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O então presidente Robreto Marinho na inauguração da Rede Globo Nordeste |
"Atenção para o toque de oito segundos!". Era noite em 22 de abril de 1972 quando, ao final da contagem regressiva, a imagem do "Velho Guerreiro" Abelardo Barbosa aparecia na tela de centenas de aparelhos de TV em Pernambuco. Especialmente transmitida para todo o Brasil do Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães (o Geraldão, em Recife), aquela edição da Discoteca do Chacrinha dava as boas-vindas à emissora que se utilizaria de inovadora linguagem visual para conquistar a preferência dos telespectadores locais, ocupando hoje lugar especial no coração dos pernambucanos: a Rede Globo Nordeste.
A criação da emissora tornou possível ao público local acompanhar de perto a conceituada e bem estruturada programação gerada pela Rede Globo, com suas novelas, musicais e o tradicional Jornal Nacional, que trazia as notícias do Brasil e do mundo, além do inconfundível "Boa noite" ao final de cada edição. Seguindo essa linha, mas sempre buscando linguagem própria, a Globo Nordeste consolidaria sua imagem no cenário local em apenas três anos de fundação, segundo pesquisas realizadas na época. Para se ter idéia de tamanho sucesso, no início da década de 80, as agências publicitárias pernambucanas já reservavam 70% de suas verbas para inserir a marca de seus clientes na programação da emissora. Na época, o escritório da emissora funcionava na movimentada avenida Conde da Boa Vista, centro do Recife. Hoje, ocupa confortável e imponente edifício no bairro de Boa Viagem.
Ao longo de 35 anos, as lentes da Globo Nordeste revelaram acontecimentos de relevo tanto para a história do estado quanto para a vida das pessoas que nele habitam. Podemos citar a visita do papa João Paulo II ao Recife, o sucesso dos meninos cantores de São Caetano, a morte de Luiz Gonzaga e de Dom Hélder Câmara, enchentes, secas, denúncias e conquistas. Encimada no Morro do Peludo, Olinda, a Globo transmite seu sinal para cerca de 1,2 milhão de domicílios (equivalente a 4,9 milhões de pessoas) em 53 municípios pernambucanos, tendo a responsabilidade de alimentar as afiliadas TV Asa Branca (Caruaru) e TV Grande Rio (Petrolina). Mantém ainda núcleo de produção com a proposta de preservar e estimular os valores da região e segue, em seu jornalismo, a linha de interação com as comunidades locais.
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"A Globo Nordeste apóia e dá força a tudo o que é daqui. Nós temos Pernambuco no coração e é isso o que nós somos", afirma o gerente de Marketing da emissora, Ricardo Caldas. Dispondo atualmente de 300 profissionais em seu quadro de funcionários, a Globo Nordeste põe em prática o lema "Pernambuco no Coração" por meio de projetos como o Festival de Quadrilhas Juninas e o Festival de Verão, bem como em programas como Nordeste - Viver e Preservar e São João de Pernambuco - transmitido ao vivo para todo o Nordeste. "Não temos conteúdo exclusivo de uma classe social. É uma programação feita para o brasileiro e é bem-feita, de qualidade. A gente faz as coisas de coração", diz o profissional.
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| Jô Mazzarolo, diretora de jornalismo da Globo Nordeste |
Além de valorizar o talento local - profissional e artístico -, a emissora procura com freqüência manter vivo o diálogo com telespectadores e a comunidade por meio de seu conteúdo. Um exemplo lembrado por Ricardo Caldas é a transmissão do NETV direto de escolas públicas da Região Metropolitana do Recife, quando os jovens são levados para dentro do estúdio e têm a oportunidade de mostrar um pouco de seu dia-a-dia na TV, além de acompanhar de perto a realização do programa. Sem falar da festa de comemoração dos 35 anos da emissora, realizada gratuitamente para mais de 60 mil pessoas na praça do Marco Zero, ponto inicial do Recife - um "presente que a Globo deu à cidade", segundo as palavras de Caldas. Quem puxar pela memória, também vai se lembrar dos projetos Canta Nordeste e Vamos Abraçar o Sol, que atraiu milhares de pessoas à praia de Boa Viagem em outubro de 1979.
