Crise só nos aeroportos, porque a mídia comemora. O “apagão” aéreo - que ganhou destaque com as tragédias envolvendo as empresas GOL e TAM - lota aeroportos, e faz a mídia seduzir passageiros: quem espera nas salas de embarque e filas de check-in, presta mais atenção aos anúncios publicitários e meios de comunicação, em geral. Os pronunciamentos políticos que explicariam as crises tornaram-se piadas para a mídia: é o caso do filme publicitário produzido pela Euro RSCG (SP) para marca de automóvel Peugeot, que tem como mote "Relaxa e Compra", se referindo à citação "Relaxa e Goza", dita pela ministra do Turismo, Marta Suplicy. Quem não relaxou, nem gozou, tampouco comprou a idéia, foi o presidente Lula, que solicitou retirada do filme após poucos dias de veiculação.
A mídia alternativa dentro dos aeroportos é grande, tanto que já existe termo indicando o conceito: chama-se aeroshopping. Essa denominação implica que têm clientes com alto poder de compra, que não hesitam em adquirir novos produtos ou tecnologias. Segundo o gerente da Codemp, empresa de Mídia Aeroportuária do Grupo Kallas, Bruno Moreira Folegatti, “o público é altamente segmentado”. Nas cidades de São Paulo, onde há a Lei da Cidade Limpa (lei que visa acabar com a poluição visual), e Rio de Janeiro, esse conceito funciona bastante. Poucas pessoas notaram mudança, pois quem anunciava, continua anunciando, mas o recall, agora, tornou-se mais eficaz.
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Nilson Samico, Mídia da Ampla |
É verdade que, com essa crise, os anúncios ganham mais visibilidade, mas o que o cliente passaria a ver espontaneamente, torna-se um passatempo com o tédio da espera. “A publicidade deixa de ser prazerosa”, disse o diretor de Mídia da Ampla, Nilson Samico. O momento é de anunciar, mas lembrar da propaganda associada ao estresse corre o risco de não ser eficiente. Os problemas com a publicidade podem surgir porque o ambiente, que antes da crise era livre e descontraído, agora é de medo. Com o estresse causado pelos transtornos aéreos, quem vê a marca pode associá-la de forma negativa. “As pessoas vão se lembrar da propaganda e dizer: 'Ah, vi aquela propaganda quando eu passei horas no aeroporto”, disse Giovani de Carlli, da Grupo-nove. Carlli disse, também, que não recomenda seus clientes a anunciar nos aero-portos, ao menos nesse momento.
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Nélson Gonçalves,
Full Time (CE) |
Há quem discorde dessa hipótese. Nélson Gonçalves, da Full Time (CE), declarou que o cliente não vai deixar de comprar porque está estressado. Uma dica para as agências que veiculam em aeroportos é ter cuidado com formas de mensagem. Nesse caso, vale apelar para as de entretenimento, ou mesmo publicar campanhas vinculadas ao turismo, como no caso da Carratu Publicidade (RN). Em parceria com a Visanet, filial Natal, a agência potiguar desenvolveu trabalho de reestruturação de identidade visual e publicidade para o Centro de Turismo de Natal, trazendo nova logomarca, propaganda, sinalização diferenciada e campanha de impacto. A ação traz mala de couro, fazendo referência ao artesanato, com selos das principais regiões do estado. O mote é “Venham conhecer o Centro de Turismo”.
Além da briga pela veiculação, há a demora em conseguir espaço nos aeroportos. A Mídia da Ponto D (PB), Rebeca Melo, diz que “existe dificuldade comercial, porque os contratos são longos: duram de seis meses a um ano”.
Até o criador da Turma da Mônica, Maurício de Souza, pegou insight da crise e produziu tiras em quadrinhos sobre o caso. A partir das personagens, ele mostrou algumas situações comuns, como o medo dos passageiros, a alimentação obrigatória após três horas de espera, painéis indicando cancelamento e atrasos de vôos. Isso mostra que, quando o assunto é o “apagão” aéreo, até as crianças veêm, através dos gibis, tudo com cenas de humor. |