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   Ano VIII | 15 Jul - 15 Ago - 2007 | nº 92 | Capa: Ponto D (PB)

     

ELAS POR ELAS


Thaíla Correa

Juliana Pessoa, Nathália Pimentel e Raphaela Spencer (UFPE)

Embasadas teoricamente pelos livros Segundo Sexo, de Simone Bouvoir; O Mito da Desigualdade, de Dulce Whitaker, e A Mulher e A Família no Final do Século XX, de Fátima Quintas, e em conversa com mulheres de órgãos e instituições femininas, as alunas de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Juliana Pessoa, Nathália Pimentel e Raphaela Spencer produziram o documentário "Entre Elas". O filme, apresentado como conclusão de curso, mostra, por meio de mulheres comuns, discussões sobre gênero, o que é ser feminina e o significado de feminilidade no mundo atual.

“Entre Elas” tem cinco personagens: Yoná Vasconcelos (mãe de quatro filhos para fazer jus ao papel de mãe e cuidar da sua própria família), Gigi Bandler (francesa, que mora no Brasil há 28 anos, engajada nas causas femininas), Mônica Lira (bailarina, coreógrafa, diretora e produtora de espetáculos de dança contemporânea do grupo Experimental, há 13 anos), Shirley Melo (a única mulher que exerce a função de técnica de manutenção de aeronaves, no Aeroporto dos Guararapes Gilberto Freyre) e Maria Áurea Santa Cruz (atuante de movimentos feministas). A escolha se deu pela pesquisa que o grupo fez sobre algumas ONGs e instituições criadas somente a fim de discutir os gêneros. Foi difícil, para as estudantes, escolher as protagonistas, pois o risco de transformá-las em estereótipos não podia existir. “A diferença entre nossas personagens, na forma de viver, se vestir e no nível intelectual não precisaria ser muito gritante, bastava dar a elas a oportunidade de falar e ter a sensibilidade de explorar aquilo que fazia, dela, peculiar dentro do panorama das mulheres entrevistadas”, disse o grupo.

A idéia do documentário foca o modo como o homem pensa a mulher nessa sociedade. Quase todas as falas e perguntas feitas comparam o universo feminino e masculino. Além da fala das mulheres, o povo masculino também coloca sua opinião - tudo isso para que a omissão dos homens não fosse questionada, tampouco interpretada por uma “rixa” feminina. A partir disso, o vídeo encerra-se com uma relação direta entre uma das falas de Fátima Quintas, onde ela isenta de culpa esse homem que, há apenas pouco tempo, começou a repensar seus valores. A identidade dos entrevistados vem em off, para que eles não se comprometam ou sejam expostos.

As etapas do projeto foram realizadas pela própria equipe, desde o manuseio dos equipamentos até direção, produção e finalização. Segundo Juliana Pessoa, “pela própria personalidade, interesses e vivências do grupo, o processo de criação técnica tem tanta importância quanto o conteúdo e o discurso abordado”.

     
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