| |
 |
| |
Karla de Melo,
gerente de Comunicação
da Companhia Vale do Rio Doce |
| |
|
“O trabalho não é nada mais do que a industrialização do hobby.” Esse aforismo do psiquiatra Paulo Gaudêncio é a razão que levou os mais diversos profissionais de comunica-ção a enviarem depoimentos à Pronews dizendo por que são worklovers. O conceito foi criado pelo psicólogo Wanderley Codo, coordenador do Laboratório de Psicologia do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), que identificou este novo perfil de profissional, em oposição aos workaholics. E a diferença entre os dois foi assim colocada para os entrevistados: worklovers são aqueles que trabalham muito, mas gostam do que fazem, não abrem mão da vida pessoal, não levam trabalho para casa nem problemas de casa para o trabalho, comportamento típico dos workaholics. Vejamos, então, o que os apaixonados pela comunicação têm a dizer:
A possibilidade de estreitar relações que oferece a comunicação empresarial é o que determinou o envolvimento da gerente de Comunicação da Companhia Vale do Rio Doce, a baiana Karla de Melo, com a sua profissão. Para ela, o que a satisfaz tanto em sua profissão é poder entender processos, definir estratégias de comunicação e relacionamen-tos, conhecer pessoas e buscar soluções para o negócio. “Tudo isso, tem muito a ver com meu objetivo de vida, que é aproximar pessoas e realizar coisas”. Karla está sempre em mudança por conta do trabalho. “Estou morando na terceira cidade, Rio de Janeiro. Saí de Salvador, passei cinco meses em Belo Horizonte e depois fui novamente transferida”. Ela não abre mão da vida pessoal e diz estar aproveitando muito a cidade maravilhosa. “Aqui, quando começa o verão, muitos shows, atividades e praia fazem parte da minha agenda nos fins de semana. Sem falar que meu sotaque é uma mistura de uai, oxe e maneiro”, brinca.
“Trabalhar não é sinônimo de estresse e ausência de vida social.” É o que afirma Cássia Melo, publicitária da Única Planejamento, de Salvador, irmã de Karla. “Ela trabalha com paixão e ainda aumentamos o número de amigos que só enriquecem nossas vidas de coisas boas. Ela é referência na famí-lia, entre os estudantes de Relações Públicas e Comunicação em geral, e, principalmente, para mim”, diz Cássia.
ARTE - A possibilidade de trabalhar com arte e comunicação é a motivação da jornalista pernambucana Rosa Caldas. Antes mesmo de se formar, já atuava com dança e música. Depois, passou por produções de diversos segmentos como gastronomia, construção civil, moda, entretenimento, tecnologia da informação, consultoria financeira, entre outras. Pode parecer paradoxal, mas Rosa saiu de Recife para São Paulo com o objetivo de reduzir o ritmo de trabalho e se dedicar mais às produções pessoais. “Adoro escrever, criar, encontrar as respostas e, principalmente, trabalhar com a 'logística' do setor. Aqui na paulicéia desvairada montei uma produtora, a Cena Oito, com mais dois profissionais e nosso foco é arte e comunicação. Pois comunicar é uma arte e trabalhar com arte é muito satisfatório”, diz Rosa. “Creio que é uma pessoa dedi-cada e que envolve amor em tudo que faz. Mesmo nas horas de maior pressão sempre usa da irreverência sem perder o alto-astral. Percebe-se assim o elevado nível de profissionalismo”, comenta Cíntia Viana, arquiteta e designer.
| |
 |
| |
“Só faço o que gosto e gosto do que faço e só trabalho com
quem gosto. Essa é a idéia",
diz Lula Carvalho
|
| |
|
A jornalista e sua equipe estipulam horários que fazem jus às necessidades individuais e do grupo. Dedica, em média, de seis a oito horas diárias à Cena Oito. “Tenho noção da usabilidade do “time sheet”, por exemplo, mas sem o radicalismo. É importante a ciência de quando é hora de uma maior entrega ou não, sem ficar presa a números, apenas de olho nos custos. Há casos em que foi preciso uma virada de noite para entrega de um projeto, mas isso não foi de forma alguma sacrificante, mas sim produtivo”, pondera. Kelly Garcia, bailarina, diz que Rosa “faz o trabalho com total dedicação e sabe a hora certa de parar para se reciclar”.
