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Cinema, esportes, música, literatura, artes, moda. Qual a sua verdadeira paixão? Depois dos worklovers, aqueles que fazem da sua profissão um hobby, alguns jornalistas e publicitários contaram à PRONEWS quais são suas paixões paralelas. Todos trabalham na área de comunicação e mantêm outra especialidade ao lado de suas obrigações diárias, seja fazendo disso uma extensão de sua carreira, seja apenas um hobby levado muito a sério.
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| Sônia Bierbard |
“A palavra que rege minha vida é criação”. Assim define sua carreira a atriz, publicitária e escritora Sônia Bierbard, que começou na Italo Bianchi, com passagem pela Level, Mix, Puma e Publivendas (a-tual Morya). Ela diz que já fez de tudo: atendimento, mídia, produção, RTV, mas ganhou mais experiência como redatora. Na agência Marta Lima, pôde aliar seus conhecimentos de publicitária aos de atriz e encenadora. "Criei e dirigi um texto teatral chamado 'A turma da Rua' para divulgar a candidatura e propostas de Carlos Wilson ao governo do Estado", lembra.
São 30 anos de palco. Nascida em São Paulo, ainda no colégio criava textos, dirigia e atuava. Depois, no Recife, trabalhou com a Cia. Praxis Dramática, encenando o texto de Luigi Pirandello “Esta noite se improvisa". Em seguida, foram mais de 30 peças de teatro, entre elas: “É...” de Millor Fernandes; "Senhora dos Afogados" de Nelson Rodrigues e "Mamãe não Pode Saber" com texto e direção de João Falcão.
Bierbard produziu também vários espetáculos, como o infantil "Dom Chicote Mula Manca" com direção de Lívia Falcão; “Suburbano Coração”, direção de Marcus Vinicius; "Foi Bom, Meu Bem'', direção de José Pimentel. Ela tem dois livros de poesia publicados e premiados em concursos literários nacionais: "Secreto Escândalo" e “Linguagem Submersa”. “Como se pode ver, a palavra criação é mais do que um modo de trabalhar, mas uma ferramenta necessária para repensar o mundo e ajudar as pessoas a fazer o mesmo. Seja com campanhas publicitárias que trabalhem o consumo consciente, seja com a poesia e o teatro, mas acima de tudo com paixão”, diz a publicitária dos palcos.
Preservar a cultura popular via internet é o hobby de Roberto Beltrão, editor da Rede Globo Nordeste. Antes de ler "Assombrações do Recife Velho" de Gilberto Freyre, o jornalista não tinha idéia de que a capital pernambucana tinha tantos relatos de acontecimentos, “um universo paralelo que revela muito sobre o imaginário da cidade”, diz Beltrão, que revela a contribuição de seus avôs do interior para seu fascínio pelas histórias de assombração. “Quando ia passar um tempo com eles, me contavam coisas que deixariam qualquer menino da cidade grande encantado”, lembra.
Como já tinha conhecimento em webdesign, Roberto pensou num blog como a melhor forma de divulgar seu hobby e promover interação entre o público. O mecanismo é simples: ele recolhe as histórias que ouve das pessoas e coloca na página. Outros relatos são enviados pelos leitores, cerca de 30 por semana. “Enquanto todo mundo fala em preservar as danças e o artesanato de Pernambuco, ninguém se lembra de manter vivas as tradições orais do estado. São justamente esses causos que estão sendo esquecidos, já que quase não existe mais aquela conversa na calçada, entre vizinhos, ou aquela hora em que os avôs se reúnem com os netos para assombrá-los com histórias de almas”, diz.
Em 2004, Beltrão recebeu da Fundação Joaquim Nabuco o título de "Amigo que abraça a causa do folclore e da cultura popular", o mesmo dado a mestres de maracatu, passista de frevo, mamulengueiros, aboiadores. “Fiquei bem orgulhoso. É sinal de que meu trabalho vale a pena, tem valor. Sim, porque nunca recebi um tostão de qualquer 'lucro' vindo do Recife Assombrado - e por amor à camisa mesmo”. Outra experiência paralela ao blog foi a publicação do livro "Histórias Medonhas do Recife Assombrado". “É um apanhado do conteúdo do site. “Recebi pedido do livro de um brasileiro que mora no Japão e, em outubro, um pesquisador de folclore do Pará veio me conhecer e conseguir um exemplar da publicação. Isso me deixa muito satisfeito, ver o sucesso de um projeto que se iniciou sem nenhuma pretensão, somente pelo prazer de ouvir e contar histórias de mal-assombro”, revela.
