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Há dois anos, o paulistano Fabiano de Freitas exerce a direção-executiva da TV Itapoan, retransmissora da Rede Record na Bahia. Para chegar até aqui, no entanto, o percurso trilhado foi longo. Ou não: “Ainda estou engatinhando. Comecei agora, só tenho 12 anos de carreira”, brinca. Nesse tempo, Fabiano atuou na Record de São Paulo, gerenciou a Rádio Record AM de Florianópolis para, em seguida, assumir a direção das emissoras de rádio de Santa Catarina e dirigiu a TV Record de Florianópolis, além das emissoras de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Franca. Prestes a completar 37 anos de idade, Fabiano tem no currículo o curso de Radialismo, feito no Rio de Janeiro, e o de Admi-nistração, em São Paulo. Atualmente estuda Marketing, em Salvador. O tempo é dedicado exclusivamente à televisão. “É por isso que dá certo, não perco tempo com outras coisas. Trabalho com foco, visando sempre o resultado”, diz ele, que também possui horas livres dedicadas à família, à praia, à pesca ou aos passeios no shopping. Casado, Fabiano tem um filho de 11 anos. Sua inspiração tem origem na equipe de profissionais, descritos como competentes e cheios de novas idéias e ideais. “Ouvi-los tem sido um aprendizado, pois eles conhecem o mercado há mais tempo que eu. Eles sabem o que o baiano quer, gosta e deseja ver na tele-visão. Sem equipe, não teríamos chegado aonde chegamos.
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Gosto de trabalho em equipe. Só sei trabalhar assim”, diz. A TV Itapoan foi fundada em novembro de 1960, tendo sido a primeira emissora de televisão da Bahia. Naquela época, transmitia a programação da Rede Tupi de Televisão. Com o passar dos anos, a Itapoan atingiu diversos tipos de público, oferecendo oportunidade de atrativos investimentos aos anunciantes. “A audiência de toda a programação cresce a cada dia e o reconhecimento do mercado, ante o excelente desempenho, torna-se cada vez mais evidente”, afirma Fabia-no sobre a emissora, vista por ele como referência em eficiência, competitividade e profissionalismo.
REVISTA PRONEWS - Durante anos, as pessoas se acostumaram a ouvir falar do Padrão Globo de Qualidade. Agora, somos apresentados ao Padrão de Qualidade Record. Qual a necessidade de um 'padrão de qualidade' em uma emissora de televisão?
FABIANO DE FREITAS - A Record não segue o padrão da Globo. Nós seguimos os padrões mundiais de qualidade e isso é necessário, pois os telespectadores estão mais exigentes a cada dia. E para acompanhar esta evolução é necessário que se invista em qualidade. Por isso, a Record cresce e assusta a emissora ainda líder. Aliás, somos nova opção de TV no Brasil, e o telespectador agradece.
RPN - A aplicação de tais princípios sinaliza nova pos-tura da emissora baiana ou apenas consolida trabalho que já vem sendo desenvolvido pela Itapoan?
FABIANO - Não é nova postura. Isso é um processo. A emissora baiana cresce desde a passagem de Alexandre Raposo, presidente da Record, em 2000. Ele passou por aqui e começou tudo isso. Logo depois, veio Júlio César Ribeiro, que também prosseguiu com esta proposta. O que fiz foi acelerar o processo com a instalação do news room e a aquisição de novos equipamentos.
RPN - Como a news room se insere nesse contexto?
FABIANO - A news room é o que chamamos de novo tempo nas comunicações aqui no Brasil. Na Europa, Estados Unidos e países asiáticos, as TVs seguem o padrão das grandes emissoras. Aqui no Brasil, isso não acontecia. Você saía do eixo Rio-São Paulo e era triste assistir à programação de emissoras locais. Hoje, no grupo Record, já não é mais assim. A qualidade que se vê no Rio e em São Paulo, você pode acompanhar na Bahia, Sergipe, Ceará, Recife, etc. A news room nada mais é que a interação entre redação e cenografia. Os programas jornalísticos são apresentados no ambiente onde a notícia é tratada. Isso nos proporciona condições de maior qualidade e agilidade na hora de noticiar.
