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   Ano VIII | 15 Jul - 15 Ago - 2007 | nº 92 | Capa: Ponto D (PB)

     
O PARTO

Dan Coutelo
BPM Comunicação - dcoutelo@yahoo.com.br
 

Tudo levava a crer que seria uma segunda-feira como outra qualquer no Hospital Dead Line. Como de praxe, fazia minha visita de rotina aos quartos dos pacientes quando no alto-falante eu escuto:

- Dr. Criação, favor comparecer à sala de reunião urgentemente.

Foi o que fiz, corri para a sala de reunião e me deparei com uma verdadeira junta médica analisando minuciosamente um paciente. Caso grave, gravidez complicada. Mal consegui me sentar à mesa e o Dr. Atendimento já comentava sobre a delicadeza do caso, das necessidades do paciente, de quanto era importante agirmos imediatamente, pois senão poderia ser tarde demais. E ele falou, falou e falou... Deu a ficha completa do paciente: sua primeira internação, seu histórico completo de problemas, seu quadro clínico atual... Só parou interrompido pela Drª. Mídia que, imediatamente, alertou sobre o plano de saúde do paciente não cobrir grandes gastos, mas que tinha conseguido os melhores espaços para acomodar o paciente após a cirurgia.

Normal. Já estava acostumado com isso. Aproveitei a paciente ainda na sala para adquirir a maior quantidade de informações sobre seu estado e o que estava sentindo naquele momento. Ele contou tudo o que faltava saber para que nada saísse errado. Então me voltei novamente à Drª. Mídia e perguntei como estava a dilatação do tempo e ela respondeu: Curtíssima!

Ótimo, o relógio estava, novamente, contra nós. Não podíamos perder mais tempo, chamei a melhor dupla de cirurgiões do nosso staff e mandei-os depressa para o centro-cirúrgico. Enquanto seguia com a paciente para nos encontrarmos lá, deixei os Drs. Atendimento e Mídia confortando o pai da criança. Na ante-sala do centro me deparei com o Dr. Diretor de Arte já com todos os instrumentos necessários para cirurgia. Preocupado com o tempo perguntei sobre o Dr. Redator e ele me respondeu que estava dando os últimos pontos em outro paciente e em 2 minutos nos encontraria.

Pronto, ele chegou. Passei a ficha do paciente para eles com todas as informações adquiridas e necessárias. Agora era com eles. Por algum tempo eles riscaram papéis, discutiram, levantaram, caminharam, riram, planejando tudo o que fariam, com o tempo que tinham eles não podiam errar. Depois de tudo isso eles entraram na sala de cirurgia. O tempo passa de forma inversa para quem quer que ele não corra. De tempos em tempos passava um relatório para a Drª. Mídia informando em que pé estava a cirurgia.

O Dr. Diretor de Arte injetou cor para dar forma, enquanto o Dr. Redator, no ritmo dos seus batimentos, dava conteúdo à criança. Foi assim a cirurgia inteira: fazendo incisões com bisturis 2B, aplicando doses de imagens, aferindo as informações necessárias, enxugando o excesso de texto e elementos... E quando o Dr. Redator acabara de costurar a chamada, a peça nasceu. Era um lindo e saudável outdoor.

Rapidamente, tomei-o em meus braços e fui apresentá-lo a um pai ora nervoso e agora orgulhoso e satisfeito. Peça aprovada, a Drª. Mídia a encaminhou para os melhores espaços da cidade onde a peça foi acomodada gerando o tão esperado feedback. Mais um paciente salvo, mais um cliente satisfeito, mais uma campanha nas ruas. Enquanto os Drs. Diretor de Arte e Redator brindam a isso com boa dose de café lá na copa, eu aproveito para me despedir de vocês, dar uma descansada na minha sala e... “- Dr. Criação, favor comparecer à sala de reunião urgente-mente.”... É... tudo levava a crer que seria uma segunda-feira como outra qualquer no Hospital Dead Line...

     
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