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| Roberto Beltrão |
CORDEL - Quem também mantém um affair com a cultura popular é o publicitário Mauro Machado, do marketing do Shopping Center Recife. Sua paixão é a literatura de cordel, e o primeiro encontro foi pro papel. “Comecei a escrever depois de ter penetrado numa festa onde estava Ariano Suassuna autografando uma revista. A forma que eu entrei foi tão mirabolante que pensei: 'isso daria um cordel”, conta. Daí surgiu seu primeiro folheto: 'O Encontro do Fã com o Ídolo'.
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| Silvana Marpoara |
Mauro também foi influenciado pelo avô, o poeta paraibano, Mauro Ananias. Ele diz que escrever cordel é só um hobby, no entanto, levado a sério. “É impossível viver só escrevendo folhetos. Já é difícil escrever livros, imagine o cordel, tão simples e discriminado”. Não é fácil conciliar as atividades de cordelista com o trabalho no Shopping Recife. Muitas vezes o cordel fica bem de lado: “Tenho muitos folhetos inacabados que, por falta de tempo, não consigo terminar. Escrevo nos momentos livres, normalmente, na madrugada ou no domingo. Gosto de contar histórias, inventar personagens, situações, lugares. Não gosto muito dos temas políticos. E, apesar de ter sempre morado em capitais, prefiro contar (e cantar) o interior, o sertão”.
Com outros cordelistas do estado, Mauro ajudou a formar a União dos Cordelistas de Pernambuco, com o objetivo de conseguir mais espaços para a literatura popular. Sempre que pode participa de recitais e se apresenta declamando os seus folhetos. De vez em quando, também é chamado em escolas nas feiras de ciência. “Também faço cordel por encomenda. Já fiz para aniversário de empresas e pessoas, programa de motivação para funcionários, casais de namorados e convites de casamento. Basta dar o assunto”, diz.
Cinéfilo, devorador de livros e de quadrinhos. Assim é Bernardo Queiroz, editor do Programa de Cinema, da Estação TV, do Recife. Neste caso, a cinefilia se estende ao trabalho. “É uma forma de manter as coisas quentes pro programa, renovar a estética do que aparece por lá”, diz Bernardo, fã de filmes ficção científica e fantásticos. “Sim, eu fui um daqueles caras que estavam lá na primeira sessão de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei e que viu a maior parte dos longas metragens de Jornadas nas Estrelas e os episódios novos de Guerra nas Estrelas tão logo eles chegaram nos cinemas”. Outro hobby do jornalista é a literatura, seja ela pop, seja clássica. “Eu sou um comprador de livros meio compulsivo. Eu leio tudo que me cair às mãos, e compro livros novos quase todos os meses. Geralmente mais de um. Faz uns cinco anos que eu tenho um acúmulo permanente de três livros não lidos na estante, que já está ficando sem espaço”. Às vezes, essa compulsão cria problemas para ele, quando mexe com o seu orçamento. “Um bom exemplo foi quando eu estava com meu salário de estagiário, mas achei uma coleção das obras completas de Dostoievski, por R$ 245. Apertei o cinto pelo resto do mês, e ainda não li metade dela até hoje”.
EM CARTAZ - Membro da equipe da Representação Regional no Nordeste do Ministério da Cultura (Minc) há quatro anos, a jornalista Silvana Marpoara concilia seu trabalho de produtora cultural com seu hobby, que virou profissão, desde os tempos da universidade: o cinema. Também membro da comissão organizadora de um dos maiores festivais nacionais, o CINE PE, ela tem uma produtora particular que distribui filmes nacionais no circuito alternativo do Recife. E além de tudo isso, mantém um caso com a gastronomia.
Fundadora do Cineclube Revezes, que exibe filmes semanalmente na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Silvana começou a trabalhar fazendo lançamento de filmes na produtora Espaço Z, agência nacional com filiais em várias capitais brasileiras. Hoje, com sua sócia Flávia Melo mantém sua própria produtora, que traz filmes brasileiros que não entram no 'circuitão', entre eles: 'O cárcere e a rua', 'Wood & Stock' e 'Cafundó'. Silvana também fez parceria com a Faculdade Maurício de Nassau, que oferece graduação em cinema, para trazer diretores e artistas dos filmes em lançamento para o Recife. “Desde a época da faculdade saía com a fita debaixo do braço para levar o filme a algum lugar”, lembra.
