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FOME DE BOLA
O futebol está mesmo entranhado no sangue do brasileiro. Em cada esquina vemos crianças, jovens, adultos, simplesmente jogando. A bola nem sempre é a ideal: de couro, borracha, de meia, o que vale mesmo é fazê-la rolar. E por falar em rolar, encontramos cada “campo”. Esse mesmo, ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no bairro do Amparo, Olinda, era palco de uma grande obra da prefeitura. O que predominava era muita lama, montes de areia e tubulações de esgoto aqueles canos enormes que só guindastes conseguem erguer. Mas a vontade de jogar estava acima de tudo. Pois bem. Com uma câmera Canon EOS 20D, lente Tamron 18-250mm, comecei a observar tal cena. A cada clique fui me aproximando até ser notado. Fiz logo rápida amizade, ganhando a confiança de todos, até já fazer parte do jogo deles. Não como juiz, muito menos jogador. Estava no meio dos lances, atrapalhando mesmo. Mas eles não ligavam. Achavam tudo aquilo o máximo, serem fotografados. De repente, uma falta. Disse: calma! E, antes de o garoto bater, enxerguei uma oportunidade. Coloquei a câmera no modo seqüencial, literalmente me deitei na lama e me posicionei. No instante em que o garoto corria pra falta, iniciei os disparos. Cinco frames por segundo. Abertura F 3.5, Velocidade 1/2000, o que provocou o congelamento da areia no pé do garoto. Um lance no mínimo peculiar, que registra a fome de bola de nossa gente, saciando a minha de clicar.
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