Formado em administração de empresas, mas com pós-graduação em marketing em publicidade, o diretor de Atendimento da Faz Comunicação, de João Pessoa, Lula Carvalho, tem uma rotina de muito trabalho, na agência e quando está na sala de aula ensinando na universidade, onde desenvolve projetos voltados para o marketing social. Mesmo assim, afirma que sobra tempo para a família e para os esportes. “Só faço o que gosto e gosto do que faço e só trabalho com quem gosto. Essa é a idéia. Divertimento e trabalho se confundem ou devem se confundir, isso é o que faz a diferença e a noção de trabalho ganha outra dimensão. Extrapola o cará-ter de obrigação”, afirma o professor.
Por mais que o trabalho lhe dê prazer, Lula diz não ser vítima dele, pois procura administrar o tempo para se dedicar a outras coisas. “Entendo que mesmo não trabalhando estou produzindo e capitalizando energias para o trabalho e vice-versa. Quando o trabalho se confundir com diversão e prazer, significa que existem equilíbrio e possibilidade de se estar no caminho certo. É uma tese que me inspira desde que li o 'O Ócio Criativo' de Domenico de Masi”, cita o professor, que não abre mão de manter a forma. “Pedalar ou malhar antes do trabalho é a garantia de um dia produtivo e com muita disposição. Outra coisa fundamental é não levar os problemas do trabalho para casa”, observa. Lula acredita que o bom humor é a melhor arma para resolver qualquer crise e o estresse: 'um inimigo que precisa ser combatido'. Mariângela Souza, que faz o atendimento da agência, diz que Lula gosta muito do que faz, e percebe claramente a sua atitude para com o trabalho. “É um cara muito transparente. Apesar de às vezes não estar num dos seus melhores dias, ele consegue driblar com bom humor e boas tiradas. Como ele é chefe temos que rir, lógico”, brinca.
O contato com o imediatismo da notícia é o motivo da paixão da alagoana Luana Nunes pela sua carreira. Atualmente trabalhando como free-lancer da revista Sou + Eu, da Editora Abril, ela já atuou como Assessora de Imprensa e também como repórter especial da editoria de cultura de um jornal impresso de Maceió. Como escreve os textos em casa, a carga horária de Luana é flexível, mas para ela a vida de jornalista é muito ativa. “Diria até que temos uma carga diária de 24 horas. Particularmente, não consigo terminar de tra-balhar e ir direto descansar, sempre estico mais algumas horas na internet ou na TV”.
A jornalista acredita que o melhor da profissão é saber das coisas antes de todos. “Isso me fez ser mais apaixonada pelo jornalismo. Essa sagacidade pela notícia em primeira mão sempre me fascinou”, revela. Apesar de o piso salarial não ser um dos melhores, ela ama a profissão. “Faço com prazer e não me arrependo de ter optado por ela. Vai ver que é por isso que me considero uma worklover de verdade”. Luana se diz muito curiosa, assiste e lê sobre tudo, de cultura útil à nem tanto inútil. “É notório o prazer que ela tem quando redige uma matéria. É muito minuciosa e é a mais detalhista de todas na hora da revisão”, reconhece a amiga Ingrid Martins.
| |
 |
| |
Daniel Edmundson,
da agência Mooz |
| |
|
DESIGN - Paixão pela criação. Esse é o motivo de o diretor da agência Mooz, do Recife, Daniel Edmundson, ser um worklover. O publicitário diz que o gosto pelo trabalho começou durante o primeiro estágio numa agência, quando virou as primeiras noites criando. “Isso pode parecer meio workaholic, mas não é. Quando realmente se acredita no trabalho, chega-se ao limite por ele. Quem é workaholic trabalha feito louco, seja um projeto bom, seja um ruim. Quem é worklover, ama o que faz, e vai fazer o possível para que tudo saia da melhor forma”, avalia. Depois da primeira experiência de mercado, Daniel foi para a Italo Bianchi. “Lá peguei o ritmo e organização de agência, que são duas coisas que levei para
|