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Nascido em Feira de Santana, ele procura usar o tempo em atividades que classifica como euforizantes. Tem vários hobbies e perambula profissionalmente entre a publicidade e a agropecuária. Estamos falando do presidente da Propeg (BA), Fernando Barros, que, com uma carreira em projeção, é o responsável pelo planejamento de comunicação e criação de inúmeros projetos de marketing para empresas e entidades, principalmente para os governos estadual e federal, tendo recebido várias láureas, premiações regionais e nacionais. Esse publicitário e jornalista, com mil facetas, já foi eleito pelo Prêmio Colunistas Norte/Nordeste como Publicitário do Ano (Edições 1986, 1998 e 2006) e recebeu o Prêmio Profissionais de Marketing 2005, pelo estado da Bahia, com o case das Lojas Insinuante.
Com quatro filhos e já no segundo casamento, o presidente da Propeg participa de campeonatos por todo o Brasil, pratica equitação e, como quase todo baiano, gosta de música (curte de Luiz Gonzaga a Beatles), e toca em duas bandas. Uma para tocar forró e outra, mais antiga, chamada “Os Mustangs”, estilo country-rock. Considera-se bom leitor e sempre tem no mínimo dois livros na cabeceira. No quesito cinema aprecia Um homem e uma mulher, filme francês, que conta que foi um dos primeiros merchandising que se tem notícia, porque nele foi lançado o clássico carro da Ford, o Mustang. Fernando se diz tão vidrado nesse carro, que tem um Mustang 1967, novinho em folha. E desafia: “Quem quiser vir, pode vir ver”. Colecionador de carros antigos, além do Mustang, ele tem Simca, Rural, Jeeps, Fusca e outros que marcaram a sua infância. Ao ser indagado como se auto-define, responde que é “um ser em mutação” e que tem muito a aprender. Uma frase/provérbio lapidar é a seguinte: “Ser bom é fácil. Ser ruim mais fácil ainda. Difícil é ser justo”.
REVISTA PRONEWS - É verdade que a vida começa aos 40? Fale um pouco sobre o estudo comandado por você, e a que ele se propôs. Quais foram os resultados e constatações?
FERNANDO BARROS - Um amigo me ensinou que "quem cria, nasce todo dia". É assim que entendo a vida. Inventar, todos os dias. Inconformar-se; achar que sempre é possível fazer diferente, melhor. Não faz mal um pouco de angústia, a preocupação de ser ultrapassado; isso nos empurra para frente, nos faz recomeçar todos os dias, tendo 40... 50... o tempo é parceiro de quem quer chegar a algum lugar novo, sempre. O nosso es-tudo qualitativo focou os hábitos de consumo e comportamentos de solteiros e descasados da geração de 1965. Com o aumento da expectativa de vida e os avanços ocorridos na medicina, seja pela reprodução assistida, seja no prolongamento da atividade sexual, o estudo confirma que casar, descasar, refazer a vida é com patível e natural aos 40 anos. Pelo viés do consumo, o levantamento revelou que para atender a esses homens e mulheres, fabricantes e prestadores de serviços devem continuar investindo em descobertas que garantam a jovialidade, o conforto e as facilidades proporcionadas pela tecnologia, tudo isso revestido por uma aura de humanização. No comportamental, a palavra-chave para as mulheres é a liberdade; para os homens, adaptação.
RPN - Publicidade ou agropecuária? Como é ser executivo dessas duas áreas? Quando começou sua paixão e interesse pela segunda opção?
FERNANDO BARROS - Sou de uma família de origem agrária. Meus avós são da região sudoeste da Bahia, onde praticamente começou a produção de café no Nordeste. Sou o que na pecuária se poderia chamar de "tricócere", ou seja: a mistura de três sangues. Na parte materna, do Português com o Italiano. Na paterna, a Paraíba, de onde migrou meu pai. Sempre gostei do campo, inclusive como atividade econômica. A propaganda veio junto. Lembro-me, aos nove anos já era fascinado por anúncios, cartazes - daqueles multicoloridos -, dos circos, que chegavam à minha cidade natal (Feira de Santana), aos das revistas, que lia em casa. Daí para a TV, foi um pulo. Adorava os comerciais, mesmo aqueles das famosas garotas propaganda que faziam sucesso na época. Nunca tive dúvida do que queria fazer. Perdia horas observando o papo dos camelôs nas ruas e adorava comerciais de automóveis. Outro dia, me perguntaram, numa palestra que fazia para estudantes, se eu "ganhava muito dinheiro com isso". Respondi que gostava tanto do que fazia que deveria pagar e não rece-ber. Propaganda, sim, e sempre. Não me vejo fazendo outra coisa.