"Pernambuco é um estado muito rico em cultura. Por isso, nós procuramos usar todos os recursos e espaços para valorizá-la. Tanto a cultura popular, quanto aquela que se 'esconde' em monumentos, igrejas, painéis, engenhos, museus, bibliotecas e universidades", explica Jô Mazzarolo, diretora de Jornalismo da Globo Nordeste. "Nosso esforço é para que todos saibam o quanto isso é importante para um estado e para um país. Povo rico é aquele que preza e respeita a cultura e a memória", afirma, ressaltando que tal trabalho pode ser visto na TV aberta (a própria Globo) e no canal Globonews, por assinatura.
O jornalismo é visto como elemento diferencial da emissora desde seus primeiros anos, tendo desempenhado importante papel para que a Globo Nordeste se diferenciasse no mercado. Na casa desde maio de 2000, Jô Mazzarolo iniciou a carreira na TV Bandeirantes de Porto Alegre, passou pela RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul) e seguiu para a Globo do Rio de Janeiro, onde atuou como editora. Na Globo Nordeste, antes dela, o cargo era comandado pela jornalista Vera Ferraz, que implementou reformas, estreitou os laços da emissora com a universidade e impulsionou o trabalho de transformar acontecimentos aparentemente simples em grandes notícias e, ao mesmo tempo, valorizar a cultura local.
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| Cléo Nicéas trabalhou na Rede Globo Nordeste de 1973 a 2000 |
"Fazer 35 anos é reforçar o compromisso com a cidadania, com o interesse público, com as causas sociais e com a vida, a cultura e a história dos cidadãos", diz Jô. Ela explica que a emissora procura estar atenta a tudo o que acontece no estado, principalmente nos momentos significativos para a vida das comunidades e das cidades. Cita como exemplo o Globo Verão, Pernambuco Quero Te Ver, O Bairro Que Eu Quero, a cobertura do Galo da Madrugada e as campanhas sociais e de valorização do patrimônio, entre outras iniciativas. "São formas diferentes que encontramos, em momentos diferentes, para estar mais perto daqueles que nos assistem", diz. E conclui: "O mais importante é não se conformar com as coisas como elas são. É dar valor a todas as coisas, todos os fatos. É tentar se colocar na situação das pessoas que você está retratando na TV. É ser prepositivo, evitar julgar a importância ou não de reportagens baseado em valores e critérios seus. É deixar as pessoas contarem a história delas. É ser mais cidadão".
"A história da Globo Recife é rica. A emissora inovou na política de comercialização; processou a mudança do slide para o videoteipe; foi a primeira da rede, fora Rio e São Paulo, a adquirir e transmitir jogos do campeonato de futebol local; pioneira também na produção jornalística no exterior com equipe local. Tudo com inovação e sotaque", enumera o atualmente dedicado à publicidade Cléo Nicéas. Cléo chegou à emissora em 1973, como contato comercial, tendo passado pela gerência de vendas e pela direção comercial, de onde saiu para assumir a direção regional da Globo Nordeste, de 1982 a 2000 - hoje o cargo é ocupado pelo engenheiro civil Celso Coli.
"Foi o mercado local que me indicou para a Globo, mas meu desempenho e os resultados comerciais alcançados complementaram meu conceito na empresa recém-chegada", lembra Nicéas. Durante sua gestão, o profissional teve que vencer as barreiras impostas pela visão de clientes e gestores, fazendo com sucesso o volume de inserções comerciais da emissora crescer consideravelmente - até então, a Globo Nordeste liderava em audiência, não em faturamento. "Aceitei o desafio de mostrar e demonstrar o talento comercial que nosso mercado sempre teve", afirma. "Fui jogador e treinador. Treinado também fui. Aprendi muito com os que vieram da Globo ou os que já estiveram lá. A Globo é uma universidade. Eu apenas joguei para ser campeão", avalia Cléo Nicéas. Para concluir: "A televisão se reinventa a cada dia". |