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Formada em Publicidade pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Renata Gusmão seguiu para São Paulo em 1997 para trabalhar na agência Full Jazz Propaganda e cursar a pós-graduação em Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). O ano 2000 marcaria sua volta a Pernambuco, quando trabalhou em algumas das maiores agências do estado até dar início aos trabalhos na RGA. “A experiência em São Paulo mostrou que muitas ferramentas, idéias e formatos utilizados nas grandes agências, e que já estavam dando certo lá fora, ainda não tinham chegado ao Recife. A RGA nasceu da idéia de trazer para cá essas inovações”, explica Renata.
“Em propaganda, mais importante do que os conhecimentos obtidos ao longo da carreira, é a capacidade de atualização. Recife ainda não é um centro emissor de grandes inovações no mercado publicitário. Por isso que eu e todos os nossos profissionais temos a obrigação de estarmos nos atualizando constantemente sobre o que está acontecendo fora de Pernambuco e, principalmente, fora do país”, afirma a publicitária. Sobre a RGA, pode-se dizer que se trata de agência enxuta, por contar atualmente com 26 profissionais. A decisão, segundo a profissional, se deve à proposta dos sócios em atender apenas certos tipos de clientes.
Pernambucana de nascença, Renata Gusmão é casada e tem dois filhos, para quem lê histórias de contos de fadas, brinca de Max Steel e faz bolinhos de areia no parque. Hobbies? “Cuidar dos filhos. O que já é trabalho suficiente”, brinca ela. Para Renata, a inspiração vem de qualquer lugar (“É fácil”), apesar de ela e seus colegas de RGA preferirem acreditar mais na força da transpiração. Na entrevista a seguir, um pouco das idéias da publicitária a respeito de temas como sucesso, a mudança de funcionária para sócia e sobre a forma de como a questão da feminilidade é tratada pela publicidade.
REVISTA PRONEWS -Quando foi criada, a RGA já mostrava garra e talento para conquistar espaço no mercado, bem como para desenvolver campanhas atraentes e criativas. Você acredita que muito disso se deve ao caráter jovem da agência, liderada por você, o Ricardo e o Benjamin?
RENATA GUSMÃO - Parte do sucesso que temos tido vem do esforço diário de tentar trazer para nossos clientes as melhores soluções. E como as melhores idéias dão mais trabalho, a gente tem trabalhado muito, desde o primeiro dia. Idéia boa funciona em todo lugar. A campanha do creme dental Even está em todo o Norte/Nordeste e a da cerveja Nobel está se expandindo pelo Nordeste também. Idéia boa funciona até onde se fala inglês. Colocamos no ar campanha para o nosso cliente Confiança Moving, em Miami, na Globo Internacional. Fomos a primeira agência de Pernambuco a fazer isso. Nem a Globo Nordeste conhecia os procedimentos quando quisemos enviar a fita. Foi até engraçado.
RPN - Dentro desse espírito jovial, o que foi ressaltado e o que vocês deixaram para trás desde a fundação da agência até aqui?
RENATA - A RGA não começou no ano passado, no dia da sua fundação. O trabalho para montar a agência vem de muitos anos, desde quando resolvemos sair daqui para buscar os melhores formatos, conhecer os melhores fornecedores, descobrir outros modelos que vêm dando certo em várias partes do país e do mundo. E esse trabalho não pára.
RPN - Contas importantes, atuação elogiada no país e exterior e diversos prêmios conquistados - recentemente, além de agência com mais campanhas premiadas no Colunistas N/NE, ainda teve Ricardo Rique (o R, da RGA) como o Publicitário do Ano. O que falta a vocês conquistar?
RENATA - Realmente, nesse primeiro ano, tivemos muito mais prêmios do que esperávamos. Mas ter sido a agência com mais campanhas premiadas no prêmio Colunistas não é tão importante quanto o resultado que temos conseguido para nossos clientes. Para a gente, os prêmios que importam são o sucesso da campanha do creme dental Even, que superou todas as expectativas mais otimistas; e da Nobel, que, com a fatia de mercado alcançada em apenas oito meses, fez com que o grupo Schincariol se interessasse em comprá-la. É esse o tipo de prêmio que as agências deviam divulgar.
RPN - Tamanho retorno de clientes e também do mercado em espaço relativamente curto de tempo acarreta que efeitos na cabeça de um profissional?
RENATA - A gente tem plano de negócios para cinco anos e ainda não o atingimos. Por isso, todo dia trabalhamos para alcançá-lo. A gente tem muito trabalho pela frente.
RPN - Antes da RGA, você era, digamos assim, apenas publicitária. Agora, soma a essa atividade a função de gestora. O que tem achado dessa nova experiência profissional?
RENATA - Como nossa experiência gerencial era bastante resumida, temos contado com a ajuda profissional de vários colaboradores, que têm nos ajudado a organizar a casa. E tenho aprendido muito com todos eles. Basicamente, que sempre há uma maneira melhor, mais organizada e mais eficiente de se administrar qualquer departamento de uma agência.
RPN - De posse dessas duas visões da profissão a de funcionária e a de gestora -, o que você diria a um jovem publicitário em busca de seu lugar, que ele procure uma agência para trabalhar ou que inicie o próprio negócio?
RENATA - Não tem certo nem errado. Tem grandes profissionais que até hoje trabalham em agências e tem aqueles que, por algum motivo, optam por abrir a própria empresa. O único conselho que eu dou é que tentem nunca parar de aprender e que sempre procurem os melhores professores. Mesmo que eles não morem na sua cidade. Tem que colocar o pé no avião. Tem que dar enter na internet. O importante é não achar que após terminar a faculdade a pessoa já é um profissional experiente. É apenas um profissional. E a experiência vem por intermédio de grandes pessoas, grandes cases e grandes ambientes profissionais.
RPN - Como é ser o elo feminino da RGA?
RENATA - Em publicidade, o sexo não faz diferença. Na verdade, acredito que não faz diferença na maioria das profissões, com exceção, é claro, das que envolvem um volante, motor, marcha e pedais.
RPN - A propósito disso, estamos falando de três pessoas bem diferentes, cada qual com aspirações, personalidades e vontades, mas uma paixão em comum, a publicidade. De que modo cada um de vocês contribui para o fortalecimento da RGA?
RENATA - Acho que os três têm uma coisa em comum, que é a certeza de que tudo pode ser melhorado. As diferenças são fundamentais. As melhores peças e estratégias que colocamos na rua surgiram depois de calorosos debates. Porque é nessa hora que a gente consegue ter todo tipo de visão dos fatos.
RPN - Como mulher, o que te irrita na forma como a questão do gênero é retratada na publicidade?
RENATA - Eu não vejo tanto problema como algumas mulheres costumam reclamar. Acho que se tem excessos na publicidade, também tem excesso de reclamações sem fundamento. Publicidade, entre outras coisas, é humor.
RPN - De modo mais amplo, o que te irrita em um comercial e, por outro lado, o que te atrai?
RENATA - Hoje o consumidor não precisa mais ver comercial, ele assiste à TV com controle remoto na mão e uma revista no colo, e só vai ficar olhando para o produto se sua agência criar um comercial que dê motivos para isso. Gosto dos comerciais que conseguem fazer isso. É isso que a gente tenta fazer aqui.
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