinho da Apple: “Devemos em um futuro bem próximo, começar a utilizar o iPod como mídia. Obviamente dependerá, como todas as outras possibilidades, de contato com o target de seu consumo como meio de comunicação”.
Apesar do grande potencial que os iPods têm como futuros veículos de comunicação, essa mídia ainda anda em passos curtos no Brasil, e um dos motivos é o preço “salgado” do tocador de mp3. Luciana Cruz, funcionária de atendimento da HSM Marketing Integrado, dá um panorama da situação: “Apesar de o MP3 player já ser um gadget comum até na classe média (graças às versões 'gené-ricas'), os modelos mais sofisticados, com telas de alta re-solução para o download de vídeos, ainda são brinquedinhos ao alcance de poucos”. E aproveita para fazer um divertido apelo: “Quem sabe a Apple não tem pena de nós - simples mortais - e lança uma versão basiquinha (como o iPod Shuffle) com tela para que a gente possa ter o maravilhoso mundo do Youtube sempre à mão”.
O recado está dado. |