RPN - Essa integração é necessária?
FABIANO - Isto é uma seqüência de ações. A Record São Paulo segue os padrões mundiais de qualidade, nós seguimos os padrões da Record de São Paulo e o telespectador não sofre nenhum tipo de frustração com a entrada da programação local. E com a entrada da TV Itapoan no grupo Record News (em rede nacional), o telespectador não terá perda de qualidade. Poderemos colaborar com a rede de forma grandiosa ao mesmo tempo em que divulgamos nossas culturas locais para o Brasil e para o mundo através da Record Internacional.
RPN - Como o telespectador tem visto essa mudança?
FABIANO - Somente quem respeita o telespectador é que faz investimentos desta magnitude em uma TV local. A Record tem o telespectador como prioridade. Tudo que fazemos na televisão é para eles, seja em entretenimento, teledramarturgia ou notícias. Sabemos que nossa responsabilidade é muito grande, pois os números de audiência aumentam a cada dia. Isso é prova de que o telespectador tem aprovado nossas ações.
RPN - O fato de ter sido a primeira emissora de tele-visão da Bahia faz com que a emissora também busque ser pioneira nas demais iniciativas que toma, como é o caso do news room?
FABIANO - Sim, pois esta é uma marca da TV Itapoan: ser a primeira TV da Bahia. Mas não queremos ser apenas a primeira TV da Bahia. Queremos ser a primeira TV do Brasil a alcançar a liderança!
RPN - O slogan da emissora diz: “A TV que é a cara da Bahia”. Como essa personalidade baiana é expressa na programação do canal?
FABIANO - Nossa linguagem é baiana e expressamos isto através de nossas cinco horas diárias de programação local. Podemos importar pessoas, equipamentos, tecnologias, mas jamais vamos importar cultura. Este valor é daqui e não abriremos mão disso. O baiano se identifica por meio de nossa programação. Por isso, a TV Itapoan é forte. Quem está aqui na Bahia ou no Nordeste (com exceção de poucos) não está preocupado com os problemas das grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. Nós mostramos a Bahia aos baianos. É isso. Não tem segredo.
RPN - Falando em cultura local, o programa “Balanço Geral” teve seu formato exportado para outras emis-soras da rede, em Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis e Pará. O que o fez ser levado para essas emissoras e o que do tempero baiano ele levou para elas?
FABIANO - As outras emissoras do grupo importaram o formato. Isso se deu por conta da grande audiência do programa. O Balanço Geral é a ouvidoria pública da Bahia. Aqui, o baiano fala, tem voz e é ouvido. Esse é um programa do povo. As forças vivas da sociedade baiana, como sindicatos, associações, entidades de classe e população em geral não marcam pauta para participar. Elas simplesmente aparecem, fazem reivindicações para a produção e são colocadas no ar. Aí está a força do programa. Não temos pauta. Em poucos minutos, tudo pode mudar. Quem faz o programa é o povo.
RPN - Como vocês avaliam a questão da classificação indicativa proposta pelo governo federal?
FABIANO - Com relação à classificação indicativa, somos favoráveis. Sempre seremos favoráveis. Mas somos radicalmente contra a classificação vinculativa. O que é isso? Enquanto a classificação for meramente indicativa - não apenas nosso veículo, mas tenho certeza que as emissoras de todo o Brasil -, seremos a favor. Aliás, nós já praticamos a auto-regulamentação há muito tempo. É questão de bom senso. Não colocamos filmes ou novelas com cenas de violência no horário matutino ou vespertino. Exibimos essa programação sempre após as 22h. Temos consciência do tamanho de nossa responsabilidade. Agora, a classificação vinculativa tem um toque de censura e é perigosa. Os poderes se revezam. Hoje temos pessoas sérias atuando no setor, mas e amanhã? Quem pode nos garantir que estes lugares não serão ocupados por pessoas tendenciosas ou mal-intencionadas? Os brasileiros lutaram contra a censura por muitos anos. Hoje somos livres, podemos nos expressar livremente. Mas não podemos retroceder. Temos que ter muito cui-dado com isso.
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