Como assessora de comunicação do Minc, faz produção de boletins e prepara um portal regional de notícias que conta com TV virtual e rádio. Um dos programas que Silvana desenvolve é o CulturaViva, que procura aproximar o povo do Minc. Também realizou ação com índios, tendo em vista o Prêmio Culturas Indígenas. “Fizemos a capacitação por meio de oficinas”.
Que nome receberia um prato que leva peito de frango, queijo coalho, mel de engenho e pétalas de rosas? Sim, é o “Bombom de Frango”, que levou Silvana a um programa de TV de culinária para preparar sua obra-prima da gastronomia e lhe rendeu um prêmio. “Gosto de cozinhar nas horas vagas, ler e estudar o tema, inventar novas receitas”, diz.
ASA DELTA - Desde que fez curso de pára-quedismo no Rio de Janeiro, em 1992, Cláudio Cardoso, diretor de Criação da Emballa Design Estratégico, não parou mais de saltar. Em 2001, descobriu o vôo livre (Paraglider), um esporte de ação com integração total com a natureza. “Se estou com problemas ou me falta inspiração para o trabalho, pego meu equipamento e vou para rampa dou meu vôozinho, que pode durar de 30 minutos a três horas, num dia bom”, diz. Para se manter no ar, Cláudio explica que é preciso procurar as
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| Cláudio Cardoso |
correntes ascendentes de ar (térmicas). Para encontrá-las tem-se que estar bem afinado com as reações do ambiente no qual se está voando, como as formações das nuvens, direção do vento, movimentação da vegetação no solo e o relevo. “Tudo isso torna o vôo mais excitante, e quando pouso os problemas ficam lá em cima e a inspiração vem comigo”.
Hoje, Cláudio está ministrando curso de vôo nos fins de semanas. “Isso também me dá um prazer enorme: ensinar homens alados a voar como pássaros sem motores. É a des-coberta de novo meio ambiente”. Segundo ele, a observação dos pássaros é muito importante para o vôo. “Nós voadores dizemos que o urubu é nosso grande mestre na arte de voar, se tem urubu no céu é dia e local de bons vôos”. O diretor de criação, assim como os outros, transformou seu hobby em profissão. Há quatro anos adquiriu um paramotor que vem a ser um paraglider motorizado e proporciona decolagens em áreas planas num raio de 40 metros, podendo decolar de praias, por exemplo. “Este ano comecei a investir no paramotor como mídia aérea, que consiste no vôo do aparelho adesivado com a marca, mensagem e ou produto do cliente. Esta mídia já é bastante utilizada no Sul e Sudeste do país; já aqui no Norte e Nordeste é uma novidade”, explica.
ARTESANATO - Apenas quando foi morar fora do país, Fabiana Souza, formada em administração, se certificou de sua verdadeira paixão. Na França, trabalhou com a comer-cialização e decoração do artesanato brasileiro. “Assim a chama reacendeu e, na volta, recebi convite para trabalhar no Centro de Turismo de Natal como administradora, conseguindo juntar os dois interesses de minha vida em um só âmbito”, lembra. Mas a função não a satisfazia ainda como profissional, e Fabiana iniciou nova busca. Foi quando surgiu o desafio de nova atividade: mí-dia de uma agência de publicidade. “O que parecia impossível, tornou-se outra paixão. Descobri que o meio da comunicação e o do artesanato têm muito em comum - a ausência de rotina”. Hoje, concilia o trabalho na Carratu Publicidade com um MBA em marketing e o desenvolver de sua grife 'Dona Bacana', que está em fase de finalização de identidade visual e design de produtos.
A princípio, a Dona Bacana vai comercializar bolsas femininas e acessórios de moda desenvolvidos pela gerente de mídia e por uma amiga estilista. Todas as peças serão úni-cas, pois serão feitas à mão e cada detalhe e material estudado de forma que agradem as consumidoras mais exigentes que vierem a se tornar uma 'Bacana'. “Com esta nova empreitada, pretendo dar continuidade ao desenvolvimento dos brindes dentro da agência com a grife e buscar horizontes, de modo a mesclar um universo ao outro. Não pretendo sair da área da publicidade, mas sim, crescer como mídia e comercializar o meu hobby, transformando uma paixão em negócio rentável e saudável”.
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| Fabiana Souza |
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