RPN - E o que é que a Bahia tem?
FERNANDO BARROS - A Bahia é berço de criação, de imaginação, de invenção. Nosso estado imprime no DNA de seus filhos o traço da irreverência criativa, estética, manifestado nas artes, inclusive a propaganda. É diferente o jeito com que a gente faz música, dança, literatura, plásticas, e na propaganda isso se manifesta no inconfundível estilo que, modestamente, encanta e convence. Mas a natureza é tão pródiga, que o efeito se dá não apenas para quem nasce, mas para quem vive ou passa por aqui. Uma espécie de contaminação ao contrário. É só vir ver para crer.
RPN - Pelo que pudemos perceber, um marco da Propeg foi o atendimento a contas públicas. Existe algum diferencial ou alguma estratégia peculiar para lidar com contas governamentais? Em que campanhas públicas a Propeg já se destacou?
FERNANDO BARROS - Sempre entendemos contas públicas como clientes normais, e não apenas a oportunidade de faturamento. A estratégia é essa: ter estratégia. Assim a marca "Bahia" é nosso melhor case de branding. Tendo esse raciocínio estratégico como básico, é que ajudamos a transformar a Bahia no estado que mais cresceu no Nordeste, estando no ranking nacional entre os três primeiros, sempre. E não foi pelo turismo só não. Na atração de novas indústrias, a Bahia também esteve na frente. Sabe como a Ford veio para a Bahia? Fustigada por um anúncio, publicado por nós, logo após os desentendimentos que eles tiveram com o Rio Grande do Sul, estado para onde eles já haviam se definido a ir, inclusive, com obras da fábrica iniciadas. Há outros projetos públicos interessantes que participamos. É de nossa autoria chamar de "Avança Brasil", o conjunto de obras do governo Fernando Henrique. Fomos responsáveis pelas memoráveis cam-panhas de trânsito de Brasília, que fizeram de lá o estado de melhor educação de motoristas do Brasil. E outras de diversos estados como o Ceará, e aí mesmo em Pernambuco nas gestões Arraes e Carlos Wilson.
RPN - A Propeg também tem grande participação na história do marketing imobiliário baiano? Por quê?
FERNANDO BARROS - A Propeg cresceu com o marketing imobiliário. Nos primeiros anos de vida da agência tivemos um cliente muito especial que, com nosso fundador, Rodrigo Sá Meneses, foi responsável por memoráveis campanhas lá pelos anos 70. Era Duda Mendonça, ele mesmo, sócio da maior imobiliária local, a Promov. Depois, Duda veio para a Propeg, justamente para dirigir a área imobiliária da agência. Daí seguiu "solo" para fundar a sua DM9, hoje do Nizan e da DDB. De lá para cá, lançamos os maiores e mais expressivos empreendimentos da Bahia para grandes corporações como Odebrecht, OAS, Alphaville e outras. Foram bairros inteiros, quase cidades, como é o caso de Vilas do Atlântico, uma comunidade no litoral norte da Bahia. Ganhamos a "pegada", e ainda hoje somos a maior agência do mercado imobiliário baiano.
RPN - Outro setor em que vocês se destacam é o varejo. O que levou a empresa a criar uma divisão de varejo? Como funciona?
FERNANDO BARROS - Atendemos a cadeia de lojas Insinuante, uma das quatro maiores do Brasil. São 250 lojas, espalhadas por 17 estados. Um faturamento previsto de mais de dois bilhões este ano. São produzidos mais de 20 comerciais por semana, um milhão de exemplares de tablóides de ofertas, 12 anúncios diferentes, uma loucura, não dá para uma locomotiva dessas ficar no meio de uma estrutura de agência como cliente comum. Fizemos, até onde tenho conhecimento, a mais ousada e completa estrutura dedicada exclusivamente a uma conta. |