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   Ano VIII | 15 Jul - 15 Ago - 2007 | nº 91 | Capa: dC2 Comunicação
     

INVESTIR EM MÚSICA AINDA É UM BOM NEGÓCIO

Klever Schneider

Um mercado que tem crescido muito e já abordamos várias vezes aqui, é o marketing cultural. Em artigo da revista Meio & Mensagem, na edição de abril, há um dado interes-sante. O investimento nesse setor subiu de 34% para 39%, o que representa num mercado tão competitivo, o diferencial importante para divulgar a marca da empresa fazendo com que as pessoas enxerguem as empresas patrocinadoras de outra forma. No Brasil, é possível encontrar bancos, siderúrgicas, empresas de telecomunicações e telefonia, companhias de energia e empresas privadas em geral que vêem nas ações sociais e culturais uma forma de projeção da marca. Muitas são conhecidas do público como a Tim, Skol, OI, Votorantin, Credicard, entre outras. Mas o que leva um escritório Con-tábil a patrocinar um grupo, ou uma gráfica destinar milhares de folders e cartazes para um evento ou artista? E o que dizer das faculdades ocuparem espaço nesse novo nicho do mercado?

Verônica Dantas

Para a diretora da Sedna Marketing Cultural e assessora de Marketing do Quinteto Violado, Verônica Dantas, a empresa que investe em um artista ainda desconhecido, aposta numa promessa de sucesso e, conseqüentemente, no retorno. "É um investimento a longo prazo, um trabalho de construção, assim como qualquer empresa, produto ou negócio que começa: é uma aposta no futuro. O incentivo para o surgimento de novos talentos agrega valor à imagem do patrocinador, como uma instituição preocupada com a valorização, a continuidade e a renovação da cultura", explica Verônica.

O Escritório Contábil Otimize, no Recife, está apenas há cinco anos no mercado e segundo seu sócio-administrador, Erbert Fernando, o interesse em patrocinar grupos desconhecidos possui dois escopos. "O primeiro consiste na valorização do artista pernambucano, cujo talento nem sempre é reconhecido, fora do Estado, ou, principalmente dentro dele. O segundo escopo é profissional: acreditamos que dá lucro investir na cultura, uma vez que teremos divulgação nacional de nosso nome", avalia.

O diretor de Marketing da Faculdade Maurício de Nassau, Eduardo Gonçalves, diz que a instituição segue algumas diretrizes. "Não tratamos como produto, mas como referência institucional. Nossa visão não é comercial, mas segue três eixos: responsabilidade social, empreendedorismo e valorização cultural. Seguimos o slogan da faculdade, Fazendo parte da sua história, e por isso queremos disseminar o valor de nossa terra", expõe. Com sede em João Pessoa, a Gráfica Santa Marta, completou 40 anos de estrada no ano passado. Hoje, tem filiais em Salvador, Fortaleza, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belém do Pará e Recife. De acordo com o gerente de Marketing e Desenvolvimento da Gráfica, Fred Hortêncio Ribeiro, a empresa tem como premissa apoiar a cultura em todas as suas expressões. “Não estamos diretamente focados em cantores ou eventos musicais, apenas estamos analisando todas as propostas recebidas e buscando apoiar o máximo possível", analisa.

Eduardo Gonçalves

Já a gerente de comunicação da Gráfica JB, Flávia Rocha, diz que a empresa investe em qualquer projeto que considere interessante e que de certa forma tenha convergência com o pensamento enquanto empresa socialmente responsável, incluindo a música. "Procuramos investir princi-palmente nos talentos dos estados com os quais trabalhamos. A Paraíba, nossa matriz, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas", esclarece. Os patrocinadores podem ainda ganhar mídia espontânea e incentivos fiscais. "Existem os patrocinadores que esperam retorno imediato, uma grande mídia ou mesmo aumento instantâneo de faturamento. Por outro lado, há inúmeras empresas que planejam a construção, mudança ou ampliação do seu mercado e, conseqüentemente, da sua imagem, visando público específico nos projetos que tenham continuidade e credibilidade", comentou Verônica Dantas. "A Otimize, atenta a isso está investindo no Grupo Elenco, composto por cantores profissionais com formação popular e erudita, com vozes versáteis de timbres variados, acompanhadas por piano, banda ou orquestra e corpo de balé", disse Erbert Fernando. O grupo apresenta o espetáculo "Cenas: O Melhor dos Musicais" e fará turnê nas regiões Norte e Nordeste, graças ao apoio de outros parceiros.

Flávia Rocha


A Faculdade Maurício de Nassau investiu no camarote do festival de Verão do Recife, deu apoio gráfico aos shows de Oswaldo Montenegro e Fábio Junior, e trouxe o baiano Netinho para a calourada", ressalta Eduardo Gonçalves.

Flávia Rocha, da Gráfica JB, disse que não tem número preciso sobre o investimento específico na área de música. "Posso afirmar que em 2006 foi algo em torno de 15% do nosso investimento total de marketing cultural. Certamente esperamos aumentar esse investimento durante o ano". Verônica Dantas alerta que as maiores dificuldades no segmento musical, estão relacionadas à venda de CDs, a massificação de determinados gêneros musicais que dificulta a divulgação de trabalhos sem muitos recursos, diante da diversidade musical, forte característica nordestina. As empresas que abriram os olhos para investir em cultura, estão no caminho certo. No final de 2006, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou estudo inédito sobre Sistema de Informações e Indicadores Culturais. A cultura apareceu em 4º lugar nos gastos dos brasileiros, após a moradia, alimentação e transporte, representando 7% no orçamento familiar. A região Nordeste contribui com 16,4%, destes, os municípios dos estados de Pernambuco (5,6%), Bahia (4,0%) e Ceará (2,6%) são os que mais gastam em cultura.

Fred Ortêncio


Fred Ortêncio revela que a Gráfica Santa Marta já teve projetos em que a abrangência da divulgação não seria tão grande, mas se encantaram tanto que resolveram apoiar. A população está disposta a consumir música, o que reflete desejo de melhorar a qualidade de vida buscando opções de lazer. Verônica Dantas diz que "a música brasileira, reconhecida no mundo inteiro, é uma expressão cultural que sempre terá espaço na captação de patrocínios e apoios". A Otimize pretende divulgar Pernambuco como referência artística e espera, a partir da produção de espetáculos, criar um refe-rencial de que Pernambuco também tem bons artistas e cantores, que não são descobertos por falta de alguém que acredite neles. "Um patrocínio bem planejado entre artista e investidor, sem dúvida, gera resultados muito positivos, superando expectativas e trazendo números expressivos para ambas as partes", analisa Verônica Dantas. O que se percebe, é que as coisas estão mudando em relação ao marketing cultural, especificamente para a música e os eventos musicais. Independentemente do porte das empresas, é um investimento saudável. Bom para o público, bom para o artista, bom para os patrocinadores.

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