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   Ano VIII | 15 Mar - 15 Abr - 2007 | nº 88 | Capa: rique,gusmão&azevedo
     

AS CRIANÇAS E O CONSUMO DA TECNOLOGIA

Priscila Freire

 
   

As crianças do mundo moderno diferem das crianças das gerações anteriores não só nos costumes e hábitos como também na hora de comprar. Cada vez mais exigentes e parti-cipativas, as crianças se tornaram um público consumidor em potencial. Tendo isso em vista, o recém-formado em publici-dade e propaganda pela Universidade Católica de Pernam-buco, Iúri Filho, dedicou seu trabalho de monografia a esse tema. “O fato de trabalhar com o estudo das características dos grupos de consumidores sempre me fez pesquisar as no-vidades no campo das pesquisas comportamentais. Esse as-sunto me chamou a atenção pelas mudanças que observei, inicialmente, dentro de casa - com meu irmão de sete anos”, justifica, e afirma: “As crianças de hoje são 100% digitais, vi-vem desde pequenas com aparelhos de alta tecnologia e lidam com isso naturalmente”.

É fato que, as crianças vêm consumindo produtos que eram destinados a adultos. “Hoje, é mais fácil encontrar uma criança de 9 anos indo ao shopping com seus pais comprar um iPod do que um autorama, antigo sonho de consumo de crianças na década de 90”, exemplifica Iúri.

Entre os motivos que justificam essa mudança, pode ser destacado o fato de as crianças modernas, desde cedo, terem acesso à tecnologia, assim como o bombardeio de informações que absorvem diariamente por meio da mídia. Os pais e professores também vêm estimulando-as para que possam viver novas experiências, levando-as a raciocinar de forma analítica, criativa e prática.

A soma desses e de outros fatores, termina desenca-deando a força de consumo que as crianças possuem, como é exibido em trechos da monografia: “As operadoras de telefo-nia celular têm constatado que a faixa etária de seus usuários está diminuindo. Elas prestam serviço, na maior parte pré-pago, a 44% das crianças da classe A e B”. Já em relação à internet, fica evidente que já se tornaram usuários assíduos: “Há diversos sites na internet que contabilizam mais de 2 bilhões de pageviews por mês, e todos eles sustentados pela publicidade que induz as crianças ao consumo”.

Baseado em pesquisas, Iuri afirma que no mundo contemporâneo os pais têm dado mais importância às opi-niões dos filhos. “Isso faz com que estes pequenos influencia-dores participem da decisão de compra de produtos dos quais eles não são o público-alvo, como carros, por exemplo”, afir-ma. Ainda de acordo com sua monografia, “estima-se que até 2010 as crianças e jovens sejam capazes de influenciar 80% das compras no país”.
Com quatro meses de pesquisa, o trabalho é funda-mentado em bibliografias. “Foram utilizadas pesquisas biblio-gráficas, artigos, dados quantitativos, pesquisas de mercado, tendências e estudos sobre o assunto”, diz.

Em relação aos pontos positivos encontrados durante a realização da monografia, Iuri destaca o fato de as crianças estarem mais exigentes no que diz respeito ao consumo tanto pessoal quanto dentro de casa. “A publicidade precisa ir além do que já faz, lógico, com responsabilidade, afinal são apenas crianças”, conclui Iúri.

     
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